domingo, 29 de março de 2009

"QUE HISTÓRIA É ESSA?"

Quando ainda professor me encantei com um livro que contava histórias mundialmente conhecidas sob a visão de personagens secundários; e perguntava no fim: "Que história é essa?"

Escrevi esse pequeno ensaio para um amigo, mas não respondeu... decidi postá-lo aqui para que não se perca em sua finalidade...

E pergunto:

-"QUE HISTÓRIA É ESSA?"


Ele vem vindo, o que faço?
Quero tanto sentir a textura de suas pétalas...
Mas ele não as tem; tem mãos!
Como posso amar alguém assim tão diferente, com mãos em vez de pétalas?
E se me tocar vai ferir-se... não quero que se fira!
A quem quero enganar? Se me toca me firo eu... me firo no controle que ainda tenho... posso desejar ainda mais aquele toque e sofrer quando não o puder ter...
Não posso deixar que me toque!
Ele vem chegando... tenho que pensar rápido... quero ele por perto... mas não posso deixar que se aproxime muito... esse risco não posso correr... o que faço?
Ahhhhhh... tarde demais... ou melhor:

- "Tenho frio!!! Consiga-me uma redoma de vidro!!!"

É estranho constatar que, às vezes, essa é também nossa história, não acha?

sábado, 28 de março de 2009

Grandes Olhos


Não sou muito de me olhar no espelho... Não que não goste da minha imagem! Mas é que fiz de mim uma imagem interna que não carece de se reconhecer fora... Das poucas vezes que me vejo no espelho é em ocasião da higiene diária, mas é essa uma visão muito geral e utilitária...

Mas desde ontem algo em mim tem chamado a atenção de mim mesmo nas poucas vezes que preciso me ver no espelho: “os meus grandes olhos...”

E não são os mesmos de sempre? Kkkkkk... Sim são!!! Exatamente os mesmos... e qual a razão de sua saliência visual?

Vivo um breve momento de angústia... daqueles em que a razão se perturba com a simplicidade e cotidianidade e fica procurando brechas... como uma grande represa segura e sólida onde a água, desejosa por movimento, procura pequenas fissuras que justifiquem escorrer em lágrimas... Ou uma ferida que volta a inflamar e lateja; não dói de fato, mas age de forma a que sempre, e em todo segundo, se saiba que está ali...

Esse breve de angústia e desejo da dor (para minh’alma necessário e freqüente em períodos de quaresma) meio que tende a fixar a alma em aspectos negativos e obscuros... algo como buscar o escuro para voltar a gozar do prazer da luz...

Nesse breve, fixo no frágil e feio, ao ter que me ver no espelho, meus olhos se prendem aos meus olhos e não o compreendem... parecem meio que em descompasso com o resto: onde tudo parece obscuro, eles têm brilho; onde tudo parece momentaneamente triste, eles riem... E para a razão inflamada e burra, por só saber das suas próprias e rasas razões, pareciam outros, pareciam de outra pessoa... por isso me confundiram a priori e depois me ensinaram...

Pelos meus grandes olhos apreendi da paz e da segurança, e da origem delas... enquanto tudo na razão perecível é confusão, sabendo ser ela parte tão ínfima do todo que não podemos com ela tocar, todo o resto é calmaria... enquanto tudo em volta no tocante aos sentidos perecíveis é grito, dentro há música e silêncio... Tudo isso justificado pela Pedra sobre a qual está fundada essa pequena choupana que sou eu... Toda a estranha alegria firmada no Tesouro mirado por meu coração...

Depois que descoberto isso, a razão burra se oprime, mas não deixo que se oprima a dor; deixo que doa, agora sem mais alimentá-la; que doa a dor até que se canse e cesse... também ela é-me tão necessária, como tudo o que é humano parece tão necessário a mim...

E por fim, como tudo que se processa em mim, tive um misto de gozo e medo...
Percebi que quem apreender a olhar e ler meus olhos poderá ler-me inteiro e ter acesso ao meu tesourinho de simplicidades e essências...
Rejubilei-me por imaginar que ele possa ser contemplado por outros olhos além dos meus e não se perca no egoísmo do meu eu... e amedrontei-me no temor envergonhado de quem se despe, sabendo que quem a eles souber decifrar poderá ver sutilezas e asperezas, claros e escuros que nem sempre sei mostrar...

Quem aprender a ler os meus grandes olhos terá tido acesso a tudo o que sou além do que os olhos podem ver...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Avareza Sentimental


Deus me deu um estranho gosto pelas pessoas... Ainda não consegui entender Sua intenção nisso... só sei que adoro observá-las: suas histórias, seus sonhos, seus porquês, seus sins e seus nãos...

Por causa dessa característica, dei por observar como o meio e a cotidianidade influenciam e alteram dimensões aparentemente inatingíveis...

Recapitulemos puxando apenas a ponta do novelo para que você mesmo teça a coberta:

- Vivemos num regime econômico capitalista onde vale quem tem;
- Quem tem cuida em ter mais e guardar a todo custo o que acumulou; e quem não tem vive em função do ter;
- Nessa busca incessante pelo ter não se pode perder tempo, porque “tempo é dinheiro”;

Pronto!!! Só um breve para que você possa usar sua criatividade e senso de observação e analisar todo o resto...

Nesse meio não é difícil imaginar o quanto a AVAREZA tem crescido, florescido e frutificado!!! Em termos objetivos!!! Mas não só nesses... também em âmbito subjetivo a avareza tem crescido!!!

Use novamente seu senso de observação...

Como andam as relações? Em tempos de números e de pouco tempo a gastar as relações se tornaram instantâneas e impessoais... sexo uma só noite e no outro dia não se sabe nem o nome... quanto mais relações tiver mais fama ganha... e sem o compromisso de ligar no outro dia... sem ter de levar ao cinema... sem ter de segurar a barra nalguma dificuldade... afinal, não se pode perder o tempo preciso de lucrar, não é mesmo?

Mas e a necessidade humana de se sentir amparado? E o “ter com quem contar”, como fica? Que lugar tem tido as nossas carências?

Eu nunca ouvi falar de uma geração tão solitária como a nossa...

E parece equivocada a minha exclamação posto que nunca se avultou tanto o número de relações e liberalidade; por que tanta solidão?

A resposta para isso chama-se “AVAREZA SENTIMENTAL”!!!

Todos nós temos o nosso aprendizado afetivo, uma relação de significação e valores para os afetos que vamos construindo desde o nascimento e por toda a vida; a esse acumulo afetivo vamos chamar “reserva sentimental”.

Em tempos de acúmulo como o nosso, ficando as relações de “afetos verdadeiros” tão raras, passamos a cuidar com maior vigor da nossa reserva, não deixamos ninguém se aproximar dela e muito menos dela partilhamos com os outros (finalidade própria do afeto). Passamos então a cultivar um jardim de relações superficiais e extremamente econômicas onde quanto menos carinho e afeto tivermos que investir melhor; mas uma coisa é unânime: TODOS QUEREM RECEBER!!!

Mas se todos querem receber, onde ninguém quer partilhar, aonde chegaremos?

Entramos ai no campo das fragilidades que temos conhecido tão bem... o pouco partilhado parece perdido e não retorna com juros e correções aumenta em, no mínimo, três vezes (como a idéia de lucro sugere)... as relações perdem sua gratuidade e o carinho torna-se moeda de câmbio... e num mercado tão instável como é o das emoções humanas, quem vai arriscar a pouca crença que ainda se tem no amor? A notícia que corre é que quem arriscou perdeu!!!

E assim vamos nos tornando cada vez mais individualistas e vazios... melindrados pelos nossos medos... avarentos em nossos sentimentos...

São agora poucos os “bom dia”, “que bom que você ligou”, “tava morrendo de saudades”, “esperei por você ansiosamente”... em tempos de crise é preciso economizar!!!

E nisso a total burrice!!! Inverso ao mercado financeiro, nas bolsas de valores afetivos, o afeto, como moeda, rende quanto mais gastarmos!!! O carinho é como que uma rede que, disparado o primeiro, vai se propagando, gerando outros, e outros... rs rs rs rs...

De minha parte, que adoro dizer do bem que sinto (mas só quando de fato sinto), vivo escutando: “Eita! Tu mais parece um gato que vez ou outra vem e se esfrega nas pernas do dono pedindo um carinho...” kkkkkkkkkkkkk... Adorei a comparação porque adoro gatos justamente por causa disso... kkkkkkkkkkkk...

E quando eu as beijo as pessoas se confundem, tolas, avarentas sentimentais, pensam que recebem apenas de mim carinho... Mas como na lei física que, batendo um carro num muro, mesmo estando o carro em movimento e o muro estático e em repouso, o muro bate no carro com a mesma velocidade que o carro bate no muro; da mesma forma, o beijo que lhes ofereço é uma ação da boca de receber um carinho da pele...

Quem me conhece sabe do quão pouco tenho, mas invisto sempre tudo, arrisco sempre tudo, ganho e perco, são coisas do “mercado”, mas o lucro está mesmo no ainda acreditar ...

E aí vai um aviso:

QUEM SE ENQUADRAR NESSA IMAGEM DE AVAREZA SENTIMENTAL AFASTE-SE DE MIM!!! EM SE TRATANDO DE CARINHO, AMIZADE, RESPEITO, BONS RISOS, TAMBÉM SILÊNCIOS, NUNCA ME CONFORMO COM POUCO... POR ISSO, SE NÃO RECEBO: ROUBO!!! E DE CARINHO SOU DOS LADRÕES PIORES, NÃO ARROMBO NEM INVADO – VOU TE CONVENCER A ME ENTREGAR AS CHAVES, ME CONDUZIR ATÉ O COFRE E, COMO PARA LUCRAR É PRECISO PARTILHAR, DEIXAREI CONTIGO UM POUCO DO QUE GUARDEI ... E QUANDO VOCÊ PENSAR QUE LUCROU E QUE PERDI, FOI AÍ ONDE MAIS GANHEI!!!

Não deixemos para calcular o quanto nossa avareza no fez perder apenas no entardecer da vida, quando a “angústia de o amor não ter bem vivido” ocupará o lugar do “saudosismo e gozo do muito ter amado”.

OBS: Confira o clipe ao lado “falsa moral” do OBK...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Destruamos o céu para conquistá-lo

Acabei de achar na minha pasta do orkut uma mensagem de 21 de março de 2007... Achei bem interessante e resolvi voltar a postá-la aqui:

A quaresma sempre foi para mim momento de reflexões, e essa prática quando constante, traz a mente elementos nunca antes imaginados...

Em meio a tais reflexões, vejo surgir a polêmica sobre o documentário de James Cameron que diz ter encontrado o túmulo da sagrada família, informação que se cruzou com algumas pregações doutrinárias que ouvi durante toda a minha vida onde era dito que “se Cristo não tivesse ressuscitado, não haveria motivos para fé...” tudo isso girando e se misturando na minha mente como num liquidificador... e o resultado: indignação.

Percebi, nesse mix de idéias, que nós, cristãos, ao longo da história e prática da nossa fé, cometemos um erro terrível: Capitalizamos nossa crença e a transformamos num passaporte para o céu. Transformamos assim atitudes de caridade e serviço em moedas de troca pelo reino do céu (sempre distante e póstumo). Utilizamo-nos dessa idéia de vida eterna para nos ausentarmos do compromisso de realizar a vida em sua plenitude ainda aqui nessa terra.

Atribuindo ao momento presente status de dor em oposição a uma Jerusalém celeste de glórias eternas, colocando assim, em nossa mediocridade, a máscara da humildade e atribuindo a esse feito status de virtude.

Fiquei a me perguntar se, sendo afirmada a veracidade da pesquisa, as pessoas ainda seriam fieis em sua fé, se ainda seriam solidárias sem o céu por objetivo.
Numa atitude muito pequena e insana, tentando atribuir ao Cristo/Deus pensamentos e sentimentos humanos, me pus a pensar no quanto deva ser decepcionante para Ele constatar que, mesmo dando ao seu povo instruções para solidariedade e fraternidade, mesmo expulsando dos seus corações os demônios da cobiça e vingança, mesmo curando as suas enfermidades de medo e solidão, mesmo carregando heroicamente o madeiro símbolo dos seus pecados... tudo isso se faz nada se não lhes dá o céu que desejam.

Imaginei sua decepção em perceber que líderes como Gandi, Martin Luther King, Aristóteles e outros, conseguiram seguidores e fieis defensores do seu modo de pensar e viver, e que dele (segundo pregações incontáveis das quais a pouco lhes falei), sendo inválida a promessa do céu, nada restaria.

Cheguei então ao uma conclusão que viria a retirar dos nossos olhos essa trave – ridícula atitude de câmbio:

“Destruamos o céu”

Se retirarmos das nossas mentes esse desejo insano por uma gloriosa vida eterna, trataremos de construir o céu aqui, ainda por sob essa terra, ainda com corpos aquecidos pelo sol que se ergue imponente todos os dias para bons e maus, e mentes e corações iluminados por sol ainda mais intenso e brilhante que é o nosso Deus.

Se destruirmos o desejo por uma vida eterna sem dor, pararemos de mitigar dignidade e a construiremos com os braços fortes da solidariedade e caridade. Sem a consolação eterna teremos apenas o curto período dessa vida para construirmos e usufruirmos desse céu tão desejado de igualdade para todos. Buscaremos Deus dentro, na busca do auto-conhecimento e revitalização da nossa essência onde Deus habita, e o encontraremos também fora, na prática caritativa dos ensinamentos do seu filho amado.

Já não nos conformaremos com a dor, e não só exigiremos (típica atitude de apontar e colocar a culpa nos outros), mas construiremos justiça e dignidade para nós e para todos, pois a felicidade é desejo latente, e urgente para quem só tem esse efêmero momento para alcançá-la.

Sinto em meu próprio peito – corruptível, ganancioso, insensato e medíocre como o de qualquer pessoa que existe, existiu ou existirá – que amaria e serviria a Jesus, sem nenhuma recompensa que não o próprio bem de ver melhorados os meus dias por uma práxis sob luz dos seus ensinamentos. Se isso a mim, exageradamente igual em tudo a todos, é possível, também se fará a qualquer um, especialmente aos frutos que virão a brotar de árvores já libertas dessa fé capitalista.

Não quero, contudo, afirmar ou encorajar descrença no céu. Confio e sei de sua existência mais do que confio na minha própria existência. Apenas não suporto, como cristão, ver desvirtuado o ensinamento de Cristo Jesus. Não tolero ver seu maior dom entre nós semeado, a caridade, usada de maneira egoísta em troca de um bem individual (salvação e consolo).Como queria ver o avanço do conhecimento e filosofia aplicados a reflexão desses mandamentos tão exageradamente complexos por sua simplicidade:

“Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força. E ama ao teu próximo como a ti mesmo”.

Se ao amor do nosso Deus aplicássemos nossas faculdades de conhecimento, vivêssemos em plenitude nossos sentimentos e aplicássemos as nossas forças ao melhoramento da nossa realidade. Se para o nosso próximo buscássemos a promoção da dignidade e desenvolvimento de todas as nossas potencialidades que para nós desejamos, mudaríamos a face da terra; conheceríamos o reino de Deus tão cobiçado...

E o céu?

Continuaria onde sempre esteve, só que não mais em oposição a uma vida de desventuras e dor, mas como continuidade, eternização de um bem ainda nessa vida construído.
Destruindo o céu na busca da vivência de um amor desinteressado a Deus e aos irmãos, ganharíamos o céu por excelência; teríamos, no livro dos dias, escritas com letras de luz, impressões de virtudes reais (não meras conveniências como somos obrigados a ver), que nos fariam merecedores irrefutáveis de gozar da glória do Nosso Senhor.Por essas e tantas outras razões que essa leitura desperte em sua alma:

Destruamos o céu para conquistá-lo!!!

A vós, graça e paz da parte do Senhor nosso Deus.

Quaresma Verão de 2007
Rennan de Barros

terça-feira, 10 de março de 2009

Às vezes eu gostaria de ser transparente...


Às vezes eu gostaria de ser transparente... Um anjo transparente a voar, sorrir, e fazer cócegas no nariz das pessoas com as penas das minhas asas só pra vê-las sorrir...

De fato, parte do meu desejo já se concretiza... Acho que sou mesmo metade transparente... ao menos nas minhas necessidades... Ninguém parece ver que, igual a todo mundo, eu também preciso de ajuda, cuidado, de auxílio... Não consigo entender que figura é essa que vêem em mim, tão supra, tão indestrutível e intocável...

Por outro lado, é justamente na minha imagem visível que gostaria de ser invisível...

Não reconhecem minhas fragilidades, e sob a imagem que insistem em criar erguem suas carapaças de inseguranças...

Isso é como que uma lança encravada no meu peito por dois motivos:

1. Detesto pessoas medíocres... pessoas fragilizadas por uma imagem inferiorizada de si mesmas... detesto ver pessoas lindas esconder-se sob uma máscara de feiúra que se auto impõem... Daí, não tenho palavras para dizer o quanto me tortura figurar como motivo pra isso... Como a exuberância de Deus na minh’alma serve de parâmetro para esse inferiorizar-se dos que me rodeiam e eu amo...

2. Embora adore as luzes e sombras, adoro a clareza nas relações... o ostracismo conseqüente de inferiorizar-se limita as relações... se ao menos depois do fechamento prolongado se abrissem mostrando uma linda pérola!!! Odeio que construam muros nos caminhos que me unem as pessoas, porque cortei os cabos dos freios da minha bicicletinha da amizade e acabo sempre me espatifando neles...

E a culpa é sempre minha!!!
De minha parte é a soberba e a pouca amizade...
É minha a culpa das suas inseguranças...
Sou culpado por ser feliz...

Por isso quereria ser invisível às vezes, porque não posso deixar de ser feliz e nem anular a ação Daquele que é em minha a força e a própria felicidade... Não sei como deixar de ser quem sou; e nem quero; e nem posso...


Mas um dia ainda serei um anjo... um anjo arteiro escondido nas sombras... para então, invisível, não mais ferir nem induzir as pessoas a insegurança... apenas arrancar-lhes um riso ao fazer cócegas nos pés e no nariz com as pontas das minhas asas...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Abrindo portas e escancarando janelas...

Tenho passado, nesses tempos de quaresma, por uma experiência muito agradável... eu disse agradável? Menti... desculpa... A palavra mais adequada é “agradabilíssima”!!! rs rs rs rs...
Há quem reclame dizendo que não sou nada objetivo... Mas não sei falar das coisas que sinto de forma objetiva... E também não sou objetivo, oras!!! Escrevo como penso e sinto...


Então vamos lá!!!

Vocês já passaram pela experiência de esperar alguém em casa??? Aquela ansiedade maravilhosa??? Rs rs rs rs...

Eu tinha alguém pra receber...
Mas tinha um problema: vinha passando mais tempo fora que em casa...

Muita coisa por arrumar... tudo espalhado e organizado totalmente ao meu jeito de forma a ter tudo ao meu alcance... teias de aranhas e um cheiro de mofo por passar muito tempo fechado...

Fui arrumando tudo... organizando tudo... cuidando de cada detalhe para que minha visita se sentisse bem ao chegar...

Eu detesto esperar quem se atrasa!!! Mas adoro essa coisa da espera amorosa de algo ou alguém que se anuncia... Faz-me lembrar sempre a vigília em espera do Esposo amado das almas amantes...

Arrumei tudinho... Empurrei um pozinho pra baixo do tapete também... rs rs rs rs rs rs... comprei uns cravos para os vasos e para perfumar os comodos interiores... abri portas e janelas para deixar entrar luz, claridade, novos ares...

Fiz bolo e café fresquinho, porque pra mim essa é a melhor forma de receber quem gosto... (os meus mais próximos sabem disso)... Tomei um banho demorado... Botei minha roupa preferida... Botei pra tocar a música que marcou aqueles momentos de espera... e sentei na sala, a meia luz, sentindo aquela brisa fria de noite recém chegada... e pus-me a esperar terno e alegremente nos últimos minutos que ainda restavam...

A campainha tocou!!! O coração acelerou... Muito tempo sem receber visitas; nem sabia mais fazer isso... Não conseguia conter o sorriso (mesmo não querendo ser presunçoso)...

“Que bom que você veio!!!”
“Desculpe-me! Só passei pra dizer que não poderei ficar...”

Ta parecendo história sem final feliz, não ta? Pareceu pra mim também... Mas por pouquíssimo tempo...

Voltei entristecido e fui comer o bolo e tomar meu café sozinho, como já estou acostumado, porque não tem desgosto que me tire o gosto do meu cafezinho... kkkkkkkk...

Lembra que falei que passei muito tempo fora, de portas e janelas fechadas? Pois é!!! Mal botei o café na xícara, meus queridos amigos, vizinhos, sentindo o cheirinho do café e bolo que escaparam pelas janelas agora escancaradas, foram chegando... e a casa se iluminando... e a quantidade de xícaras na mesa aumentando (bem mais que as poucas duas para qual tinha sido preparada)... além da música os risos passaram a encher a casa... e como que numa mensagem subliminar e instantânea, emanação própria do amor, parece que se espalhou por todo o universo a minha alegria e a notícia de que estava de volta à casa... e como agora sabem onde me achar, muitos outros vieram e tem vindo... cartas foram chegando... amigos de muito tempo sem notícias se comunicando... e os meus grandes olhos brilhando...

Não mais fechei as janelas, porque os tesouros que aqui guardo não podem ser roubados...

Toda tarde tomo meu café na minha cadeira de balanço sentindo uma brisa fofoqueira que já anuncia o outono e a aproximação de uma visita "de casa" e sempre ilustre que não passa um só outono sem visitar a minhalma para minha total alegria e completude...

Ainda acha que essa é uma história sem final feliz??? Kkkkkkkkkk...

Nem com todo meu exercício de criatividade imaginaria, ao arrumar a casa para receber uma visita, um final tão feliz...


Se quiser tomar um café com bolinho, pode chegar!!! Estou de volta à “casa” e não pretendo fechar as portas... pelo menos não agora...