sexta-feira, 12 de junho de 2009

UMA MULHER, QUATRO HOMENS E MUITOS SEGREDOS


Como é bom encontrar pessoas!!! É como viajar por outros mundos... olhar, por um instante, a vida por outros focos...
Não quero aqui desmerecer a maravilhosa literatura que temos à nossa disposição, mas as pessoas são melhores que livros... e nessa semana comecei a ler três; seus títulos são: ADRIANO, ANE e FRANCISCO... Só tive contato com os primeiros capítulos, mas posso dizer de antemão que tenho adorado...
Também eu expus minhas paginas num RENNAN em edição especial; e junto ao velho PEPÉ de cabeceira, juntos esses títulos num único compendio, Adriano o batizou: UMA MULHER, QUATRO HOMENS E MUITOS SEGREDOS!!! Kkkkkkkkkkk...

Essas pessoas fazem parte de um clube de leitura com postagens disponíveis no blog http://cavaleirosinexistentes.blogspot.com , cuja função será me ensinar a ler bons livros, e como tudo na vida é partilha, tentarei também ensiná-los a ler pessoas, livros vivos que vão se escrevendo e inscrevendo em nós a cada segundo, por traços e escolhas de forma que nunca chegamos ao fim (nem quando vem o aparente selo da morte) e nunca também podemos prever os próximos capítulos fazendo dessa leitura algo totalmente criativo e de contextos inesperados... nenhuma outra leitura é capaz de arrancar de nós tantas reações: paixão, raiva, dúvida, oposição, graça, desejos... e também nenhuma outra ensina tanto porque suas páginas tem calor ao toque, suas palavras entonação e timbre, suas encadernações são únicas e tem imagem e cor – uma verdadeiro deleite para os sentidos...
PESSOAS SÃO INCRIVELMENTE MELHORES QUE LIVROS!!! Mas a maravilhosa literatura que temos também nos ajuda a ler pessoas porque seus incríveis autores são, nada mais nada menos que: as pessoas que melhor sabem ler pessoas e, antes de tudo, sabem ler a si mesmos...
Se quiserem ler um pouco mais de nós, acompanhem nossos blogs, e terão acesso a algumas páginas do nosso UMA MULHER, QUATRO HOMENS E MUITOS SEGREDOS; mas não esperem saber tudo de nós, afinal, segredos, se contados, deixam de ser segredos, e nossas vidas são livros abertos, mas com algumas páginas arrancadas!!! Kkkkkkkkkkkk...
BOA LEITURA!!!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Baile de Máscaras


Outro dia, há uma semana atrás exatamente, estive com uma amiga muito querida chamada Adriana a quem já fiz referência outro dia numa postagem...
Embora vira-e-mexe tenhamos notícias um do outro e nos mantenhamos ligados por laços outros além dos tangíveis, passamos sempre bom tempo sem nos encontrarmos fisicamente, mas isso foi mudado na semana passada.
Encontramo-nos sempre rodeados de muita gente e, num brevíssimo instante em que conseguimos ficar sozinhos, ela perguntou: "Você tá bem?", ao que respondi que sim e ela retrucou: "Bem mesmo? Ou usando uma máscara como os outros?". kkkkkkk...
Achei a pergunta perfeita!!! Mas tive que confirmar estar bem para não ser infiel a mim mesmo e ao meu atual estado, embora tenha compreendido totalmente a sua indagação...

E que indagação tão justa essa e quão dolorosa para quem se dá conta dela... posso dizer de própria experiência! Mas o fato é que vivemos mesmo em um baile de máscaras...

Ao longo da história, nós, seres humanos, fomos nos especializando em criar padrões e comportamentos estereotipados para singularizar nossos grupos; uma "burra" tentativa de fazer diferente o que é, por sua natureza, desigual - gente; seria algo como um jogo infantil de quem tem o brinquedo melhor - lembra? - "O meu carrinho tem lanternas que piscam!" "Besteira, o meu tem controle remoto!" kkkkkkkkkkk... da mesma forma os agrupamentos humanos foram criando padrões de comportamentos que foram sendo aceitos por todos - e eles não são em todo maus; são elementos importantes nas artes sociais - mas acabaram sendo obras maiores que seus autores... Olhemos o exemplo daquele monte de talheres que os bacanas usam pra comer: depois de tanto troca-troca de talheres, pratos e taças a comida já perdeu o gosto! kkkkkkk... Um artificio criado pela classe dominante para se diferenciar da forma de comer do "povão" - nenhuma finalidade prática em si mesma!!!
E assim compreendemos que fomos criando tantos estereótipos e padrões de comportamento humano aceitável que essa "catalogação humana" nos ultrapassou... prendemo-nos nas armadilhas que nós próprios criamos... E isso faz lembrar Jesus (e já usei essa expressão antes) ao indagar se o sábado foi feito para o homem ou o homem para o sábado...

Eita!!! Acabei misturando tudo!!! Mas vou voltar e tentar relacionar isso aí as máscaras do baile:
Aprendendo, desde o nascimento, as normas desse "catálogo" de posturas, sentimentos e aparências aceitáveis, sendo, originariamente, feitos diferentes e para diferença, para assumir essa supósta igualdade (em alguns casos até necessária) escolhemos a máscara mais adequada, e a que, muitas vezes, é inversa a nossa face fiel, como quando, por exemplo, escolhemos a máscara de sofredores - para manter as pessoas a nosso lado penalizadas; ou a de alegres - para esconder tristezas com as quais não sabemos lidar; ou a de seguros - para não dar vazão as nossas inseguranças...

Somos assim: máscaras... inseguranças... diferenças... gente...
E nisso se faz a magia do baile: dançar conforme a música que toca; encontrar parcerias para boa conversa e contra-dança; beber sem se embriagar; e, de tudo o mais belo e desafiador, descobrir a beleza que as máscaras escondem... sempre tem um momento na festa em que acabamos tirando, ou mesmo chega uma hora em que elas precisam cair...

Quando as pessoas as tiram por opção é sempre uma experiencia muito prazerosa... Mas o cair das máscaras é sempre momento de tensão porque, pegando desprevinido quem a ostentava, acaba revelando o que queria esconder - aí há dor a priori, vergonha, constrangimento, julgamento e espanto dos que vislumbram isso - mas depois vem a gozo, sempre vem depois...

Mas se sempre chega uma hora que as máscaras são retiradas, por escolha, necessidade ou de súbito, por que a usamos?

A resposta é simples e inversa ao que se pensa: É QUE SOMOS LINDOS DEMAIS!!!

Exatamente o que você acabou de ler - somos lindos demais! - e, embora acreditemos viver procurando isso, no fundo no fundo, temos medo de mostrar nossa face fiel e as pessoas nos amarem... tanto porque teriamos que revelar, além da nossa beleza estonteante nossa feiura, como teríamos que amar com intensidade e singularidade, o que é bem novo para quem aprendeu a seguir padrões; e todo novo amedronta, não é?

Se nos mostrarmos exatamente como somos travaremos relações de mais verdade e o amor terá campo aberto para se manifestar em toda sua força... mas vivemos com medo de não estar prontos... um estranho medo de não estar prontos para o que fomos criados... um estranho medo de querer o que nos move até a raiz mais profunda da nossa alma: o amor; e assim nos encontrarmos diante da face de Deus, não mais envergonhados como Adão e Eva, mas como homens e mulheres novos, libertos pela verdade e pela luz que ilumina o mundo e todas as criaturas que é Cristo Jesus, origem de todo o verdadeiro amor...

A quem, lendo isso, ache estar diante da opinião de um louco romântico qualquer - tudo bem!!! Demos um viva a liberdade de ser, compreender e existir da melhor forma que convier a cada um... Mas não tratamos aqui de fórmulas mágicas, decisões que mudam tudo num piscar de olhos, mas de atitudes novas, renovadas... Também eu uso as minhas máscaras!!! Algumas delas usei tanto e tão fielmente que até as confundi comigo mesmo, com minha face real... Outras nem me dei conta que usava... Outras usei segundo a maldade do meu coração... Mas tomei consciencia de que, nenhuma delas, nem a mais sofisticada, se assemelha a minha beleza, e sei do quanto sou feliz e livre quando não preciso usar nenhuma... e nesse baile que nunca termina, clamo a Deus, grande anfitrião dessa casa, não deixar-me faltar sabedoria para usar as máscaras que me forem necessárias, mas também para despir-me delas o quanto mais for possível, e que não me falte determinação para fazer a justa apreciação dos olhos cujas máscaras nunca podem esconder ou negar...

Beijão na bunda!!!

(Postagem dedicada a Adriana - Filha da Lua)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DESCABIDOS

Sei lá... De repente senti vontade de ouvir música alta novamente... vontade de viajar para um lugar que nem sei onde é... comer algo que também não sei... Vontade de ver amigos e rir alto... Como que o desejo, antes concentrado, agora se desdobra em outros pequenos e incompreensíveis desejos...

Pus-me a pensar no que havia acontecido... que mudança ocorrido para haver esse espaço dentro, essa vontade de expansão... Por que já não estou mais cabendo e não me conformo ficando quieto e tranqüilo aqui dentro onde, até bem pouco, me sentia tão bem?

A resposta vem clara: falta de alguém pra amar!!! Falta de alguém pra lembrar quando toca uma musica tranqüila... falta de ter em quem pensar antes de dormir...

Há um entusiasmo súbito, é verdade... a gente fica meio “descabido”; parece que já não cabemos mais no quarto, na casa (isso lembra Geo)... já não cabemos mais em nós!!! O coração meio que quer se emancipar, se expandir e partir em busca de novo bem...

Parece que estamos sempre cantando com Robertinha (Sá) “minha alegria voltou, brilhando com o alvorecer, quando deixei de amar e esperar por você...”.

Mas por
que será que a gente ri e doe ao mesmo tempo?
A ausência de um bem pra querer tem ares de liberdade, e isso é ótimo, mas o pior é que gostaríamos mesmo é de estar presos, como já dizia o velho Camões: Amar “é querer estar preso por vontade...”.

Seriam nossos corações como pássaros que nascem livres mas que são criados em gaiolas, domesticados nos afetos... quando deixam uma gaiola voam livres e gozam desse breve de expansão e liberdade, mas logo logo querem encontrar outra gaiola, outro abrigo...
E assim perdem a liberdade? Nunca!!!

Escolhendo prender-se, por vontade, nunca são tão livres: livres na escolha, na vontade de permanecer, de ficar... e as gaiolas não têm portas... Porque quando há no amor prisão, quando cessa a liberdade, já não há aí mais condições do pássaro do amor permanecer e fazer seu ninho, nem de cantar, ao entardecer as vésperas em louvor do Amor que deu-nos e gera o amor...

Para concluir, isso faz lembrar Chico e Edu Lobo em “Sobre todas as coisas”: Pelo amor de Deus... Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém abandonado... Pelo amor de Deus! Ou, como diria minha amiga Adriana: Por Nossa Senhora!!! Kkkkkkkkkk...

É isso!!! Permanecemos assim, DESCABIDOS, até achar outro coração para permanecer, caber, escolher, descansar... pode até demorar, é verdade... mas, como diz a sabedoria popular, “não há de faltar um chinelo velho para um pé cansado...”, kkkkkkkkkk.

domingo, 10 de maio de 2009

Ser Mãe

Tenho uma amiga querida e de muito tempo, daquelas pessoas que não se precisa ver sempre para manter da amizade mesmo carinho e viço... e sendo ainda mais objetivo: não lembro a era em que nos vimos!!! Mas, como disse, alimentamos laços outros além dos meramente físicos – um deles esse blog e nossos comentários sobre ele e as coisas que evoca sobre nossas vidas...
Essa amiga, como diria Mayra, é Martinha “Marry”. Kkkkkkkk... (lembrou?)

A questão é que martinha tem uma família linda e é daquelas mães que andam com camiseta: “SOU MÃE” para que todo o mundo saiba!!! Rsrsrsrsrsrsrs... E sendo assim, essa MÃE total, me lançou o desafio de escrever com o titulo: SER MÃE.

Kkkkkkkkkk... Imagina eu? Como fazer isso? Poderia escrever sobre ser filho, tio, amigo, mas “ser mãe” não tenho como saber nem jamais entender em sua totalidade, e não gostaria de escrever sobre “o que acho”; gosto de escrever o que sinto e vivo, o que corre nas veias das minhas emoções e experiências, por isso não poderia cumprir tal tarefa...

Mas aí fiz uma replica do desafio: Escreva você com o mesmo tema e eu posto no meu blog!!! E acabou de chegar o e-mail que partilho com muita alegria: Com vocês, a mãe, Martinha Mari.


Ser mãe...

Mãe, mainha, mamãe...palavras que soam como música aos ouvidos da Mulher que Deus agraciou com o dom da maternidade.

Quanta espera... longa e ansiosa pra ver aqueles olhinhos miúdos e indefesos que penetram nosso olhar e falam ao nosso coração:”Cheguei, estou aqui e preciso de vc”.

Pronto...nasceu...a obra mais perfeita do Criador. Enchemos a boca e a alma pra dizer : Meu filho, meu tesouro, minha vida, minha razão...todos os substantivos valiosos são pra ele, pra’quela criaturinha pequena que cabe na palma da mão, mas que de tão grande enche o nosso viver de felicidade.

Sabe, antes de meu filho nascer, eu acreditava que o amor era indescritível, mas depois que ele nasceu, o amor recebeu um condinome: Filho.

Como diz o padre Zezinho:...em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou, em sonho de Mãe Maria plantou... ela plantou e a semente deu fruto.

Mas, o que é Ser Mãe?

É sorrir quando ele diz ma-ma-ma...
quando dá a primeira risadinha...
quando com força suga nosso seio e a gente sorri pela felicidade de alimentá-lo, esquecendo a dor...
é acalentá-lo, dar carinho...
é chorar ao vê-lo dormir, imaginando seu futuro...
é agarrar, apertar e encher de beijos...
é sofrer junto, alegrar-se e vibrar com cada conquista...

Ser Mãe é ser super heroína, brincar de carrinho, de bola, de boneca...
É receber emprestado de Deus o dom da criação, da doação, da vida.

Ser Mãe é tanta coisa, é chorar escrevendo um texto como esse,
É acordar feliz da vida quando ele chega na cama: Mãezinha, eu te adoro!!!

É querer o filho só pra gente, e sofrer ao imaginar que ele um dia vai criar asas e voar..
Mas ficar feliz com o seu voo...

É orar a cada instante, pedindo a Deus por ele...
É esquecer de mim, pensando nele...
É viver por ele e pra ele...
É ser a mulher mais feliz do mundo!!!!!!!!!!

“Meu filho, sua chegada a minha vida me trouxe felicidade, sentido pra viver, hoje o AMOR pra mim tem um nome: PEDRO PAULO.

Amo vc demaaaaaaaaaaais!!!!!!!

Mamãe Martinha.


Agora sim!!! Um verdadeiro texto sobre ser mãe... kkkkkkkk... e lindo!!! Dá um prazer danado de ser filho e imaginar-me amado assim... em você não dá não?

Aproveito para dedicar essa postagem tb a Michelle Dias, mãe de Liriel, que já é mãe de carteirinha, como Martinha, mas que só vai ver a carinha do seu tesouro na terça... bençãos pra vcs, Nêga!!!

E bençãos divinas por mãos marianas para todas as mães, para todas as minhas, e para todas as de vocês que me dão o prazer de ler essas palavras!!!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um forte ou um fraco?


Acho que me decepcionei com um amigo...

Toda decepção parte da linha das expectativas; por mais que exercitemos o contrário, elimina-las se faz uma tarefa inumana: em menor ou maior grau sempre fazemos uso delas junto das nossas projeções... E quando não correspondem a elas – tristeza, mágoa, decepção...

E num gesto não entendido, numa palavra mal interpretada, num olhar furtivo, se estabelece o mal estar... pequeno gesto suficiente em si mesmo para apagar tudo quanto de bom tenha se feito e existido até então...

Feridos, nos revestimos de uma total “melindrice” e nos entregamos a esse estado emocional sem a menor reflexão e, entregues a uma emoção desordenada, as tristezas e mágoas só crescem... crescem... crescem... e vão matando tudo!!!

As projeções e expectativas são o tênue limite que separam o amor do ódio...

Mas o que é o ódio? Eita, se enveredarmos para responder isso nos perderemos! Melhor usar um pensamento de Gibran que diz, mais ou menos, assim: “Uso o ódio como uma arma para me defender. Se eu fosse forte não precisaria usar essa arma.” Pegou pesado!!!

Voltamos aqui a tratar da velha questão dos nossos egos tão bem elaborados: mágoas e decepções são somente respostas de um ego ferido: me magoou, me feriu, me desrespeitou, precisa ser afastado!!! Não é assim que fazemos? Se não consciente mas inconscientemente sei que é!!!

Mas como usar esse mesmo ego em favor de nós?

Retomando o falar de Gibran, se o ódio (mágoa, rancor, decepção) é resposta de defesa dos fracos, eu, que me acho tão tão, vou querer figurar entre os fracos ou entre os fortes?
Fraco ou forte? O que você escolhe ser?
Talvez você não tenham um ego tão ridículo quanto o meu, mas quero figurar entre os fortes... Mas como proceder?

Deixar de criar expectativas não posso, nem tão pouco deixar de me entristecer, nem eliminar as variáveis que me possam fazer sofrer porque isso é da arte imprevisível dos relacionamentos humanos... o que fazer então? Como proceder?

A única alternativa é ir ao encontro do Mestre... Só Ele tem respostas de vida eterna! O que Ele nos tem a dizer sobre isso?
“Se alguém te fere numa face oferece a outra”
Você já teve a sensação ou pensou: “pra que eu fui perguntar?” Kkkkkkkk... Pois é! Pensei nisso eu!!!
Entrou em cena o ego ridículo novamente: “Eu? Oferecer a outra face? Nem pensar? É mais fácil eu dar uma bem no meio do “bebedor de lavagem” pra aprender e nunca mais repetir!!! Mais é nada?!”. É assim que responde o meu às palavras do Mestre...

Mas de quanta misericórdia se reveste o mestre que veio para nós “fracos e doentes”; vendo o que se passa em meu coração, generoso, manda seu Santo Espírito para instruir-me em minha ignorância e animalidade...

A face oferecida é uma imagem simbólica... Se alguém te fere, se não corresponde às tuas expectativas e assim te entristece, se te feriu, ao invés de te recolheres em tuas defesas de tristeza e mágoa, toma por base o que de bom existiu e persevera, permanece, aposta no bem... é um salto no escuro porque, em se tratando de pessoas, a abertura de uma nova ferida, de nova dor, novo desentendimento se faz passível de acontecer, por isso a imagem da face oferecida... Permanecer, acreditar, apostar novamente é ou não oferecer a face a um possível outro golpe?

Coisa difícil essa de ser gente e das relações humanas, viu?! Acho que, por isso, nos seus mandamentos, Deus destina a si mesmo um só deles, e no resto tenta nos ensinar a arte do respeito, do amor, da convivência – tenta-nos dizer de como ornar, amar e respeitar o templo verdadeiro onde O agrada ser adorado: nas pessoas a nossa volta; nas que nos sentimos impelidos a amar e nas que desejamos odiar também...

Não é sempre fácil acertar... Mas me cobro uma postura diante de tudo quanto pensado até aqui: escolho ser fraco ou forte? Oferecer a outra face ou responder com bofetada?

Não é um passe de mágicas!!! É um exercício!!! Ta doendo aqui, é verdade!!! Mas posso escolher que sentimentos quero carregar comigo... posso escolher se fico fixado no fato que me traz tristeza, reprisando e (re)ssentindo o que dói ou, mesmo contra a minha emoção triste fazer uso da memória e fixar-me no que foi bom tirando da mágoa parte de sua razão de existir... Isso sim, posso fazer!!!

E não quero dizer ser justo também o extremo de nos faltarmos com o respeito nos expondo a relações onde um outro golpe na face é certo e não possível – conviver é uma arte que implica também em saber se esquivar, evitar... para assim ser possível, de fato, amar...

Fraco ou forte? Kkkkkkkkkkk...
Em instante nenhum a suprema fonte do amor disse que amar seria fácil!!! Nem difícil eu também diria... Talvez desafiador!!! Isso!!! Desafiador!!! E como adoro desafios, principalmente o de ser feliz, preciso ser forte para alcançá-lo!!! E se ser forte implica, apesar da dor, oferecer a outra face, acreditar mais uma vez, e até deixar ir o que permanecer já não se faz possível:

EIS-ME UM FORTE EM MINHA FRAQUEZA!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Os amores que a gente inventa

Você já inventou um amor?
Pois é!!! Dei-me conta que inventei todos os meus...

Se eu menti pra mim mesmo? Sim e não!!! Kkkkkkkkkk...

Essa coisa de pensar nas razões do amor me fazem lembrar uma música do Pe. Airton que diz:

“Por que amar”? Amar por quê?
(...) para não se perder a alegria de viver...
(...) para preencher os dias de sentido...
(...) para não enlouquecer...
(...) para se lembrar e também esquecer...

Acho que é por isso tudo aí e muito mais que inventamos nossos amores...

Mas que história de inventar é essa? Coisa da arte da mentira?
Não!!! Coisa da arte humana, da arte de ser gente, da arte das carências...

Quando encontramos alguém, num primeiro momento, caindo esse alguém “no nosso gosto”, o pintamos com as cores do que nos agrada, adornamos com as virtudes que nos são preciosas, ou antes com o que nos falta à idéia de completude.

Na maioria das vezes, se o afeto se transforma em relação, com o tempo, o ser amado vai se transformando do ideal(izado) para o real, e às vezes não tem nada do que imaginado dele... mas aí já estamos envolvidos e amamos mesmo assim...

Talvez esse seja um mecanismo do amor: cria as condições para se estabelecer e, estabelecido, garantir que vai durar, mesmo na adversidade...

Sei que, nessa perspectiva, amores são sempre inventados, mas nem percebemos porque chegam a ser concretos... mas os amores inventados que não chegam a ser concretos? Os que permanecem inventados?
Já teve desses?
Kkkkkkkkkkkkkkkk... Pois é!!!

Eu já tive! E os danados duram um bocado (pelo menos pra mim), porque não passam pela sabatina do real, permanecem sempre no lúdico... ficam encantando a gente... afetando a gente... e às vezes até perdem sua força, mas gostamos de guardar eles ali: para lembrar quando sós; em dias de chuva; quando toca aquela tal música... kkkkkkkkkkkkkkkkk...

De forma muito particular (conversava essa semana com um amigo sobre isso), esse tipo de amor inventado, em mim, gera um outro problema – a doença do “como teria sido?”. Vai me dizer que nunca sofreu disso!!! Kkkkkkkkkkk... vai me dizer que nunca cantou com sofreguidão: “Só uma coisa me entristece... o beijo de amor que não roubei... a jura secreta que não fiz... e o brilho no olhar que não sofri...”?

Esse tipo de amor tem suas formas de se manter posto que nada além do desejo primeiro o alimenta, mas nada, além do tempo, também vem contra ele...

E não estou aqui alardeando ou fazendo propaganda de amores inventados!!! Nunca!!!

Amor, pra ser amor, tem que passar pelo ridículo de dois mundos tentando se encontrarem, se adaptarem, se afinizarem... passar pelo ridículo dos tais “dois bicudos” que, ao contrário do que diz o ditado, se beijam sim, com um pouco de criatividade, maleabilidade mútua e muito amor.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

Acho que hoje, e talvez só por hoje, eu concorde com o poeta: adoro um amor inventado!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Morte da subjetividade = Morte da fé

Estou perplexo!!!
Pra não dizer preocupado e aborrecido!!!
Todos os dias me sinto convidado a chorar o falecimento da subjetividade humana... da capacidade sublime e divina de transcender...

Sem a subjetividade temos nos tornado cada vez mais “animalizados”... concentramos todas as nossas forças no suprimento de necessidades básicas de comida, auto-afirmação vazia e prazer...
Imaginar onde isso pode nos levar me assusta!!!

A realidade concreta, embora de seu encanto, é muito resumida e “minimizante”...

Esse excesso de realidade concreta minimiza as realidades subjetivas e reduz á mediocridade a existência humana, por excelência, sublime. E como se já não nos bastasse o empobrecimento das almas, ainda temos que vê-las morrer, ainda tão vivas:
Sem subjetividade não há fé!!!

Como explicar a fé por meios concretos? Como amar e acreditar no que não se vê num meio onde só o que se vê é real? Como acreditar numa vida além e eterna se não conseguimos transcender sequer o que nos toca os sentidos na nossa loucura por “pão e circo”? Convertemo-nos numa legião de Tomés precisando ver para acreditar...

Felizes aqueles que crêem sem ter visto! (São João 20,29)

Palavras soltas? Precisam de fatos concretos também? Então vamos lá!!!

Outro dia, numa conversa informal, um jovem de 27 anos, com passagem por atividades pastorais em tempos anteriores, educado sob ideais cristãos, disse:

Essa história de virgindade de Maria, de anjinho subindo, descendo e dando recado... tenho minha versão pra isso: como nos dias de hoje, Maria ficou grávida de um namoradinho e, para não ser apedrejada, como todo mundo já esperava o messias, disse que viu um anjo... imagina quantas meninas usaram a mesma técnica? Aí José, mais velho, apaixonado, resolveu perdoar e assumir o menino e, para não ficar mal visto, inventou aquela história de recado de um anjo também!!!

Assustados? Não fiquem!!! Não mesmo!!! Escutaremos relatos muitos como esse!!! Por quê?
Simples: Morte da subjetividade!!! E conseqüente morte da fé!!!

Escravos da realidade objetiva, pauta-se tudo pelo viés da cotidianidade... nela meninas ficam grávidas porque saem com seus “namoradinhos”, pessoas mentem para camuflar seus reais interesses... nada de anjos... nada de Deus... nada de nada... ausência de Deus = INFERNO!!!

Escravos da “realidade”, do concreto, do palpável, julgamos tudo pelo viés do cotidiano, e não só, pelo viés da ótica da própria experiência... parece que temos que nos defender a todo tempo, vemos em tudo ameaças, e, quando não, vivemos a procurar culpados para os nossos próprios defeitos na intenção burra de não sermos “ruins” sozinhos, apontado defeitos em tudo e nos outros para tirar os olhares dos nossos próprios... Quanta energia empregada em vão!!! Quanta burrice a nossa!!!

Se ainda tem jeito? Claro que tem!!!
Todo mundo fala em reverter os efeitos do aquecimento global, mas perigo maior é a perda da subjetividade!!! Hedonistas, egoístas, quem vai pensar no outro e na natureza? E se a recuperamos, que humanidade vai dela usufruir? Nisso temos que também pensar!!!

O resgate da nossa subjetividade perdida é um apelo urgente, URGENTÍSSIMO!!!
Só reeducando nosso coração e nosso olhar para a beleza, para o sublime, para o eterno, transcenderemos esse limite minimizante do real, do animal, e voltaremos a amar de fato e, consequentemente, a ver Deus, não como uma loja de souvenir onde vamos buscar milagres, mas como o Deus altíssimo, soberano e misericordioso, tal qual Ele é!
Amém

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um jardim de escolhas


Ontem, domingo de páscoa, ouvi, numa pregação, repetida uma imagem que me chamou muito a atenção: “um jardim”.

O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. (Gênesis 2,15)

No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. (São João 19,41)

Jardim, pra mim, lembra sempre possibilidades... não existe jardim de uma flor só!!! Ou até existe, posto que tratamos aqui de liberdade, de possibilidades... Mas o que mais me encanta mesmo num jardim é a diversidade para escolhas entre as mais diversas flores, árvores, arbustos, frutos...

E não com menos propriedade os escritores sagrados apossaram-se dessa imagem simbólica tão linda e tão rica de significado:

Ainda no livro das origens, lemos que Deus colocou o homem (homem e mulher) num jardim onde havia frutos de Bem e Mal e exortou-os a não buscar frutos maus porque isso os podia afastar da sua presença amorosa e paterna que os visitava ao entardecer... Que, pelo contrário, buscassem frutos que pudessem promover esse encontro e fazê-lo. Diz-se desse jardim ser o paraíso porque a presença de Deus é o paraíso.

Mas por que Deus, ao criar-nos, deixou nesse jardim o mal? Por que nos expôs ao perigo?

A resposta é simples: Deus, ao fazer-nos homens, não nos fez para sermos escravos de sua vontade. Não! Sendo a Trindade anterior a tudo o que entendemos de existência, sendo Deus amor, desejou existirem seres com igual capacidade de amar, criados à sua semelhança, com a mesma capacidade de abstrair e amar. Mas não se ama na imposição, na obrigatoriedade; condição para o amor é liberdade.

Nessa perspectiva, Deus dotou-nos do incrível dom do arbítrio, condição indelével para que haja amor, e colocou-nos num “jardim”, entendido aqui como diversidade de possibilidades, para que pudéssemos, deliberadamente, conscientemente e livremente, escolher os frutos que nos levassem a amá-lo (ou o contrário).

Mas escolhemos o contrário!!! Vivemos escolhendo o contrário... E essa opção livre pelos frutos maus nos afastou de Deus, fez-nos esconder-nos da sua face e viver sob julgo e força do nosso próprio esforço e consciência tão limitados. E perdemos assim o paraíso, entendido como gozo da presença de Deus. E para sublimar nossa falta, nossa saudade de Deus, arrogantes e auto-suficientes, buscamos e criamos outros deuses entre as coisas criadas – esquecemos a origem de todo amor e todo bem...

Tudo acabado então?
Nunca!!! Nunca em se tratando de Deus!!! Ele não desiste dos seus!!! E se tem uma expressão que bem o designa nesse momento seria: “Amor que não se cansa de amar”.

Se nos perdemos nas nossas escolhas, se demos as costas, se escondemos nossa face e partimos a deriva, precisávamos aprender novamente a escolher, a optar pelo amor perene de Deus, precisávamos de um caminho e a Misericórdia Suprema nos deu caminho, verdade e vida em seu filho Jesus. Deu-nos de si, deu-nos o melhor de si, parte de si, amor do seu amor, para resgatar-nos e reconciliar-nos... e mais uma vez escolhemos os contrários...

Jesus veio ensinar-nos dos frutos da justiça, da paz, do amor, veio ensinar-nos dos frutos que levam a Deus e a felicidade eterna, mas todo aquele bem parecia tão nocivo ao mal a que já estávamos acostumados que precisava ser calado a todo custo.

E mais uma vez o amor mostrou do que é capaz... e para não ser incoerente consigo mesmo, e nunca o seria; para mais uma vez nos ensinar a escolher, mostrou ao seu filho o que estava no coração dos homens e o pediu escolher... O amor exige fazer escolhas!!! Mostrou a Jesus sua vontade, que passava pela cruz, e pediu-lhe escolher... Amor, pra ser amor, tem que passar por uma união de vontades; e assim não se perde nunca de sua integridade porque sempre se justifica, posto que, ao escolher livremente a vontade do ser amado, essa passa a ser também minha vontade, e nela sou todo novamente, inteiro...

E assim, de posso de sua total liberdade e escolha entendida e deliberada, “Jesus, sabendo que o pai tinha colocado tudo em suas mãos, e que de Deus tinha saído e para Deus voltava...” (São João 13,3), derramou seu sangue pela nossa redenção.

E, “No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado.” (São João 19,41)

Voltamos aqui ao jardim...
Deus trouxe-nos novamente o Éden e plantou, no meio desse jardim de escolhas, não mais a árvore da vida, mas a própria vida, sua vida.

Ao ressuscitar seu filho, estabeleceu para sempre conosco uma aliança de presença perene e eterna devolvendo-nos o “paraíso”...

O sangue redentor de Cristo, uma vez derramado, foi derramado por todos, em todos os tempos: anteriores, contemporâneos e vindouros; a todas as gerações humanas. Sua ressurreição é certeza de salvação para todos: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.” (São João 12,32)
Assim voltamos ao começo... Jesus restaurou a criação, devolveu-nos o penhor eterno, ensinou-nos do coração misericordioso e amoroso do Pai, ensinou-nos a chamar Deus de Pai... Devolveu-nos o paraíso sendo presença constante em nosso meio através do seu Santo Espírito...

E se voltamos a nossa amorosa origem, nos encontramos novamente com a liberdade que é condição indelével para o amor e, nesse jardim de possibilidades, sendo a nós já garantida a vida, podemos escolhê-la ou não!!!

A decisão é minha!!! A decisão é sua!!!

Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia. (São João 6,44)

Assim como as abelhas são atraídas pelo odor das flores que suprem suas existências com o néctar, semelhantemente, sendo o Pai quem nos atrai ao Filho, à Vida, que o Espírito Santo não cesse de atrair-nos, a nós e a todos os povos, hoje e sempre, para usufruirmos da vida abundante e a escolhermos em Jesus Cristo, vivo em nosso meio.

Amém

sexta-feira, 10 de abril de 2009

LAVA PÉS


“Se eu não lavar os teus pés não terás parte comigo...” Jo 13, 8

Essa frase me doeu nessa quinta santa, sabe?

E o mais maravilhoso é pensar que já a li ou ouvi tantas vezes proclamada, mas como ela se fez nova!!! Como é novo e atualíssimo o Evangelho do Nosso Senhor!!!

A questão é que essa frase me doeu...

Doeu porque eu nunca havia atentado de fato pra ela... E acabamos fazendo isso muito, não é? Ouvindo sem ouvir...

Em todas as vezes que tive contato com esse evangelho me encantei com a imagem maravilhosa do serviço, da humildade, da simplicidade... A exortação do mestre nos impele a termos uma mesma postura: “...se eu que sou o mestre vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” (Jo 13-14). E, numa hora ou noutra, acabamos por pensar que é difícil essa postura, que é difícil curvar-se, que é vergonhoso para nossos egos tão excelentes prostrar-nos e ocupar-nos dos pés, do pouco do outro. E estamos certos, é difícl mesmo!!!

Mas essa palavra me doeu, mas não foi por isso; é que, de repente, dei-me conta que não é só esse o grande ensinamento nessa atitude de Jesus – servir – semelhantemente ele nos exorta a também deixar ser servidos: “Se eu não lavar os teus pés não terás parte comigo...”.

Mas ser servido é muito fácil!!! Podemos pensar...

E é se pensarmos rasamente!!! Mas aqui, tomando por base o “lavar os pés”, o “ocupar-se do pó”, não é tão fácil assim...
Quem serve o faz como prestação gratuita de serviço, e nisso já sente-se recompensado e livre, mas quem é servido, por outro lado, tem para com quem o serve uma dívida afetiva, e somos por demais soberbos para ter que dever algo a alguém... E mais:

Ofensa ao ego semelhante ao de curvar-se e cuidar é se deixar ser cuidado, ser amado... Admitir que o pó existe, que há sujeira, e deixar-se ser tocado nela, deixar-se tocar no simples, no “bobo”, nas essências, se faz hoje uma tarefa muito árdua e vergonhosa...

É justamente quando nos tocamos em nossas essenciais, em nosso pó, em nossas necessidades, que passamos a “ter parte” uns com os outros e, consequentemente, com Cristo...

É justamente quando temos que admitir que não somos heróis, que temos necessidades, que precisamos dos outros, que também carecemos ser amados que o ego hoje mais sofre, até mais do que quando precisamos ser quem serve...

Fazendo intertexto com Saint Exupéry, se é o tempo que gastamos uns com os outros que nos faz mutuamente especiais, se é essa a condição para “termos parte” uns com os outros:


SIRVAM-ME AMIGOS E PERMITAM-ME SERVI-LOS!!! POR FAVOR!!!
FAÇAMO-NOS ESPECIAIS POR OCUPARMO-NOS UNS DOS OUTROS, POR GANHARMOS TEMPO JUNTOS... PERMITAMO-NOS OLHAR NOS OLHOS SEM ESSAS MÁSCARAS DE PERFEIÇÃO QUE NOS IMPÕEM NOSSOS EGOS E PERMITAMO-NOS VER EM NOSSA REAL BELEZA!!!
SIRVAM-ME AMIGOS E PERMITAM-ME SERVI-LOS PARA QUE POSSAMOS APRENDER QUE O SERVIÇO MÚTUO, O DE QUEM SERVE E O DE QUEM SE DEIXA SERVIR, NÃO NOS FAZ SERVOS, MAS AMIGOS... (Jo 15,14-15)

Por essa compreensão, hoje foi essa a minha oração:

Aplacai-me, Senhor, a soberba, e ensina-me a ser servido; ensina-me a me deixar ser tocado em minhas essências e a reconhecer-me um ser que necessita, que precisa, de Ti e das pessoas, de todos, em todo lugar... e, por fim, sendo servido, ajuda-me a ser grato... servindo, a ter parte no que cuido... ensina-me a amar e a deixar-me ser amado...
Amém

MINHA SALA DE MÚSICA

Eu tenho uma sala de música!!!
Quem me deu foi meu amigo... eu disse amigo? Perdão!!! Meu super-ultra-puxa-mega-fenomenal amigo Allan Neguinho a quem, nessa postagem, carinhosamente, chamarei: PEPÉ. Rs rs rs rs rs rs...

O fato é que meu amigo Pepé me deu uma sala de música na casa dele... Mas ele ainda não tem a casa dele... kkkkkkk... Mas eu já tenho minha sala de música!!!

Por quê? Simples: Pepé é minha sala de música!!!


Juntos, ele me concede um lugar dentro onde posso cantar o que sou: afinado, desafinado com as necessidades e exigências à minha volta... emitindo os tons menores da minha tristeza, de posse da minha pequenez e mediocridade ou os tons maiores da minha excelência e alegria... até quando de acordes dissonantes, disparatados, ali tenho o meu lugar... lugar para harmonia e barulho, mas também lugar para os silêncios, para quando cantamos, no silêncio, nosso nada (tudo) existencial...

Obrigado, Pepé, pela minha sala de música!!! Quero ainda uma física como prometeu!!! Kkkkkkkk... Uma que simbolize, ou ao menos tente porque não será capaz de traduzir nunca, a sala de música tão nossa...

Alguns amigos são mesmo como música... alguns pop ou samba para momentos festivos... outros baladões românticos para partilhas sentimentais... outros soul para cantar a exuberância e liberdade da alma... outros moda sertaneja, quando cantamos nosso ridículo e nossas raízes... Mas você, Pepé, não é nenhum desses...

VOCÊ É MINHA JUKEBOX!!! KKKKKKKKKKKK... TE ADORO!!!

sábado, 4 de abril de 2009

É a beleza que evoca beleza...


Postei essa imagem no orkut, com Sofia (minha sobrinha mais nova), ao que meu coleguinha “Fábio Cobra” comentou simples e objetivamente: “Ficou bem!”

É estranho, ao conhecer o coração do meu coleguinha, saber que essas duas palavras digam mais do que querem dizer assim como essa imagem diz mais do que nela está gravado...
Ao meu irmão eu quis responder (e o faço agora por aqui):

O Amor nos deixa sempre bem, meu irmão, tu bem sabes...
É a beleza que evoca beleza...

Tem o amor meio que essa lente brilhante que nos faz olhar com olhos de beleza... que ilumina o que aparentemente escuro revelando-o em seus mais sutis detalhes...

E não é o amor somente uma lente que melhora e embeleza o visto, mas também um ímã, uma força invisível e altamente poderosa que atrai os olhares para o que toca como uma linda vitrine que mostra o que pode matar a fome de beleza e amor em nosso olhos...

Somos obra de um Deus artista extremamente detalhista que cuidou e cuida de tudo, de cada detalhe, de cada nuance, e esconde na simplicidade de sua obra regalos inimagináveis pelos olhos da “graditude”... E, mais surpreendente do que se possa Dele imaginar, esconde, esconde-se e deixa achar... Deixa mapa e recado: "ao meu reino só tem 'acesso' quem tiver olhos e coração desses pequeninos"... (Mt 19,14)

Olhos de encantamento...
Coração de encantamento...
Lembra?
A primeira vez que viu o mar... Dias de chuva... Festa de aniversário... aquela saudade apertada ao se despedir dos primos depois das férias... Casa da vó... Amanhecer no campo... primeiro beijo... contar histórias...
Esquece não!!! Por favor!!!

Só um coração assim, infante, encantador e encantado, é capaz de amar, ver e escutar a Deus, porque aprendeu a encontrá-lo onde O apraz ser encontrado... Só um coração encantado é capaz de encontrar, reconhecer, amar, adorar e CONTEMPLAR a Deus...

E na contemplação o mais sublime estágio de amor – nela já não se precisa mais procurar o que é achado; é tão presente, no coração e na mente, o Amor amado que passam a ser dele cada suspiro, cada pensamento; a Ele se encontra em tudo, e Nele, por Ele, se ama tudo...

Sinto não conseguir dizer mais nada... também as palavras, quando muitas, tornam-se poucas e ineficazes para se falar de coisas mais eloquentes quando no silêncio...

Para concluir, transcrevo uma canção que não consigo ouvir ainda sem me emocionar:

Mestre

Mestre, que devo eu fazer pra ser completamente feliz? Dize-me e o farei!!!
Só pode ser feliz quem tem o coração liberto...
Vai e vende tuas falsas seguranças!!!
E toma tua cruz e segue-me...

Mestre, que devo eu fazer pra ser completamente feliz? Dize-me e o farei!!!
Só pode ser feliz quem tem o coração liberto...
Vai e vende as tuas más paixões!!!
E toma tua cruz e segue-me...

Mestre, que devo eu fazer pra ser completamente feliz? Dize-me e o farei!!!
Só pode ser feliz quem tem o coração liberto...
Vai e vende os teus preconceitos!!!
E toma tua cruz e segue-me...

Eu não tenho nada a te oferecer... Somente minha pobreza...
Raposas têm tocas e pássaros ninhos...
Mas eu não tenho se quer onde repousar minha cabeça
Une a minha tua pobreza!!!

E enriqueçamos o mundo de amor e beleza...
Une a minha tua pobreza!!!

E devolvamos ao homem sua grandeza...
Une a minha tua pobreza!!!


Conf. (Mt 8,20 / 16,24 / 19, 16-21)

Que a dureza dos nossos dias não nos cegue os olhos para a beleza, que não nos feche o coração para o amor, que não nos seque a fonte da esperança nem da inspiração e nunca, jamais, por nada, nos impeça de dizer sim quando o AMOR chamar...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DEIXAR PARTIR...

Esses dias dei por pensar num assunto extremamente doloroso: deixar partir...

E dele não podemos fugir porque, de uma forma ou de outra, estamos sempre tendo que deixar partir algo ou alguém... Mas qual a razão de ser tão sofrido todo ato de deixar partir, mesmo quando dor parece não se sentir?

É que vivemos nos atando, nos infundindo, nos misturando em tudo e com tudo que nosso coração toca... e também, por que não dizer nos transformando, nos fundindo? Ao se tocarem as tintas em verde e vermelho resulta o azul – nova cor, novo tom, nova matiz...

Ao se encontrarem vermelho e verde formando o azul, pode-se dizer, da parte misturada, fundida, que azul em vermelho e verde possa se desfazer? Claro que não!!!

Mas, e na hora das despedidas, na hora de “partir”, no momento em que se faz necessário dividir os bens conquistados no encontro e “partir”, ficará o vermelho com parte do azul e também o verde com parte dele...

E por que dói tanto deixar partir???

Porque na parte azul que fica com o vermelho está misturado um pouco do verde (lembra?), o que implica dizer que parte do verde teve que ser dele amputado; semelhante ao verde, que tendo o azul consigo, na partida, parte do vermelho amputou e trouxe...

Daí toda a dor de deixar partir... Não queremos perder!!! Somos extremamente apegados a nós mesmos e, na hora da partida, da partilha, desejaríamos não ter que perder nenhuma parte de nós, o que já inclui a parte misturada...

Eita (Geo vai me “passar um gato”, por tantas metáforas e pouca objetividade... kkkkkkk... Desculpe, coleguinha)...

Vou tentar, em honra do frei, ser mais objetivo e concreto!!!

Falemos então das partidas que não podemos evitar... de quando temos que deixar partir sem escolher... apenas nos acostumar...

E nenhuma partida é tão exigente quanto a definitiva, a da morte!!!
De minha parte recordei que não tive como me preparar de antemão... Ao tocar-me a morte (porque morri um pouco também) me vi diante de deixar partir três das pessoas que mais amei nesse mundo: Meu avô “Manon”, minha gatinha “mãe Julia” e o meu irmão mais velho “Leto”. Desse “deixar partir” a coisa mais exigente pra mim foi ter que amar até o fim; amar até quando não fosse mais possível amar; amar a quem, por sentidos comuns, já nem podia mais saber-se amado... Foi muito exigente amar até o fim cuidando de idas que me eram tão dolor(idas): cuidar, banhar, vestir, escolher caixão como se fossem porta jóias para algumas das jóias mais preciosas que o Dono do tesouro me deu e pediu de volta...
Nada é mais exigente que amar até o fim!!! Amar até quando não dá mais pra amar, mas precisa amor haver para que haja justificativa, razão de ser, para o que se faz... E se todos os que partem deixam algo de si levando algo de nós, de alguma forma já estou um pouco no céu e são um pouco vivos em mim os que amo...

Mas além desse deixar partir ao extremo exigente, existem outros ainda que se dão, alguns já dando sinais e outros aos quais nos negamos a ver e só nos damos conta quando a partida já foi feita e a parte faltante há muito sangra...

Dei-me conta, a partir de mim mesmo, que se processava em mim meio que uma prisão ao passado, uma fixação em tempos e pessoas que já não são, que outros são... Que fiz de algumas pessoas, num momento passado, uma imagem sobre a qual fundei amizade, afeto, mas que essa imagem não progrediu, não se atualizou. Por causa dela os ditos amigos, sendo ainda os mesmos, pareciam outros. Algo como você ver uma criança e reencontrá-la mais tarde em mocidade e dizer: “É fulano? Não pode ser... É nada!!!”... Só depois de passado o momento da estranheza é que se diz: “De fato, é ele mesmo, tem ainda os mesmos olhos...”.

Mas e eu aceitei assim, fácil? Kkkkkkkkk... mas de jeito nenhum!!! Chorei!!! Reclamei!!! E, enquanto pude, neguei-me a aceitar... Mas quem pode parar um rio correndo?

Tive que me adaptar e deixar partir o que, há muito, havia ido... Tive que, achando menos belo o agora que o ontem, fazer o exercício de busca da beleza no que restou... Tive que, ao saber ido o que partir só agora me dei conta de deixar, aceitar que algumas coisas que um dia foram muito agora são cordialidades diplomáticas – necessária adaptação - e doem ...

E ainda hoje disse a Manezinho desse PROCESSO posto que ainda estou aprendendo a atualizar algumas imagens e sofrendo, como nos jogos de palavras de pe. Airton, as “partes(idas)”.

Kkkkkkkkkkkk... Sei que ninguém lerá essa postagem até aqui porque todos reclamam de textos longos... mas ainda tenho algo por dizer aos que, perseverantes, mantêm-se seguindo essa simples linha de pensamento...

Falamos, até aqui, de partidas que não escolhemos... De partidas com as quais tivemos que a algumas aceitar, outras nos adaptar... cada uma com sua dor e seu aprendizado... Mas há ainda as partidas escolhidas; aquelas que se fazem necessárias. Essas, sendo das mais constantes, merecem nosso cuidado posto que, na maioria das vezes, botam em desacordo razão e coração.
Pois bem, por um exercício de escolha (e por toda ela um preço há de se pagar), ás vezes vemo-nos diante de laços que embora ao coração não se admita perder, deixar partir, a razão sabe da necessidade de alforriar...
Essa é, do deixar ir, das escolhas as mais confusas porque desarrumam a casa, botam em desacordo a harmonia do matrimônio entre a razão e o coração que, embora se digladiem a priori, só com o tempo, juntos, verão e concordarão da importância de algumas partidas... e ao fazer as pazes, ao tentar arrumar a casa, encontraram sempre formas mais excelentes de organização, ficando o lugar interno (na maioria das vezes) melhor e maior do que antes do desarrumado...

Imagem que nos vale como exemplo, e que muitíssimo me agrada, sendo essa a estação que hoje vivemos, é a do outono... quando, para se ganhar, é preciso algo perder... Contra seu apego e necessidade, as árvores “deixam ir suas folhas” que, ao cair, secam e fecundam o solo cumprindo sua função, e a matriz, por sua vez, florirá em outras folhas e flores...

Como para Manezinho repito o estribilho que citei ao falar do ter que deixar partir:
“Eu daria tudo pra não te perder assim... Mas o dia vem e deixo você ir...”

Deveríamos, em toda partida, olhar para o Cristo eucaristia, que se parte e deixa ir de si sempre, e em cada parte é todo e tudo, sem nunca perder de si, sem nunca diminuir, sem nunca deixar de amar...


P.S. Ah! Aos que conseguiram ler até o fim, obrigado por justificar a razão minha de escrever... que de algum aprendizado pra nós tenha sido... beijo!!!

domingo, 29 de março de 2009

"QUE HISTÓRIA É ESSA?"

Quando ainda professor me encantei com um livro que contava histórias mundialmente conhecidas sob a visão de personagens secundários; e perguntava no fim: "Que história é essa?"

Escrevi esse pequeno ensaio para um amigo, mas não respondeu... decidi postá-lo aqui para que não se perca em sua finalidade...

E pergunto:

-"QUE HISTÓRIA É ESSA?"


Ele vem vindo, o que faço?
Quero tanto sentir a textura de suas pétalas...
Mas ele não as tem; tem mãos!
Como posso amar alguém assim tão diferente, com mãos em vez de pétalas?
E se me tocar vai ferir-se... não quero que se fira!
A quem quero enganar? Se me toca me firo eu... me firo no controle que ainda tenho... posso desejar ainda mais aquele toque e sofrer quando não o puder ter...
Não posso deixar que me toque!
Ele vem chegando... tenho que pensar rápido... quero ele por perto... mas não posso deixar que se aproxime muito... esse risco não posso correr... o que faço?
Ahhhhhh... tarde demais... ou melhor:

- "Tenho frio!!! Consiga-me uma redoma de vidro!!!"

É estranho constatar que, às vezes, essa é também nossa história, não acha?

sábado, 28 de março de 2009

Grandes Olhos


Não sou muito de me olhar no espelho... Não que não goste da minha imagem! Mas é que fiz de mim uma imagem interna que não carece de se reconhecer fora... Das poucas vezes que me vejo no espelho é em ocasião da higiene diária, mas é essa uma visão muito geral e utilitária...

Mas desde ontem algo em mim tem chamado a atenção de mim mesmo nas poucas vezes que preciso me ver no espelho: “os meus grandes olhos...”

E não são os mesmos de sempre? Kkkkkk... Sim são!!! Exatamente os mesmos... e qual a razão de sua saliência visual?

Vivo um breve momento de angústia... daqueles em que a razão se perturba com a simplicidade e cotidianidade e fica procurando brechas... como uma grande represa segura e sólida onde a água, desejosa por movimento, procura pequenas fissuras que justifiquem escorrer em lágrimas... Ou uma ferida que volta a inflamar e lateja; não dói de fato, mas age de forma a que sempre, e em todo segundo, se saiba que está ali...

Esse breve de angústia e desejo da dor (para minh’alma necessário e freqüente em períodos de quaresma) meio que tende a fixar a alma em aspectos negativos e obscuros... algo como buscar o escuro para voltar a gozar do prazer da luz...

Nesse breve, fixo no frágil e feio, ao ter que me ver no espelho, meus olhos se prendem aos meus olhos e não o compreendem... parecem meio que em descompasso com o resto: onde tudo parece obscuro, eles têm brilho; onde tudo parece momentaneamente triste, eles riem... E para a razão inflamada e burra, por só saber das suas próprias e rasas razões, pareciam outros, pareciam de outra pessoa... por isso me confundiram a priori e depois me ensinaram...

Pelos meus grandes olhos apreendi da paz e da segurança, e da origem delas... enquanto tudo na razão perecível é confusão, sabendo ser ela parte tão ínfima do todo que não podemos com ela tocar, todo o resto é calmaria... enquanto tudo em volta no tocante aos sentidos perecíveis é grito, dentro há música e silêncio... Tudo isso justificado pela Pedra sobre a qual está fundada essa pequena choupana que sou eu... Toda a estranha alegria firmada no Tesouro mirado por meu coração...

Depois que descoberto isso, a razão burra se oprime, mas não deixo que se oprima a dor; deixo que doa, agora sem mais alimentá-la; que doa a dor até que se canse e cesse... também ela é-me tão necessária, como tudo o que é humano parece tão necessário a mim...

E por fim, como tudo que se processa em mim, tive um misto de gozo e medo...
Percebi que quem apreender a olhar e ler meus olhos poderá ler-me inteiro e ter acesso ao meu tesourinho de simplicidades e essências...
Rejubilei-me por imaginar que ele possa ser contemplado por outros olhos além dos meus e não se perca no egoísmo do meu eu... e amedrontei-me no temor envergonhado de quem se despe, sabendo que quem a eles souber decifrar poderá ver sutilezas e asperezas, claros e escuros que nem sempre sei mostrar...

Quem aprender a ler os meus grandes olhos terá tido acesso a tudo o que sou além do que os olhos podem ver...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Avareza Sentimental


Deus me deu um estranho gosto pelas pessoas... Ainda não consegui entender Sua intenção nisso... só sei que adoro observá-las: suas histórias, seus sonhos, seus porquês, seus sins e seus nãos...

Por causa dessa característica, dei por observar como o meio e a cotidianidade influenciam e alteram dimensões aparentemente inatingíveis...

Recapitulemos puxando apenas a ponta do novelo para que você mesmo teça a coberta:

- Vivemos num regime econômico capitalista onde vale quem tem;
- Quem tem cuida em ter mais e guardar a todo custo o que acumulou; e quem não tem vive em função do ter;
- Nessa busca incessante pelo ter não se pode perder tempo, porque “tempo é dinheiro”;

Pronto!!! Só um breve para que você possa usar sua criatividade e senso de observação e analisar todo o resto...

Nesse meio não é difícil imaginar o quanto a AVAREZA tem crescido, florescido e frutificado!!! Em termos objetivos!!! Mas não só nesses... também em âmbito subjetivo a avareza tem crescido!!!

Use novamente seu senso de observação...

Como andam as relações? Em tempos de números e de pouco tempo a gastar as relações se tornaram instantâneas e impessoais... sexo uma só noite e no outro dia não se sabe nem o nome... quanto mais relações tiver mais fama ganha... e sem o compromisso de ligar no outro dia... sem ter de levar ao cinema... sem ter de segurar a barra nalguma dificuldade... afinal, não se pode perder o tempo preciso de lucrar, não é mesmo?

Mas e a necessidade humana de se sentir amparado? E o “ter com quem contar”, como fica? Que lugar tem tido as nossas carências?

Eu nunca ouvi falar de uma geração tão solitária como a nossa...

E parece equivocada a minha exclamação posto que nunca se avultou tanto o número de relações e liberalidade; por que tanta solidão?

A resposta para isso chama-se “AVAREZA SENTIMENTAL”!!!

Todos nós temos o nosso aprendizado afetivo, uma relação de significação e valores para os afetos que vamos construindo desde o nascimento e por toda a vida; a esse acumulo afetivo vamos chamar “reserva sentimental”.

Em tempos de acúmulo como o nosso, ficando as relações de “afetos verdadeiros” tão raras, passamos a cuidar com maior vigor da nossa reserva, não deixamos ninguém se aproximar dela e muito menos dela partilhamos com os outros (finalidade própria do afeto). Passamos então a cultivar um jardim de relações superficiais e extremamente econômicas onde quanto menos carinho e afeto tivermos que investir melhor; mas uma coisa é unânime: TODOS QUEREM RECEBER!!!

Mas se todos querem receber, onde ninguém quer partilhar, aonde chegaremos?

Entramos ai no campo das fragilidades que temos conhecido tão bem... o pouco partilhado parece perdido e não retorna com juros e correções aumenta em, no mínimo, três vezes (como a idéia de lucro sugere)... as relações perdem sua gratuidade e o carinho torna-se moeda de câmbio... e num mercado tão instável como é o das emoções humanas, quem vai arriscar a pouca crença que ainda se tem no amor? A notícia que corre é que quem arriscou perdeu!!!

E assim vamos nos tornando cada vez mais individualistas e vazios... melindrados pelos nossos medos... avarentos em nossos sentimentos...

São agora poucos os “bom dia”, “que bom que você ligou”, “tava morrendo de saudades”, “esperei por você ansiosamente”... em tempos de crise é preciso economizar!!!

E nisso a total burrice!!! Inverso ao mercado financeiro, nas bolsas de valores afetivos, o afeto, como moeda, rende quanto mais gastarmos!!! O carinho é como que uma rede que, disparado o primeiro, vai se propagando, gerando outros, e outros... rs rs rs rs...

De minha parte, que adoro dizer do bem que sinto (mas só quando de fato sinto), vivo escutando: “Eita! Tu mais parece um gato que vez ou outra vem e se esfrega nas pernas do dono pedindo um carinho...” kkkkkkkkkkkkk... Adorei a comparação porque adoro gatos justamente por causa disso... kkkkkkkkkkkk...

E quando eu as beijo as pessoas se confundem, tolas, avarentas sentimentais, pensam que recebem apenas de mim carinho... Mas como na lei física que, batendo um carro num muro, mesmo estando o carro em movimento e o muro estático e em repouso, o muro bate no carro com a mesma velocidade que o carro bate no muro; da mesma forma, o beijo que lhes ofereço é uma ação da boca de receber um carinho da pele...

Quem me conhece sabe do quão pouco tenho, mas invisto sempre tudo, arrisco sempre tudo, ganho e perco, são coisas do “mercado”, mas o lucro está mesmo no ainda acreditar ...

E aí vai um aviso:

QUEM SE ENQUADRAR NESSA IMAGEM DE AVAREZA SENTIMENTAL AFASTE-SE DE MIM!!! EM SE TRATANDO DE CARINHO, AMIZADE, RESPEITO, BONS RISOS, TAMBÉM SILÊNCIOS, NUNCA ME CONFORMO COM POUCO... POR ISSO, SE NÃO RECEBO: ROUBO!!! E DE CARINHO SOU DOS LADRÕES PIORES, NÃO ARROMBO NEM INVADO – VOU TE CONVENCER A ME ENTREGAR AS CHAVES, ME CONDUZIR ATÉ O COFRE E, COMO PARA LUCRAR É PRECISO PARTILHAR, DEIXAREI CONTIGO UM POUCO DO QUE GUARDEI ... E QUANDO VOCÊ PENSAR QUE LUCROU E QUE PERDI, FOI AÍ ONDE MAIS GANHEI!!!

Não deixemos para calcular o quanto nossa avareza no fez perder apenas no entardecer da vida, quando a “angústia de o amor não ter bem vivido” ocupará o lugar do “saudosismo e gozo do muito ter amado”.

OBS: Confira o clipe ao lado “falsa moral” do OBK...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Destruamos o céu para conquistá-lo

Acabei de achar na minha pasta do orkut uma mensagem de 21 de março de 2007... Achei bem interessante e resolvi voltar a postá-la aqui:

A quaresma sempre foi para mim momento de reflexões, e essa prática quando constante, traz a mente elementos nunca antes imaginados...

Em meio a tais reflexões, vejo surgir a polêmica sobre o documentário de James Cameron que diz ter encontrado o túmulo da sagrada família, informação que se cruzou com algumas pregações doutrinárias que ouvi durante toda a minha vida onde era dito que “se Cristo não tivesse ressuscitado, não haveria motivos para fé...” tudo isso girando e se misturando na minha mente como num liquidificador... e o resultado: indignação.

Percebi, nesse mix de idéias, que nós, cristãos, ao longo da história e prática da nossa fé, cometemos um erro terrível: Capitalizamos nossa crença e a transformamos num passaporte para o céu. Transformamos assim atitudes de caridade e serviço em moedas de troca pelo reino do céu (sempre distante e póstumo). Utilizamo-nos dessa idéia de vida eterna para nos ausentarmos do compromisso de realizar a vida em sua plenitude ainda aqui nessa terra.

Atribuindo ao momento presente status de dor em oposição a uma Jerusalém celeste de glórias eternas, colocando assim, em nossa mediocridade, a máscara da humildade e atribuindo a esse feito status de virtude.

Fiquei a me perguntar se, sendo afirmada a veracidade da pesquisa, as pessoas ainda seriam fieis em sua fé, se ainda seriam solidárias sem o céu por objetivo.
Numa atitude muito pequena e insana, tentando atribuir ao Cristo/Deus pensamentos e sentimentos humanos, me pus a pensar no quanto deva ser decepcionante para Ele constatar que, mesmo dando ao seu povo instruções para solidariedade e fraternidade, mesmo expulsando dos seus corações os demônios da cobiça e vingança, mesmo curando as suas enfermidades de medo e solidão, mesmo carregando heroicamente o madeiro símbolo dos seus pecados... tudo isso se faz nada se não lhes dá o céu que desejam.

Imaginei sua decepção em perceber que líderes como Gandi, Martin Luther King, Aristóteles e outros, conseguiram seguidores e fieis defensores do seu modo de pensar e viver, e que dele (segundo pregações incontáveis das quais a pouco lhes falei), sendo inválida a promessa do céu, nada restaria.

Cheguei então ao uma conclusão que viria a retirar dos nossos olhos essa trave – ridícula atitude de câmbio:

“Destruamos o céu”

Se retirarmos das nossas mentes esse desejo insano por uma gloriosa vida eterna, trataremos de construir o céu aqui, ainda por sob essa terra, ainda com corpos aquecidos pelo sol que se ergue imponente todos os dias para bons e maus, e mentes e corações iluminados por sol ainda mais intenso e brilhante que é o nosso Deus.

Se destruirmos o desejo por uma vida eterna sem dor, pararemos de mitigar dignidade e a construiremos com os braços fortes da solidariedade e caridade. Sem a consolação eterna teremos apenas o curto período dessa vida para construirmos e usufruirmos desse céu tão desejado de igualdade para todos. Buscaremos Deus dentro, na busca do auto-conhecimento e revitalização da nossa essência onde Deus habita, e o encontraremos também fora, na prática caritativa dos ensinamentos do seu filho amado.

Já não nos conformaremos com a dor, e não só exigiremos (típica atitude de apontar e colocar a culpa nos outros), mas construiremos justiça e dignidade para nós e para todos, pois a felicidade é desejo latente, e urgente para quem só tem esse efêmero momento para alcançá-la.

Sinto em meu próprio peito – corruptível, ganancioso, insensato e medíocre como o de qualquer pessoa que existe, existiu ou existirá – que amaria e serviria a Jesus, sem nenhuma recompensa que não o próprio bem de ver melhorados os meus dias por uma práxis sob luz dos seus ensinamentos. Se isso a mim, exageradamente igual em tudo a todos, é possível, também se fará a qualquer um, especialmente aos frutos que virão a brotar de árvores já libertas dessa fé capitalista.

Não quero, contudo, afirmar ou encorajar descrença no céu. Confio e sei de sua existência mais do que confio na minha própria existência. Apenas não suporto, como cristão, ver desvirtuado o ensinamento de Cristo Jesus. Não tolero ver seu maior dom entre nós semeado, a caridade, usada de maneira egoísta em troca de um bem individual (salvação e consolo).Como queria ver o avanço do conhecimento e filosofia aplicados a reflexão desses mandamentos tão exageradamente complexos por sua simplicidade:

“Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força. E ama ao teu próximo como a ti mesmo”.

Se ao amor do nosso Deus aplicássemos nossas faculdades de conhecimento, vivêssemos em plenitude nossos sentimentos e aplicássemos as nossas forças ao melhoramento da nossa realidade. Se para o nosso próximo buscássemos a promoção da dignidade e desenvolvimento de todas as nossas potencialidades que para nós desejamos, mudaríamos a face da terra; conheceríamos o reino de Deus tão cobiçado...

E o céu?

Continuaria onde sempre esteve, só que não mais em oposição a uma vida de desventuras e dor, mas como continuidade, eternização de um bem ainda nessa vida construído.
Destruindo o céu na busca da vivência de um amor desinteressado a Deus e aos irmãos, ganharíamos o céu por excelência; teríamos, no livro dos dias, escritas com letras de luz, impressões de virtudes reais (não meras conveniências como somos obrigados a ver), que nos fariam merecedores irrefutáveis de gozar da glória do Nosso Senhor.Por essas e tantas outras razões que essa leitura desperte em sua alma:

Destruamos o céu para conquistá-lo!!!

A vós, graça e paz da parte do Senhor nosso Deus.

Quaresma Verão de 2007
Rennan de Barros

terça-feira, 10 de março de 2009

Às vezes eu gostaria de ser transparente...


Às vezes eu gostaria de ser transparente... Um anjo transparente a voar, sorrir, e fazer cócegas no nariz das pessoas com as penas das minhas asas só pra vê-las sorrir...

De fato, parte do meu desejo já se concretiza... Acho que sou mesmo metade transparente... ao menos nas minhas necessidades... Ninguém parece ver que, igual a todo mundo, eu também preciso de ajuda, cuidado, de auxílio... Não consigo entender que figura é essa que vêem em mim, tão supra, tão indestrutível e intocável...

Por outro lado, é justamente na minha imagem visível que gostaria de ser invisível...

Não reconhecem minhas fragilidades, e sob a imagem que insistem em criar erguem suas carapaças de inseguranças...

Isso é como que uma lança encravada no meu peito por dois motivos:

1. Detesto pessoas medíocres... pessoas fragilizadas por uma imagem inferiorizada de si mesmas... detesto ver pessoas lindas esconder-se sob uma máscara de feiúra que se auto impõem... Daí, não tenho palavras para dizer o quanto me tortura figurar como motivo pra isso... Como a exuberância de Deus na minh’alma serve de parâmetro para esse inferiorizar-se dos que me rodeiam e eu amo...

2. Embora adore as luzes e sombras, adoro a clareza nas relações... o ostracismo conseqüente de inferiorizar-se limita as relações... se ao menos depois do fechamento prolongado se abrissem mostrando uma linda pérola!!! Odeio que construam muros nos caminhos que me unem as pessoas, porque cortei os cabos dos freios da minha bicicletinha da amizade e acabo sempre me espatifando neles...

E a culpa é sempre minha!!!
De minha parte é a soberba e a pouca amizade...
É minha a culpa das suas inseguranças...
Sou culpado por ser feliz...

Por isso quereria ser invisível às vezes, porque não posso deixar de ser feliz e nem anular a ação Daquele que é em minha a força e a própria felicidade... Não sei como deixar de ser quem sou; e nem quero; e nem posso...


Mas um dia ainda serei um anjo... um anjo arteiro escondido nas sombras... para então, invisível, não mais ferir nem induzir as pessoas a insegurança... apenas arrancar-lhes um riso ao fazer cócegas nos pés e no nariz com as pontas das minhas asas...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Abrindo portas e escancarando janelas...

Tenho passado, nesses tempos de quaresma, por uma experiência muito agradável... eu disse agradável? Menti... desculpa... A palavra mais adequada é “agradabilíssima”!!! rs rs rs rs...
Há quem reclame dizendo que não sou nada objetivo... Mas não sei falar das coisas que sinto de forma objetiva... E também não sou objetivo, oras!!! Escrevo como penso e sinto...


Então vamos lá!!!

Vocês já passaram pela experiência de esperar alguém em casa??? Aquela ansiedade maravilhosa??? Rs rs rs rs...

Eu tinha alguém pra receber...
Mas tinha um problema: vinha passando mais tempo fora que em casa...

Muita coisa por arrumar... tudo espalhado e organizado totalmente ao meu jeito de forma a ter tudo ao meu alcance... teias de aranhas e um cheiro de mofo por passar muito tempo fechado...

Fui arrumando tudo... organizando tudo... cuidando de cada detalhe para que minha visita se sentisse bem ao chegar...

Eu detesto esperar quem se atrasa!!! Mas adoro essa coisa da espera amorosa de algo ou alguém que se anuncia... Faz-me lembrar sempre a vigília em espera do Esposo amado das almas amantes...

Arrumei tudinho... Empurrei um pozinho pra baixo do tapete também... rs rs rs rs rs rs... comprei uns cravos para os vasos e para perfumar os comodos interiores... abri portas e janelas para deixar entrar luz, claridade, novos ares...

Fiz bolo e café fresquinho, porque pra mim essa é a melhor forma de receber quem gosto... (os meus mais próximos sabem disso)... Tomei um banho demorado... Botei minha roupa preferida... Botei pra tocar a música que marcou aqueles momentos de espera... e sentei na sala, a meia luz, sentindo aquela brisa fria de noite recém chegada... e pus-me a esperar terno e alegremente nos últimos minutos que ainda restavam...

A campainha tocou!!! O coração acelerou... Muito tempo sem receber visitas; nem sabia mais fazer isso... Não conseguia conter o sorriso (mesmo não querendo ser presunçoso)...

“Que bom que você veio!!!”
“Desculpe-me! Só passei pra dizer que não poderei ficar...”

Ta parecendo história sem final feliz, não ta? Pareceu pra mim também... Mas por pouquíssimo tempo...

Voltei entristecido e fui comer o bolo e tomar meu café sozinho, como já estou acostumado, porque não tem desgosto que me tire o gosto do meu cafezinho... kkkkkkkk...

Lembra que falei que passei muito tempo fora, de portas e janelas fechadas? Pois é!!! Mal botei o café na xícara, meus queridos amigos, vizinhos, sentindo o cheirinho do café e bolo que escaparam pelas janelas agora escancaradas, foram chegando... e a casa se iluminando... e a quantidade de xícaras na mesa aumentando (bem mais que as poucas duas para qual tinha sido preparada)... além da música os risos passaram a encher a casa... e como que numa mensagem subliminar e instantânea, emanação própria do amor, parece que se espalhou por todo o universo a minha alegria e a notícia de que estava de volta à casa... e como agora sabem onde me achar, muitos outros vieram e tem vindo... cartas foram chegando... amigos de muito tempo sem notícias se comunicando... e os meus grandes olhos brilhando...

Não mais fechei as janelas, porque os tesouros que aqui guardo não podem ser roubados...

Toda tarde tomo meu café na minha cadeira de balanço sentindo uma brisa fofoqueira que já anuncia o outono e a aproximação de uma visita "de casa" e sempre ilustre que não passa um só outono sem visitar a minhalma para minha total alegria e completude...

Ainda acha que essa é uma história sem final feliz??? Kkkkkkkkkk...

Nem com todo meu exercício de criatividade imaginaria, ao arrumar a casa para receber uma visita, um final tão feliz...


Se quiser tomar um café com bolinho, pode chegar!!! Estou de volta à “casa” e não pretendo fechar as portas... pelo menos não agora...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Quarta de Cinzas

Ontem foi quarta-feira de cinzas... Não tenho lembranças de ter faltado a uma celebração de cinzas antes na minha vida... Mas ontem faltei, por uma série de motivos...

Ai senti falta desse momento simbólico para mim tão expressivo nesse início de quaresma... Até perceber que nunca o celebrei tão bem nem com tanta intensidade...

Não precisei de um pouco de cinzas para saber-me ínfimo sem Deus... De posse total das minhas fragilidades pude refletir o meu nada, a total ausencia de significado da minha vida sem a VIDA... sem os focos da Sua graça que nos permitem ver beleza onde ela parece não estar... ver beleza e força no que resta de nós depois do fogo e reerguer-nos novos, renovados, assim como Ele nos vê...

Às vezes vê-se melhor quando, aparentemente humilhados, curvamo-nos, do que quando, cheios de nós, olhamos do alto buscando em tudo espelhos que reflitam nossa soberba...

QUEBREI A CARA

Quando criança acreditei profundamente no amor...

Quando fui crescendo as convenções do mundo adulto foram me mostrando que amar às vezes dói e, diferente da criança que sobe numa bicicleta totalmente livre e se lança na ladeira pelo simples prazer de pedalar (mesmo sem saber ainda como se para) e se espatifa no muro, aprendi que a armadura é uma ótima forma de proteção...

Essa coisa de armaduras e defesas contra o amor (ou sua dor, não sei) é uma coisa tão sinistra que, uma peça aqui, outra ali, num instante estamos totalmente fechados, vendo resumidamente por uma tela de proteção (lentes das nossas frustrações) e vivendo amores nada livres e sufocados...

Quando criança acreditei profundamente no amor...
E embora essa crença tenha me abobalhado, construiu um mundo simbólico tão profundo dentro que, ainda hoje, “crescido”, tenta fecundar meu jardim de emoções murchas... uma espécie de estufa interior perfeitamente climatizada que gera e nutre, por si mesma, algumas das flores mais sensíveis e raras do jardim das emoções...

Quando criança acreditei profundamente no amor...
E, por ainda de alguma forma o ser, acreditei profundamente nele novamente... Me senti novamente a criança na bicicleta... me despi da minha armadura tão bem confeccionada... e diante do abismo do amor pulei... acreditei... me atirei... E QUEBREI A CARA!!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkk...

“Qual é a novidade nisso?” Alguém pode indagar. “Acontece todo instante e com todo mundo!!!”... “Você foi só mais um tolo a pular...”

Eita!!! É duro admitir... mas é verdade!!! Pulei de cabeça e meti meu “bebedor de lavagem” em cheio numa pedra... e doeu muito... me senti envergonhado por estar despido e comecei a procurar minha armadura e a imaginar para ela trancas ainda mais seguras para, mesmo quando pensasse em tirá-la novamente, inibir-me por sua dificuldade em abrir...

Achei e vesti tudinho novamente... e fui chorar escondido nela minha dor e vergonha... Mas tava uma desgraça!!! Só depois de tirar e vestir foi que vi o quanto ela é apertada; até pra chorar fica difícil... acho que por isso choramos tão pouco quando crescemos...

Em meio a agonia de estar de volta aquele ambiente “seguro” e minúsculo lembrei do quanto fui livre e feliz quando pulei e enquanto caia... revivi, em câmera lenta, todo aquele breve instante que se passou entre o pular e o quebrar a cara... e lembrei novamente do meu eu menino na bicicleta: feliz por descer a ladeira, mesmo sabendo que meu limite era o muro logo a seguir... sem pensar nas feridas que saram quer pensemos nelas ou não... e nas que sempre vem e ferem, mesmo quando tomamos todos os cuidados...

Revivi, em câmera lenta, todo aquele breve instante em que acreditei no amor e percebi o quanto ele é valioso... parei de me culpar por ter acreditado...

Não vou ser hipócrita e dizer que me despi novamente da minha armadura (ela é-me necessária), mas decidi tentar usá-la com mais sabedoria... retirei os excessos, preservei as joelheiras e cotoveleiras... uma parte do capacete (porque tenho cabeça dura... kkkkk)...

Não vou pular sempre que o amor chamar... mas clamo ao Amor forças para pular sempre que acreditar de fato, e sensibilidade para aproveitar ao máximo os milésimos de segundo que me separam entre o gozo do pulo e da conseqüência natural da dor na queda...

Quando criança acreditei profundamente no amor...
Ainda acredito... Por causa disso pulei e quebrei a cara... kkkkkkkk...
Mas quem sabe um dia o amor me dá asas...