segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OLHARES IV - A Solidão


Hoje discuti com a minha mãe...
Esse é um fato a ser memorável porque dificilmente acontece...
É engraçado como os pais encaram toda discussão entre pai e filho como uma projeção sobre si mesmo e o quanto foram bons ou não na função de ser pais...
Ao fim a minha mãe disse: “Sei que você vive pelo mundo em busca de uma mãe...”; É uma pena que a minha mãe me conheça tão pouco, porque, se de fato conhecesse, saberia que ando pelo mundo em busca de mim mesmo...

Me olho no espelho e me intrigo quanto a construção que fiz de mim mesmo, alguma coisa entre ser e nada ser que nada diz de si mesmo ao não ser da busca. De alguma forma, acho que sou injusto em querer que ela entenda o que eu não entendo...

Hoje é mais um daqueles dias únicos... Ontem também foi um dia desses únicos; e também antes de ontem... Acho que adoraria dias iguais aonde eu apenas amanhecesse e vivesse só por estar vivo... Mas hoje se fez um dia único porque, só por hoje, permito-me uma trégua de mim mesmo, uma trégua nesse eterno trânsito entre o paralelismo do concreto e o utópico... baixo minha guarda no exato ponto aonde estou, sem me preocupar se avancei ou retrocedi, se acertei ou errei...

Adoraria sentir pena de mim mesmo e me chorar, chorar o luto de tudo o que não consegui ser, mas não consigo... sei-me ser o que escolhi livremente ser, e isso inibe qualquer melindrar meu sobre mim mesmo... Olho-me no espelho e aceito essa interrogação enorme nos meus olhos; de alguma forma tenho medo de admitir já ter achado o que procuro – isso me tiraria o prazer da busca e, sem ela, sem a busca, temo nada haver do que sobra para contar a história do que fui.

Hoje é justamente o dia de parar um pouco de me enganar e admitir a minha solidão, e nela está o novo olhar que proponho a partir de mim mesmo.

A solidão, para mim, é um daqueles conceitos que não permitem ser delimitados; acho mesmo que, para cada pessoa, há um limite próprio. De mim mesmo descobri um incrível gosto por pessoas que não tenho como explicar – adoro as pessoas e suas histórias. Adorando as pessoas tratei sempre de acercar-me delas de forma a estar sempre acompanhado.

Se acompanhado não só!!! É o pensamento mais óbvio diante da afirmativa, não é?

Aí o novo olhar proposto: um olhar sobre a solidão que se sente em se estando acompanhado...

Nós, seres humanos, temos o olhar fixo em nós mesmos. Até quando olhamos para os outros, e nos congratulamos por uma atitude tão altruísta, estamos buscando a nós mesmos no pouco que podemos reconhecer da nossa história naquela outra, ou encantados, como Narciso, com a nossa imagem refletida no olho do outro. Olhamos para o outro tentando reconhecer os nossos defeitos numa busca insana de encontrar outros culpados para os nossos crimes e tranqüilizarmos nossa consciência; ou ainda, em duas terríveis hipóteses, olhamos para a desgraça do outro congratulando-nos porque aquilo não está acontecendo com a gente, ou para a vitória do outro estabelecendo-a como parâmetro para nossa baixa estima...

Assim, mesmo acompanhados, estamos sempre sós. Sós pelo mundo do outro que nosso olhar umbilical não nos permite enxergar, e dolorosamente sós pelo nosso próprio mundo que ninguém vê...

Hoje admito-me só pelos dois motivos...
Só abro mão de uma dor que me constrange: a de ser só acreditando-me acompanhado. Hoje sinto-me só sabendo-me só...

Aqui, agora, eu, uma música instrumental altíssima tocando sem que eu saiba seu nome ou autor, a velha interrogação nos meus olhos me perguntando coisas que não sei, solidão aqui dentro, e lá fora uma vida inteira por ser vivida...

Escutei isso num filme e repito por sua relação comigo mesmo: "as poucas vezes em que não me senti só foi quando estive ligado intimamente às pessoas"...

...

OLHARES III - Admitir-se amando


Tem coisa mais burra que admitir-se amando?
Não! Acompanha comigo:
É praxe que um lado sempre ama mais; e que esse lado é sempre o que sofre.
Enquanto esse lado, o de quem ama, não é evidenciado, dá pra simular ainda certo equilíbrio porque o outro lado, por não ter a certeza do que se processa do lado de cá, pode viver o dilema de achar-se a parte mais amante. E mais – quem é “besta” de admitir-se amando para que a outra parte se sinta segura demais e o bastante pra aprontar? Admitir-se amando é o mesmo que dar ao outro o direito de “sambar na carniça”, e esse gosto não se dá a ninguém!!!

É mais ou menos assim, não é? Kkkkkkkkkkkkk...
Ah! E tem ainda aquela idéia de que, a parte que admiti-se amando, é a parte fraca da relação, melindrada pelo excesso de emotividade, com inclinação a sujeitar-se, por amar, aos caprichos do outro.

Tudo isso é tão obvio e factual. Será que é possível, também aí, lançar um outro olhar?
Tentemos:

Não sei se você notou, mas em todas as observações anteriores o ponto de observação foi sempre o outro – o que o outro vai achar da minha revelação e como agirá a partir de então. O único ponto referente ao “eu” foi o medo de parecer fraco.

Vamos agora mudar o foco!!! Tragamos o foco para o “eu”, e analisemos algumas implicações dessa mudança de “olhar”.

“Admitir-me amando é, antes de tudo, uma tomada de posição minha com relação a mim mesmo”. É coisa da natureza do auto-conhecimento; da tomada de postura do eu ao reconhecer em si um traço especifico e suas implicações de conduta. É saber que, por estar amando, isso incide sobre mim, não só na dimensão da minha conduta com relação ao outro, mas também da minha vida como um todo, que requer espaço para a participação de uma outra vida com perspectivas totalmente diferentes.

“Admitir-me amando é, antes de tudo, uma reflexão de liberdade, porque, livremente, permito-me prender-me”. Nada de observações medíocres do tipo: não consigo me conter, sou escravo desse sentimento... Xiiiii!!! Mais uma atitude auto-piedosa... Podemos até não ter controle sobre os sentimentos, mas temos sobre os nossos atos!!! E a própria consciência da pertinência ou não de dado sentimento nos ajuda, a seu modo, a controlá-lo até dissipar-se de vez caso não condiga conosco... Por tanto, nada de sujeição!!!

“Eu gosto!!!”. É da minha alçada os sentimentos que carrego. Reconhecê-los e tomar posse deles não me faz fraco em nada, ao contrário, faz-me forte; recai sobre a dimensão da segurança ao passo que me remete ao que se passa dentro de mim.

Mas e o outro? A relação não imprescinde a participação do outro?

Claro que sim!!! Mas eu não posso condicionar as minhas atitudes às do outro: só dou carinho se me der; só ligo se ligar; só digo que gosto se tiver certeza da recíproca... Sentiu a prisão? E, como em toda prisão, a limitação... Não sou obrigado a condicionar os meus sentimentos e a conduta que assumo a partir deles a ninguém. Gosto!!! Assumo para mim mesmo que gosto; não como alguém impotente que se coloca diante do sentimento como diante de um monstro dominador, mas como alguém de posse das rédeas. Sou fiel a mim mesmo agindo segundo as inclinações do meu coração. Se a outra parte corresponder, estabelecemos relação; se não, coloco mais esse estado afetivo e mais essa pessoa no rol de ótimas lembranças e espero que esse sentimento se consuma e esvaia para, mais uma vez, a seu tempo, permitir que me coração se achegue de alguém de novo.

De minha parte costumo dizer, e pode até parecer soberbo demais: “quem não me ama só tá perdendo!”. E digo isso não por me sentir o propofol que matou Michael Jackson, mas por saber da minha construção, dos empenhos que fiz, nesses 28 anos, cuidando da minha mente e do meu coração, para me tornar quem sou. Tenho consciência da minha potencialidade em ser e fazer alguém feliz. Simples assim!!!

Ao fim, só queria fazer uma observação: é ingênuo negar-se amando! Os nossos olhos, nossas atitudes, tudo nos trai! Traímos até a nós mesmos negando sentir o que sentimos e sofrendo essa negação... Tudo uma grande vaidade!!!

E mais pessoalmente, em se tratando de mim, não diga que me ama sem sentir – não vendo nos seus olhos o amor perderei a confiança nas suas palavras. Não diga que não me ama amando – sempre sei quem me ama, e se nega esse estado perde comigo porque detesto covardes. Me amando ou não, aja segundo seu sentimento, e aproxime-se de mim real, inteiro, VOCÊ; e teremos bem mais chances de construir algo juntos, disso pode ter certeza!!!

Demos um viva aos que tem a coragem de admitir-se amantes!!! Que reconhecem as implicações dessa atitude, mas que não se amedrontam ante o desafio de amar... Demos um viva aos amantes que, amantes se reconhecendo, estão um pouco mais capacitados que os demais, por estarem um pouco mais perto do Coração de Deus.

sábado, 21 de agosto de 2010

OLHARES II - A Síndrome da Contemporaneidade

Aqui estamos nós mais uma vez, os olhos e as lentes pelas quais olhamos o mundo...
Acho que, de alguma forma, essa é uma meta postagem sobre o tema “olhares”, porque diz respeito às lentes com as quais olhamos o mundo, as coisas – interiores e exteriores, e a nós mesmos...

A questão é que essas lentes são formadas pelas nossas experiências, e isso compreende um amplo quadro de influências sociais, culturais, familiares; dores e alegrias; lágrimas e risos; certo e errado; e todas as formas e vozes possíveis e imagináveis que falam aos nossos ouvidos e às nossas mentes construindo o que entendemos por nossos valores e formatando as nossas prioridades.

É notório também que o nosso pensamento muda em resposta a cada fase da vida: quando crianças pensamos como crianças; quando adultos como adultos; e assim sucessivamente. Há inversões, é verdade!!! Conhecemos crianças “adulteradas”, adultos infantilizados, também adultos senis, e velhos na puberdade... kkkkkkkkkkkkk... Mas, em linhas gerais, cada fase corresponde a um olhar, um foco, uma lente próprios.
Parece natural, e até bacana!!! Mas lancemos olhares sobre esses olhares:

1 – Na maioria das vezes essas lentes são anexadas a nós, por nós mesmos (diga-se de passagem), sem uma justa apreciação. Dizemos coisas porque todos dizem; construímos nossos valores e noções de certo e errado sob a idéia do senso comum, do que todos dizem ser certo ou errado; e acabamos por nos pegar, vez ou outra, transgredindo essa ou aquela noção, não porque somos ruins ou maus, mas porque não fizemos desse exercício e formulação de valores uma experiência pessoal, significativa, entendeu?
2 – A memória e os estereótipos incidem diretamente sobre essas lentes! Em conseqüência da memória acabamos por nos tornar “contemporâneos demais”; não conseguimos conservar os olhares antigos – adultos não lembramos como é que olhávamos quando crianças (e assim por diante). E também existem os estereótipos e papeis sociais definidos – para cada fase o seu conjunto – e também as repressões sociais a quem se distancia, mais ou menos, desses estereótipos e papeis.
Muito blá blá blá? Também estou achando, acredite!!! Kkkkkkkkk... Mas foi necessário para os olhares subsequentes. Continue acompanhando o raciocínio:

Você não acha estranho que os pais, um dia tendo sido filhos, os entendam tão pouco? Ou os adultos, tendo sido crianças, tenham tão pouca sensibilidade e paciência para com as crianças?

Isso é o que chamarei “síndrome da contemporaneidade”!!! Seria uma espécie de fixação na lente imediatamente atual, com seus padrões, e as emoções próprias anexadas a ela. Por exemplo: Uma mãe, ao fazer um exercício de memória, conta que se sentia muito presa pela própria mãe, a quem achava repressora. Ao rememorar, ela olha pela lente da fase em que viveu e reencontra as emoções ligadas aquele momento (olha para si mesma e sua história e acha justo sentir-se reprimida); em contra partida, não aceita as reclamações da filha para com a mesma questão – liberdade e repressão. Entenda-se: ao olhar agora para a filha, essa mãe olha com as lentes do estereótipo de mãe, e por ser contemporânea demais a si mesma, sente-se até ofendida pelas colocações da filha.

Há nesse exemplo um traço de ignorância sensível – que é o olhar aonde esse blá blá blá todo queria ao fim chegar. A mãe, não transcendendo sua “contemporaneidade”, sua prisão às emoções e aos valores anexados ao seu atual estado, não consegue, mesmo se recordando das suas aspirações juvenis, entender a filha que hoje passa por aspirações semelhantes, nem tão pouco entende a própria mãe, estando agora em situação semelhante à que ela ocupou; sente-se vítima em ambos os casos, da mãe que a reprimia e da filha que não reconhece seu amor e seu esforço.

Aqui chegamos ao lugar pretendido, ao olhar sobre os olhares que nos indica: “nunca jogar fora os antigos óculos!!!”.

Essa medida é o ponto de partida para uma serie de melhoramentos na nossa relação conosco mesmos e com os outros. Tentarmos olhar com os olhos que outrora olhamos ajuda-nos a reconhecer nossos avanços, também nossos retrocessos nalgum ponto. Esse olhar pelas antigas lentes do nosso eu de outrora nos capacita também a tentar olhar pelo foco do outro, ampliando nossa sensibilidade e compreensão do tempo e da maneira de ver e sentir do outro, nos tornando assim ainda mais capazes de entender conceitos superiores como AMOR e MISERICÓRDIA.
Sem contar que, nas nossas lentes antigas, estão as chaves para a liberdade das prisões sociais; por exemplo: desejar muito comer doce e lamber os dedos no final; não reprimir-se por rolar a noite inteira de ansiedade antes de uma viagem muito desejada; chorar quando as coisas apertam e antes de uma decisão muito importante para eliminar tensões e apaziguar o espírito; deitar no colo de alguém e pedir um cafuné; soltar pum alto quando ninguém estiver vendo; não guardar rancor dos amigos; não precisar competir sempre; dormir de pijamas de ursinhos (essa foi boa kkkkkkkkk)...

Enfim!!! Fazer das antigas e tão encantadoras lentes o escape necessário para com as tensões da nossa contemporaneidade. Permitir-se não ter que vencer sempre, nem ser tão arrumadinho sempre. Redescobrir o valor de rir alto e chorar com a mesma intensidade. Fazer da experiência de “amadurecer” uma experiência de “acumulo de olhares” de forma a podermos olhar sempre tudo, todos, e a nós mesmo, sob os mais diversos pontos de vista e reconhecendo-nos sempre como seres de possibilidades.

Tenho certeza que assim, a cotidianidade, até as coisas mais simples, assim como as meritórias de admiração, começarão a ganhar novo sabor, nova cor, e um maior pluralismo de significação, transformando a vida numa linda jornada de deleite para os sentidos, de entusiasmo para a mente, de calor para o coração... Uma vida de significação no mais literal sentido da palavra para quem a vive; e uma vida significativa para as pessoas que conosco convivem e, porque não dizer, para a humanidade inteira.

Bem vindos ao mundo multisignificativo dos olhares!!! Iuhuuuuuuuuuuuuuu!!! Kkkkkk...

Obs: Quando criança adorava nadar; não tenho nem como descrever o prazer que eu sentia nisso... A questão é que perdi esse gosto, e todas as vezes que tive contato com a água procurava aquele prazer antigo sem achar. E sentia muito por isso!!! Mas outro dia estava eu lavando a garagem da minha casa, fazia um dia incrível de sol e tocava axé no som do quarto da minha irmã (inclusive uma música que não gosto). Por um instante eu me desliguei do meu eu atual, imerso naquele trabalho tão mecânico e simples de lavar, e vi as minhas lentes atuais serem trocadas pelas antigas e todo o prazer e a significação dos dias de sol e de nadar voltarem como que por mágica, um verdadeiro milagre. E o prazer de tão incrível retorno e o valor disso para a melhoria de quem sou agora, ao escrever isso, me fizeram desejar partilhar esse olhar sobre os olhares. Desejo que tenha sido para ao menos um de vocês, que conseguiu ler até o final, de algum proveito. Bj na bunda!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

OLHARES I - Aos que sofreram por amor

Olá, pessoal!
Estou inaugurando uma nova série de postagens a qual chamaremos “OLHARES”.
Como o nome sugere, lançaremos olhares tentando encontrar outras óticas de observação e compreensão de alguns temas bem próximos à nossa alma...
Vamos nessa!!!

Aos que já sofreram por amor


Tem gente simultaneamente mais incrível e mais ridícula que quem sofreu por amor?
Confesso que essa gente exerce sobre mim um misto de atração e repulsa que vou tentar explicar.

Tem gente mais imbecil que quem sofreu por amor? Não! Vamos respeitar!!!
Acompanha comigo e você, com certeza, vai se reconhecer ou reconhecer alguém com essa postura:

1 – Todas as coisas possíveis e imagináveis remetem sempre a lembranças do passado – que de passado não tem nada!!! Os amores trágicos são arrastados e trazidos sendo feitos sempre presentes, por mais que não se admita isso.
2 – Enxergam-se sempre como os mocinhos, aqueles que amaram, aqueles que se entregaram, aqueles que entenderam, aqueles que ajudaram a pessoa amada... E essa postura de mocinhos leva ao terceiro ponto que, ao meu ver, é o pior de todos:
3 – Postura de vítimas!!! Meu Deus, não tem coisa pior que ver uma pessoa sentir pena de si mesma... É aquela eterna e mesma história de ter dado tudo e ter recebido apenas desamor e ingratidão.

E aí? Você é assim ou conhece alguém que se comporta ou se comportou assim? Eu já!!!
Gostaria de lançar agora alguns olhares se me permitem....
Não desrespeitando a dor das pessoas mas, se olharmos bem de perto, perceberemos que essa postura acima salientada é bem egoísta, é uma visão unilateral sob um único foco – o pessoal. Toda relação é feita de sujeitos, e essa idéia traz em si mesma a certeza de que são dois mundos na questão repletos de sonhos, expectativas e desejos. Se uma parte cindi a relação e decide ir embora é porque seus sonhos já não estão mais ali. Pergunto:

É justo para com a outra pessoa mantê-la ao meu lado quando seus sonhos e desejos apontam para um outro norte?
É justo para comigo ter do meu lado alguém que não quer estar ali? (e pode até permanecer por um capricho meu ou, na pior das hipóteses, por pena).

E ainda tem aquela parte do “fiz tanto” e “não recebi nada”. Tudo papo furado!!!
Ajudou? Não fez nada demais além da sua parte!!! Se entrou numa relação ela imprescinde participação; a única diferença é que significação você imprime a essa participação, se faz dela uma forma de se vangloriar e manter a pessoa presa a você (aí tem direito mesmo de reclamar o feito) ou se fez porque seu coração lhe pedia e você queria ver a pessoa amada feliz (aí foi uma escolha livre e, para quem a fez, nem preciso comentar, não vai passar na cara mesmo). E mais!!! A outra pessoa também fez seus investimentos; talvez não os investimentos socialmente consideráveis, mas alguns ainda mais significativos – os investimentos afetivos – e esses foram feitos em tão alto grau que, ao anunciar retirada de investimentos, deixa um espaço vazio tão grande (o que gera a dor).

Consequências de todos esses pontos na qualidade das relações atuais do amante sofredor:

TENTATIVA DE REVIVER O QUE LHE FEZ BEM – O sofrimento é nada mais que o reconhecimento do quanto a presença do outro era importante. Simples assim!!! Só que, saindo essa pessoa de cena, tanto suas virtudes como suas desvirtudes são ampliadas num processo psicológico de fixação. Por mais que se diga que não lembra, ou até que odeia, o sofredor acaba procurando nos seus novos relacionamentos “aquele antigo”; quer reviver, com outra pessoa, o que ele entendeu de felicidade.
Infelizmente esse postura só leva a mais decepções porque cada relação é nova e, por mais que se aproxime de outra, é uma relação com seu próprio dinamismo e ninguém jamais ocupará o lugar do outro. Sem perceber, por não reconhecer em si esse processo, essas pessoas acabam por determinar posturas específicas para os participes de suas novas relações, sofrendo o não êxito do seu desejo e, ainda pior, deixando de dar oportunidade a si mesmo e a outro de viver uma nova relação, ímpar, com outras alegrias, talvez até maiores, e também outras tristezas...

MEDO DE SOFRER – Aí está o outro grande problema. Olhando-se como vitimas e sofredores, em todas as novas relações, lançará mão sempre de defesas vivendo relações capengas e melindradas. Por ter ainda muito presentes na mente e no coração as dores da tão significativa relação, reconhecem, no menor sinal, a aproximação da dor. É um processo natural de auto-preservação, eu sei, mas acabam assim vivendo relações inseguras, sempre em vias do fim. Dão-se pouco, amam pouco, acreditam pouco, se envolvem pouco sempre na desculpa de não cair na besteira de acreditar e sofrer de novo.

Entenderam agora porque eu detesto pessoas que sofreram no amor?
É praticamente impossível amar alguém assim. Exigem sempre que amemos com um outro coração que não o nosso próprio. Têm suas relações antigas como estereótipo e não reconhecem o quanto bom pode ser o presente.


MAS AMO OS QUE SOFRERAM POR AMOR!!!
Não tenho como não reconhecer essas pessoas como lindas, abençoadas, incrivelmente passiveis de serem amadas. Adoro as pessoas que sofreram por amor (essa idéia é tão agradável e forte que sinto vontade de gritar... kkkkkkkkkkk).

É uma pena que essas pessoas se olhem sob o foco errado. Se sofreram é porque amaram muito, muito, muito... acreditaram, baixaram a guarda, foram fundo... e nunca se vive tão intensamente quando se ama sem reservas.

Amo os que sofreram por amor, e vou justificar mostrando um outro possível olhar em resposta aos três iniciais aonde justifiquei porque detesto:

1 – Ao olhar para trás, lembrando do quanto foram felizes ou sofreram, sentem um imenso prazer por saber que são capazes de amar; que enquanto durou a relação foi bom, tanto que valeu a lembrança, não como parâmetros de repetição nas relações atuais, mas como uma história especifica, num momento especifico, ambos que não se repetem, e dos quais só traz o aprendizado e a experiência.
2 – Não foram apenas mocinhos, nem tão pouco bandidos, apenas alguém querendo ser feliz, e reconhecendo no outro também essa identidade. Sabem que fizeram investimentos, mas reconhecem também no outro uma pessoa incrível, que também fez seus investimentos e, a seu tempo e do seu jeito, foi tão incrível que a fez se apaixonar.
3 – O reconhecimento, de si e do outro, como de identidades querendo ser felizes, tira a idéia de vitima, a transforma em agentes: sofreram alegrias e tristezas, causaram alegrias e tristezas.

Hipotético e ideal demais?
Não pense assim!!!
As pessoas, para se livrar de um grande amor, precisam de uma força inversamente proporcional e forte para esquecer, por isso precisam detestar... Pessoas como você descreve não existem?

Ei, pode ir parando!!! Entendo seus argumentos!!!
Não concordo que essas pessoas não existem. Elas somos nós!!! Depende da postura e do olhar que queremos lançar sobre a vida e os fatos; se queremos passar a vida tendo pena de nós mesmos por amores que não deram certo ou reconhecendo em nós o incrível potencial de amar e acumulando com as experiências passadas lembranças e aprendizado. Ou não?

E quais as possíveis conseqüências de uma postura mais resiliente e autruísta diante do amor e das relações que chegam ao fim:

SABER E SENTIR-SE ALGUÉM QUE VIVE COM INTENSIDADE: saber que amaram muito e por isso sofreram muito é um indicativo de intensidade, de que se envolveu e entregou inteiramente no projeto da relação. Chegou ao fim? É uma possibilidade dentre tantas, mas valeu até o último segundo; tanto que doeu quando terminou. Nada de guardar lembranças negativas porque “não foi pra sempre”. O que é o sempre se tudo o que temos é esse segundo de agora? Kkkkkkk... É tudo uma questão de olhar...

SOFRER É CONSEQUÊNCIA DE AMAR MUITO: reconhecer, ao invés de só o que foi ruim, também o que foi bom, dá novo ânimo para amar de novo, pra poder ser feliz de novo, e sofrer, quem está livre disso? Somos seres de relação; reconhecer no outro o elemento que me apresenta a felicidade e a dor me impele, se de fato quero ser feliz, a arriscar as fichas de novo e correr os riscos.

Xi!!! Passaria aqui mais um tempão escrevendo porque adoro os que sofreram no amor...
Resumir o porquê de os amar? Fácil!!!
“Se sofreram muito é porque amaram muito; e se amaram muito é porque sabem se entregar; e sabendo se entregar são capazes de viver relações intensas.”

Por fim, nessa primeira tentativa de lançar olhares sobre nós e nossas posturas, uma prece ao Amor:

Que sejam abençoados os que amam de verdade e acreditam que amar pode ser bom...
Amém

sábado, 7 de agosto de 2010

Apenas um livro


A algum tempo atrás andei me perguntando qual a minha razão de ser no mundo... Hoje, estranhamente, acho esse questionamento pessoal patético (e talvez amanhã eu ache patético achar patético esse questionamento pessoal e volte a valorizá-lo, kkkkk).

Mas é questão hoje é nova e é essa: “Quem disse que temos que ser algo?”.

Esse questionamento meio que nos empurra para um dos estereótipos já estabelecidos e louváveis pelo cânon social; e, que fique claro, não estou aqui desprezando esse cânon e os maravilhosos postulados, especialmente os profissionais, que estabelece – que seria de mim sem os médicos, os professores, os cozinheiros, os costureiros? Apenas gostaria de focar O QUE SE É, não porque se estudou pra isso, não o que um titulo estabelece, mas o que fica de nós quando ninguém vê...

Compliquei? Deixa eu tentar exemplificar...

Digamos que você seja médico(a), certo? Você estuda o corpo humano e suas funções por exaustivos longos anos, se especializa numa área, trabalha pra “dedeu” (ao menos alguns, nesse exemplo é importante que você se imagine um(a) médico(a) trabalhador(a) e dedicado(a), kkkkkkk), constrói sua bela casa e constitui uma família. Aparentemente uma vida perfeita: esforço, trabalho, grana e família. Mas você não é médico o tempo todo, é?

Imagina se fosse, ao chegar em casa, num momento de intimidade com seu cônjuge: “amor, enquanto você me abraça o meu hipotálamo se estimula fazendo com que minhas glândulas supra renais produzam adrenalina e as fibras nervosas produzam noradrenalina agindo simultaneamente aumentando o pulso cardíaco e a temperatura do meu corpo junto ao seu e ampliando a sensibilidade das zonas erógenas para que sintamos prazer... vamos copular...”.

Já imaginaram que coisa chata? Kkkkkkkkkkkkkk...

É justamente disso que estou falando, do quem somos além dos títulos; de como somos quando ninguém vê... Quando somos exageradamente gente... Quando somos nós mesmos... entende?

É nessa perspectiva que repenso o meu papel!
E essa palavra “papel” me inspira a imagem do que sou quando nada sou – UM LIVRO!!!
Acho que nenhuma outra imagem simbólica poderia melhor me expressar...
Sei que há quem pense que a melhor imagem pra expressar-me seria uma vitrola com a agulha emperrada já que falo pelos cotovelos, kkkkkkkkkkkkkkk. Bem pensado, amigos!!! Mas é que costumamos nos ouvir tão pouco que acabo sentindo a necessidade de falar muito para que ao menos um pouco seja apreendido...
Não me entendo uma vitrola velha e sim UM LIVRO!!!

Aprendi, desde muito cedo, a importância do outro: seu encantamento, sua história, seus medos, desvalores e virtudes; descobri nesse contato com o outro o meu prazer. Hoje sei que acabei sendo, ao longo dessa história, um livro em branco aonde as pessoas, ao passarem por mim, foram escrevendo suas histórias...

Ri com algumas... chorei com outras tantas... porque, sendo escritas em mim, essas histórias tornaram-se a minha história. Por um tempo achei que havia me negligenciado a mim mesmo dando sempre mais importância a necessidade do outro, a história do outro... MAS NÃO!!! A história do outro passou a ser a minha história no momento em que ele se inscreveu no livro da minha vida.

De fato, essa reflexão depende de que valor se dá as relações... As pessoas escrevem suas histórias e passam, vão atrás dos seus sonhos e das suas prioridades; correm apressadas em busca de ser algo bonito e aparente que lhes garanta a idéia de segurança e poder tão desejadas por todos.

SEGURANÇA E PODER... Duas palavras as quais não posso almejar. Estabeleci como prioridade as minhas relações; construí meu mundo retirando dele os tijolos que adiciono as muralhas dos outros me tornando cada vez mais pobre, desamparado e livre. Como ter segurança e poder assim? Kkkkkkkkkkkkk...

Mas entenda-se: não tenho segurança e poder no sentido entendido como as pessoas buscam, mas carrego comigo a SEGURANÇA de saber que esse emaranhado sem valor que pareço faz sentido; que cada encontro, cada partilha, cada olhar, cada abraço, que cada coisa fez, faz, e dá todo sentido a minha vida. E tenho ainda comigo o PODER de amar as pessoas e não ter medo de me esconder por isso, aonde existe quem tenha medo de amar e admitir-se amante por medo de, inversamente a sua idéia de poder, parecer fraco.

Quantas miragens essa jornada pode nos apresentar pegando-nos em nossas sedes de acúmulos, segurança e poder...

De minha parte, vou me tornando cada vez mais pobre, pelas coisas as quais me proponho a deixar para trás e pelas coisas que não posso levar comigo (mesmo quando gostaria de fazê-lo); simultaneamente, me torno cada vez mais livre, e mesmo quando preso às histórias e pessoas, ainda livre, porque livremente escolhi prender-me...

No fim, não serei nada além de um velho livro de histórias...
Às vezes tendo virado a página...
Às vezes sendo página virada...

Louvado seja o Amor por permitir que seu evangelho seja compreendido na entrelinha dessa vida tão encantadora e repleta de histórias e significados.

Contato

Esse é um breve texto de carinho para com os leitores desse blog espalhados pelo mundo (com um beijo especial aos leitores de Portugal e dos Estados Unidos que têm se feito fiéis a essa leitura).
É excepcionalmente bom saber que todas essas alusões escritas aqui ao que nos faz tão humanos encontra ecos em vocês!
Para estreitar nossos laços estou disponibilizando um e-mail para um contato mais pessoal com os leitores que quiserem fazer alguma partilha:

Beijo na bunda para todos!!! kkkkkkkkkkk
RENNAN BARROS

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Borrachas


Queria saber de onde vem essa mania de sonhar...
Não sei aonde ou quando começou e nem mesmo quando se finda...

Há vezes em que gostaria de me livrar dela, pela incoerência que causa: dá a tudo cor e timbre excepcionais me atraindo e ligando a tudo quanto é bom e belo, fazendo mesmo tudo parecer bom e belo; mas ás vezes só o são para mim... Por isso gostaria de me livrar dessa estranha doença de inquietude que me condena a viver entre o paralelismo de real e imaginário sem nunca saber separar um e outro.
Mas se imagino a mim mesmo sem sonho... o que restaria? Só um lugar vazio... apenas isso...

É esse encantamento como que um rio que parte de mim em direção a tudo, mas que deságua em mim, no lugar de sua origem, de forma que nunca cessa...

Mas dói!!! Dói conter toda essa “caudalância” interior de forma a sentir sua represa sempre em risco de estourar e desaguar-me tão longe e em tantas direções que não sei se saberia novamente me juntar...

Amo o sonhar e detesto o sonho!!!

Amo, porque não saberia olhar por outra ótica se não essa caleidoscópica por onde enxergo, e odeio pela dor incoerente de saber da incoerência do real...

De todas as borrachas capazes de apagar as cores com que pinto estão a inverdade, a falta de sinceridade e a superficialidade periférica com que as pessoas aprenderam a sentir e viver; por causa delas, dessas borrachas, estou sempre tendo que fazer reparos no desenho; tantos já tendo sido feitos que temo já não saber o original...

Estou cansado da traição do real; cansado de não poder nada ser sendo esse nada o tudo que escolhi para ser...

Estou cansado de olhar e ver, nos olhos que vejo, a beleza que esses mesmos olhos se negam a enxergar exaltando “desvalores” como virtudes e renegando virtudes como que sem valor...

Ah! Mas sei que um dia, mesmo sem saber se perto ou longe, se esperando-o ou o escolhendo, sei que um dia serei tudo, me misturarei a tudo, a esse todo borrado de pessoas e sonhos, e nunca mais borracha nenhuma me há de apagar...

terça-feira, 22 de junho de 2010

AH! DÁ LICENÇA!!!


Um amigo disse ter se sentido deslocado na minha casa e minha presença creio que por eu não tê-lo recebido com festa, flores, um beijo na boca e óleo perfumado para sua cabeça... kkkkkkkk... Engraçado: eu o conheço tem já algum tempo, e não falo com ele tem algum tempo também; mas esse amigo parece desconhecer que uso telefone e e-mail, mesmo quando já fui ao seu encontro por esses meios...
Tudo isso é muito engraçado!!! Kkkkkkkk...

Passei alguns dias pensando no que dizer, diante do que conheço de um outro amigo, que fosse de proveito para sua vida num momento específico... kkkkkkkk... Depois disso escutei que só me envolvo num projeto que partilhamos por não ter melhor coisa para fazer e que nunca sabe quando estou brincando ou falando sério... Depois de mais de 5 anos? Dá licença!!! Kkkkkkkkk...

Ah! Tem também um outro que, se me encontra no MSN, quer atenção exclusiva sem levar em conta outras atribuições que me exigem do lado de cá da rede... kkkkkkkkkkkkkkk... Acho que ele esqueceu que ainda existe TIM Infinity... kkkkkk...

Essa vocês vão adorar: tem um amigo que adora repetir atitudes que não gosto e sobre as quais já expressei aborrecimento; acho que com esse falo grego, porque diz nunca ter me ouvido comentar isso ou aquilo e quer resolver tudo com um “me desculpe”. Desculpar a gente até desculpa, mas ficar com a cara lisa? Dá licença!!! Se fura alguém com um canivete, pode até se arrepender e colocar remédio e ataduras, mas vai ter de esperar sarar...

Eita! Teve uma outra vez também que alguns dos amigos com quem mais me comunico tinham um evento em comum junto a outros amigos que partilhamos – NÃO FUI CONVIDADO!!! – e ainda me criticaram pelas costas por eu não ter comparecido... kkkkkkkkkkk... Isso é que é uma falta de absurdo!!!

Amiguinhos!!! AlôÔ!!!
Assim a empresa aqui vai a falência!!! Se só faz investimento, investimento, investimento, sem retorno, a bodega fecha!!!

É como um Banco: tem um capital e, por mais que seja numeroso, não é infinito.
Não sei se você já pensou nisso na infância, mas eu me perguntava: por que não fazem um montão de dinheiro e distribuem para as pessoas? Assim não teria mais pobreza... Não é só um papel pintado? Alguém tem de produzi-lo; então porque não produz mais?

E a resposta para essa pergunta é simples, mas só compreendi quando adulto: o papel moeda é só um símbolo de um sistema inaugurado a milênios, desde que começaram as primeiras trocas e, através dele, e da cultura que gerou, somos quem somos; essa medida, de aparência prática e justa (ao menos para um coração infantil), colocaria a baixo milênios da cultura que conhecemos e teríamos que reaprender tudo, reinventar tudo, reorganizar tudo, do zero!

Da mesma forma acontece com os afetos. O principio para todo afeto é a RELAÇÃO. E essa, meus amigos, é um exercício que, se não for mutuo, deixa de existir, porque descumpre, em si mesma, sua finalidade e especificidade.

Então as relações não são gratuitas?
Não!!! Claro que não!!!
Boas relações são recheadas de atitudes gratuitas; mas a relação em si mesma não, essa imprescinde cumplicidade além da gratuidade...

Não sei se congui dizer o que pretendi ao iniciar esse inscrito, mas gostaria de repetir uma coisa:

“AH! DÁ LICENÇA!!!”
Achei que vocês eram egoístas, mas volto atrás, são todos iguais e, sendo assim, sendo maioria, acho que eu que sou esquizofrênico, chato, egoísta e reclamão... Aceito meus predicativos!!! Mas para quem interessar gostaria de dizer:

“Sempre chega a hora que o camelo tem sede!!!”
E que, a partir de agora, quem quiser parte minha, tenha parte comigo...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A outra margem



Estou do lado de cá da margem...
De alguma forma já desvendei grande parte dos mistérios de cá.
Digo grande parte porque nunca hão de se descobrir todos os mistérios; porque uma mesma flor de hortência, entendida como azulada, pode revelar inúmeras nuances diferentes se submetida a diferentes intensidades de luz...
Intensidade... palavra significativa hoje pra mim! Talvez eu não esteja imprimindo a intensidade necessária aos meus dias de forma a poder redescobrir as muitas faces das mesmas coisas que conheci na margem de cá...
Preciso descobrir a outra margem... descobrir o que o escuro esconde, tão escondido quanto o excesso de claridade... Os caminhos do lado de cá parecem terem-se tornado pequenos para os meus pés, as roupas pequenas para minha alma e o sono insuficiente para os meus sonhos...
E sabe o que é mais estranho?
Sou pequeno!!! Meus pés são pequenos... os meus sonhos são pequenos...
Vivo o paradoxo do pequeno feito grande: abraçar o que é pequeno é um caminho inverso e se faz, por vezes, mas difícil de atingir que a própria grandeza...
Tenho que atingir a outra margem, e isso não implica em mudar, ir embora, talvez implique em posicionar-me de uma forma que mude o foco da minha visão de forma a, distanciando-me, virando-me, olhar para essa exato lugar onde estou, e ponto de partida para qualquer lugar, e atravessar a linha que me separa de mim mesmo, de tudo o que amo e acredito.
Disse que esse atravessar para a outra margem não implica em mudar, ir embora, mas, com certeza, implica em partir. Partir no sentido de ter que coisas deixar para trás, mesmo quando a viagem é de encontro ao refluxo da alma. Partir no sentido de fracionar, que não é necessariamente dividir, mas multiplicar pois, ao “partir” uma coisa que é única, automaticamente se estará multiplicando em, no mínimo, dois...
Partir é sempre significativo em si mesmo, pela saudade que toda part(ida) implica, pela leveza que toda partida gera por não se poder levar mais do que o necessário para bem poder voltar...
Na organização dessa partida, tive que emancipar alguns que, amando livre, prendi. Não os prendi, porque nunca ficaram em si mesmo se não no que deles construí e mantive – nessa manutenção minha prisão... Amei-os na liberdade, mas prendi-me na empresa de querê-los felizes; mas quem disse que compartilhamos mesma idéia de felicidade?
Na margem de cá fui só, sofri-me, sabendo-me só, mas achando-me acompanhado. Na margem de lá, quero estar só sabendo-me só, e assim já não sofrer ausências quando precisar falar – no mínimo, falando a mim mesmo, aprenderei a me ouvir, e talvez entenda a grande evocação que ecoa no coração do todo homem e entenda um pouco mais do sentido por trás de tudo isso...
Estranhas tantas palavras para a elucidação de uma coisa tão simples – partir e voltar (me) para o mesmo lugar de onde olho e sou.
Alguém, aí atrás, chamou a “visão metafísica” do mundo, das relações, e das coisas “tomar no furico”, eu chamo POESIA.

sábado, 5 de junho de 2010

Desencantos


Um amigo Fabio Cobra me "cobrou" uma nova postagem... kkkkkkkkkkkkkk...

Confesso que ainda estou no estado da última postagem, um estado de tranquilidade e paz que adormece meus sentidos para novas descobertas e sentimentos.

Pensei comigo mesmo: "O que dizer que seja útil à vida afetiva desse meu amigo, à minha, e à de todos que vierem a ler esse texto?".

Aí lembrei de uma frase que li de um amigo hoje no msn: "Estou cansado dessas mesmas palavras que me trouxeram até aqui hoje e só tomei no furico". Uma frase forte de alguém sob efeito de DESENCANTO e que, salvaguardando sua autoria, tomo por base de reflexão.

O contexto no qual a frase se inseriu é bem simples: há bem pouco tempo, esse mesmo amigo suspirava pelos cantos tomado de um súbito "excesso de amor" e afirmando sua necessidade em partilhar esse excesso com alguém. Procurou daqui, procurou dali, e nada!!! Sua postura gratuita de amor esbarrou, por várias vezes, nas redomas de egoísmo e centralização das pessoas à sua volta. Resultado: DESENCANTO.

Foi aí que tentei dizer da necessidade do ENCANTO como um subsídio afetivo que se processa na subjetividade da gente. Acho que é essa a finalidade da beleza, da arte e do amor - ENCANTAR A GENTE. A realidade concreta, em si mesma, é vazia, áspera, até dura demais em alguns pontos; sem essa reserva lúdica de ENCANTAMENTO acabaremos por sucumbir ou, no mínimo, nos tornarmos vazios, secos, DESENCANTADOS.

Algumas vezes é preciso sofrer esse desacreditar em alguns conceitos e pessoas mesmo, até pra dar uma avaliada nos valores que nos norteiam, mas sem nunca perder o foco do ENCANTO - e também para não agir como imbecis aluados, não estou aqui estimulando atitudes fora da concretude das nossas relações, mas ressaltando a importância da manutenção desse recurso interior, o ENCANTAMENTO, como de imprescindível importância na manutenção da nossa saúde afetiva e ideológica.

É justamente nesse lugar dentro que cultivamos nossas melhores flores de sonhos, projetos, metas, crenças, ideologias e afetos. É justamente nesse lugar dentro que guardamos a base ideológica que nos motiva a efetuar as mudanças em nós mesmos e o desejo de efetuá-las também fora. Sem afetos, sonhos, metas, crenças e ideologias nos tornamos seres meramente físicos, "COMENDO E CAGANDO" até que venha a morte.

Como diria o Mestre:

"Bem aventurados os ENCANTADOS, que não baseiam sua alegria na posse, mas dedicam-se à busca de bens que não se podem vender ou comprar, no máximo partilhar.

Bem aventurados os ENCANTADOS, que choram, porque não abrem mão de ser gente - e bem gente, mas que não DESesperam os momentos de alegria que sempre vem para quem sabe construí-los e esperá-los.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque um dia colherão os frutos da semeadura de amor e mataram sua fome de beleza e sua sede na fonte inestinguível de todo o bem chamada 'Deus'.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque conhecerão a felicidade e descobrirão o que todos almejam chamando 'reino dos céus'."

Amém

sexta-feira, 21 de maio de 2010

De onde vem a paz?


Queria saber de onde vem essa paz...
E também todo esse aconchego dentro...
Esse estado que faz tudo único e a minha rotina tão significativa e exuberante...


Queria saber de onde vem essa liberdade toda dentro...
Sinto-me como me despindo enquanto me dirijo para atirar-me num mar profundo que me envolve por inteiro e encanta; despindo-me das minhas amarras, desatando os meus cadarços, desfazendo o aprendizado burro qur faz a gente achar que sabe alguma coisa...


Queria saber de onde vem essa alegria que me toma de uma forma a não deixar espaço para especulações...
Tenho minha razão como naquele estado entre o sono e a vigilia quando não estamos acordados nem dormindo, sabe? Como se estivesse numa grande almofada numa manhã fria rodeado de travesseiros e enrolado num cobertor cheiroso e macio. Nesse estado, quando acordado de tudo me encanto; quando dormindo, escuto vozes veladas que me conduzem para um lugar que ainda não sei... mas sei que vou!!!


De onde vem a paz? De onde vem essa liberdade? De onde vem toda essa felicidade?
Constrangi-me até hoje por procurar suas razões fora... kkkkkkkkkkk... Que burro que fui!!!
Hoje permito que as razões dentro sejam suficientes por si mesmas...
Permito que a origem divina da paz, da liberdade e da felicidade realize sua obra a partir de mim...


Como na canção, mais uma vez hoje canto:


"Quero abraços sinceros e o sorriso mais belo
por que me conformar com pouco se tudo posso ter?
quero a música das horas e um poema no entardecer
O que Deus desejou pra mim, é o que eu quero ter


Quero o brilho dos olhos e mãos dadas ao vento
por que me conformar com meios se tudo posso ser
quero o livro dos dias e uma estrela ao anoitecer
O que Deus desejou pra mim, é o que eu quero ser"
A quem pague um preço PARA ser feliz. Eu tenho que aprender a pagar o meu POR ser feliz...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre o público e o privado


A reincidência desse tema no âmbito coletivo das nossas amizades me fez desejar falar sobre ele aqui...

Vivemos na era da comunicação! Essa coisa de net acelerou bastante as comunicações e traz para nós, em aceleração, informações sobre tudo o que acontece no mundo e sobre os mais diversos conteúdos.

Não há dúvidas do quanto os valores do tempo interferem na nossa interioridade e formação da nossa personalidade.

Talvez esse excesso e acesso a tantas informações esteja causando certa confusão na nossa compreensão do que seja PÚBLICO e PRIVADO.

Nenhuma mídia é mais pública e estimulante que a vida dos famosos, ibope certo em programas, jornais e revistas...

Mas qual é o limite entre o íntimo e o público?
O público é fácil de entender, é o de domínio de todos! São aqueles assuntos cuja especulação imprescinde ao bem estar coletivo carecendo de compreensão, de posicionamento com relação a eles, de expressão de opinião e tomada de atitude... Simples de entender, né?

Mas o íntimo... ah, o íntimo... o íntimo é o de âmbito privado de cada ser; é o tesourinho de quinquilharias que vale um bocado para quem o coleciona; é o conjunto de sonhos que embeleza e motiva o futuro; é o conjunto de lembranças que dá saudosismo ao passado; é o que nos move e como nos move no presente... Enfim, é o conjunto de coisas que, de valor tão pessoal, deve permanecer velado entre a pessoa que o possui e as pessoas com quem, por afinidade, amor confiança, quer partilhar... E o conjunto de coisas que, se dito, perde a essência, como por exemplo: um cara chega no trabalho e diz “tive uma noitada daquelas e transei com minha esposa ardentemente” – banalizou o ato, jogou as pérolas aos porcos – o conteúdo dessa informação é o tipo daqueles que, ficando no íntimo, motiva, estimula, agrega outros prazeres como: (cara no mundo da lua) “me impressiono em como, depois de tanto tempo, ainda sinto tanto prazer com a minha esposa... como sou feliz por tê-la... não vejo a hora de voltar pra casa e abraçá-la e beijá-la com força e...”.

Para uma coisa ainda preciso alertar: vida íntima não é um processo individualista e egoísta – NÃO!!!

Puxa vida! Daí vem outro processo big bacana – o da partilha da intimidade. Esse processo é aquele em que, por confiança, afeto, amor, consideração, vamos selecionando as pessoas que participam da nossa intimidade e com quem partilhamos dela. Tem coisa mais gostosa do que ter alguém em quem confiar? Alguém junto de quem não se precisa ser forte sempre, nem ter sacadas incríveis a todo tempo, nem esconder nossos medos... Alguém pra sentir junto do corpo e também junto da alma... Alguém que é capaz de entender o valor que tem o mais simples botão guardado na nossa coleçãozinha de valores...

A preservação da vida íntima é também um exercício de subjetividade e inteligência emocional; ajuda a criar, organizar, manter, um mundo de significação interior onde se sente muito prazer em estar e abrir as portas para que também entrem outras subjetividades...

Mas, contudo, esse limite entre o intimo e o público está se perdendo e, com ele, a banalização das relações, sonhos e idéias íntimas; e por que não dizer a banalização da própria subjetividade.

Em reflexão com um amigo, foram duas as imagens que motivaram essa postagem na tentativa de explicar o que seria a exposição desenfreada da intimidade:

“ (...) a nossa vida íntima, como o nome diz, é coisa da intimidade nossa e das pessoas com quem queremos partilhá-la, e só!!! O menor suspiro, além desse limite, é excesso!!! Seria como colocar obras de arte, de extremo valor, em praça pública sem nenhuma proteção - entende?”

“Repito: Vida íntima, como o nome diz, é coisa da intimidade e só deve ser repartida pela pessoa que a detém e com quem ela quer partilhar num processo afetivo de confiança e respeito, qualquer atitude fora disso seria como colocar tapetes persas num salão de forró...”


Não sei se convenci a ele da importância da manutenção da intimidade e de sua importância; não sei se convenci a você que lê; mas acabei, com as imagens acima, convencendo a mim mesmo... kkkkkkkkkkkkkk...

Um brinde a intimidade!!! Eita! Coisa íntima brindar... vinho com alguém especial para depois... ou com amigos também, ao som de baladões românticos no violão... sentados pelo chão, ou melhor, no conforto do tapete persa da intimidade usado para receber amigos e não num salão de forró... kkkkkkkkkkkkkk... e quando se toma café sem pressa lembrando e rindo das presepadas? É ótimo!!! Desculpe, esqueci que você ainda tava aí, e me perdi aqui nessas coisas tão valiosas para a minha intimidade; vou dizer tchau porque não posso parar esse fluxo afetivo incrível aqui dentro – BEIJO... e ler os cartões e cartas antigos? É como reviver, reamar... Fotos? (as feias são as melhores... kkkkkkkkk...) Para mim tem um significado todo especial! E uma forma de participar quando não participamos... ah...............................

sábado, 24 de abril de 2010

Mais algumas burras especulações sobre o amor


Tem coisa mais burra que especular sobre o amor?

Não existe uma razão a ser atribuída que justifique as pessoas quererem ficar juntas... Nem há como explicar o fato quase mágico dessa força unindo vidas, histórias, mundos, experiências, expectativas, tão diversos e sem possibilidade alguma de encaixe pela razão, numa peça única e multifacetada chamada relação...

Por isso afirmo ser burro especular sobre o amor, porque toda reflexão puramente racional sobre ele tenderá inevitavelmente à separação – força inversamente proporcional à sua.

Do amor só se sabe amando! Essa é a grande e indelével verdade!!!

...

Como não queremos ser taxados de burros especulando sobre o amor (mesmo quando muitas vezes o somos), vamos falar sobre nossa postura diante dele – sobre essa sim, há o que se especular.

1º Amar é sofrer!

Essa é uma afirmação muito clara e agir acreditando o contrário é, no mínimo, ingenuidade (para não dizer ignorância).

Quem quer amar sem sofrer, DESISTA!!!

Acho que essa é a grande e monstruosa verdade que assombra o amor: a dor. Todo mundo que já amou de verdade sofreu; depois disso, inevitavelmente orienta seus esforços em não sofrer de novo; se amar de verdade inclui sofrer, querendo não sofrer, vivem-se relações supostas de amor que não matam nossa sede dele... e o constrangimento da sede, especialmente aquela que não se sabe sentida, leva ao vazio e a tristeza – solidão (muitas vezes acompanhada).

Mas por que amar é sofrer? Você pode perguntar.

Carambolas, a resposta já dissemos antes: com relação ao amor nunca se sabe... Não tem um manual de instruções – é um exercício diário! Quando se é de fato experiente se admite que todas as experiências anteriores pouco ou quase nada auxiliam nas novas porque cada relação é uma relação com características e desafios muito particulares e sempre renovados. Nada é mais desafiador que o amor!!! Seria como ter de aprender a andar de bicicleta todos os dias: num dia aprender e, depois de dormir, ao acordar, nada mais saber, e ter de aprender tudo de novo – uma sequência de tombos diários inevitáveis, mas também o prazer e a autonomia inigualáveis de pedalar...

2º O amor é sentimento dos fortes

Segunda afirmação e conseqüência direta da primeira.

A quem, por ter sofrido, acostume-se a amores que só tocam sua superficialidade e com isso se conformem matando a sede do amor à contagotas. Esse é uma característica de pessoas medianas que se conformam em passar pela vida sendo: um pouco felizes, um pouco realizadas, um pouco amadas e, por que não dizer “um pouco gente”.
A quem acredite mesmo que a razão de existir é evitar a dor; gastam assim mais tempo em evitar a dor que em buscar ser felizes. Mas dá pra evitar a dor? A vida é, em si mesma, um exercício de dor... de uma forma ou de outra sempre vem (já falamos sobre isso em algum lugar ai atrás)... mas ser feliz é um exercício de coragem e determinação!!!

Se esse amor minguado, parcial, morno é o escolhido pelos que querem evitar a dor, típico dos fracos, um amor intenso, real, profundo, dolorido e mágico é o sentimento dos fortes...
3º O amor é para sempre x o pra sempre sempre acaba

O amor, entendido como relação, não é pra sempre!!! Não tem como ser!!! São muitas as exigências, expectativas e idéias de realização pessoal tão opostas entre duas pessoas – não dá pra ser pra sempre!!!

E as pessoas que ficaram juntas até a morte, o que você diz delas? Você me pergunta.

Simples!
Mantenho minha afirmação: não foi um amor pra sempre! Foram vários amores, muitas conquistas e reconquistas.
Relações que duram até o fim são o claro exemplo de recordes de conquistas, de renovação do amor em cada nova fase, de muitos “não dá mais” antes de dormir seguidos de “é com você que eu quero estar” logo pela manhã. Não foi um único e uniforme amor prolongado pela vida inteira, mas muitas relações vividas intensamente entre as mesmas duas pessoas.

Não sei se fui claro... Se não consegui, desculpe-me!

Mas quero afirmar também que o amor É PRA SEMPRE!!!

Enquanto as relações são suscetíveis ao fim (e por isso o “para sempre sempre acaba), existe uma outra relação que não se dá entre indivíduos: é a relação entre o ser e o amor e, essa sim, é para sempre!!!

Só as pessoas que amam o amor são capazes de amar alguém com intensidade. Amando o amor amam o “estar amando”. Talvez não vivam uma relação para sempre porque os caminhos entre as pessoas são sinuosos, mas vão amar para sempre e intensamente...

Essas pessoas tem um tal fascínio que é impossível não querê-las por perto, nossa sede de amor nos impulsiona para elas enquanto a exuberância na simplicidade que guardam nos constrange a alma ao mesmo tempo em que nos sentimos instintivamente livres diante delas...

...

Odeio quando chego ao meu limite de palavras!!!

Mas clamo ao AMOR enviar seu Santo Espírito ampliando nossas compreensões além dessas palavras e transformando tudo o que toque em amor...

Amém

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RETIRO


Vivemos um tempo propício de recolhimento e reflexão...
Esse não é um feriado!!! Sei da labuta e dos cansaços da vida e do quanto um dia de folga refrigera nossa alma, mas esses dias, em si, deveriam ser para buscar esse refrigério e descanso em Jesus : “Vinde a mim pois vós que estás cansados e eu vos aliviarei...”.
Também eu, pensando nisso, desejei fazer o meu retiro, não para reconhecer a grandeza de Deus (coisa que não sai da minha cabeça), mas para reconhecer-me nela, para sondar-me na minha relação comigo mesmo, com Deus e com o mundo.
Da minha relação comigo mesmo tenho a mim como base; da minha relação com Deus o tenho sempre; mas na minha relação com o mundo, como refleti-la?
Na última semana da quaresma vivemos, meus amigos e eu, momentos muito intensos... digo intensos pela qualidade na simplicidade. Pudemos ver agregados a nós e nos encantarmos com a exuberância de humana de Gilberto, Ronaldo e Thiago; descobrirmos ainda mais encantos no Esbelto e na Anne BB (linda); reafirmamos a segurança no amor e as exigências dele na amizade com Pepé(olha vc aqui de novo, enxerido), Sandrinha e Joanei; sem contar a presença sempre presente, mesmo na ausência, de Fabinho.
Nada me questiona e estimula mais que isso, que essa vida toda acontecendo à minha volta nas pessoas com quem travo relações e se mostram a mim como possibilidades reais de amar...
Esse é o meu ponto de ligação com o mundo, com a vida, com o real. A minha relação com Deus e comigo mesmo influencia diretamente essa terceira relação, a com o mundo. Será que estou conseguindo reproduzir nela, na minha relação com os outros, a mesma qualidade da minha relação com o Amor e dele comigo?
Me sinto especial! Não vou negar isso nunca! Uma parte desse sentimento é muito concreta, tem sua razão de ser no principio geral da intenção de Deus que nos pensou assim, ESPECIAIS, e reafirmou isso mandando seu filho, sua face de misericórdia, para que pudesse nos resgatar e polir os nossos valores fazendo-os reluzir... Que altíssimo preço Deus pagou por nós!!! Como posso não me sentir especial? Como pode alguém não saber-se especial nesse contexto?
Por outro lado, como cético para com o que penso e sinto de mim mesmo, afora essa parte indelével da nossa especialidade advinda da grandeza de Deus, será que sou mesmo especial ou uso isso para mim mesmo como uma máscara para a minha mediocridade?
Como saber? E o que faz alguém especial?
O que faz alguém especial não é pensar-se especial, mas agir de forma a ser especial...
Não consigo chegar a outra proposição que não essa!
Sendo assim, para averiguar minha relação com o mundo, no campo concreto da ação, do agir além do acreditar, solicitei aos meus amigos mais próximos, aqueles com quem travo relação mais íntima e, por ela, possuem acesso mais profundo a minh’alma, que me conduzissem nessa reflexão mostrando-me pontos aonde posso melhorar; traços que, ajustados, tornariam nossa vivencia ainda mais agradável; pontos em que, vendo-me em desalinho, me orientariam a correção e a felicidade inerente a ela...
Acreditei mesmo nisso!!! E esperei!!! Mas não obtive respostas... Ou melhor: obtive! Mas respostas de isenção de responsabilidade – nada dizer para não se comprometer...
Desculpem-me amigos, se lhes julgo mal, mas essa é uma grande diferença entre nós: eu estou sempre me expondo, falando, reclamando, evidenciando, participando, correndo riscos, nas nossas relações; refleti até com Abreu que detestaria me ter como amigo de tão reclamão e intrometido que sou. Mas vocês... Vocês estão sempre escolhendo o silêncio como resposta. E eu acredito no valor dele usado coerentemente e na hora certa; mas seu uso deliberado também pode ser omissão, uma forma de não se comprometer, de evitar riscos, de ter sempre o não dito como possibilidade de mudar de lado, de voltar atrás...
Enfim, esses somos nós, vocês, finos e calados, e eu mais uma vez me expondo e dando minha cara ao tapa do julgamento por acreditar em relações participativas, concretas, reais, passionais, puras... Agradeço por terem sido vocês mesmos em suas respostas!!! Assim tenho a possibilidade real de amá-los como são, e espero, mesmo no egoísmo de mais uma vez ter refletido a vida e as coisas apenas pelo meu foco e ponto de vista, posto ninguém ter me oferecido um outro, que vocês também consigam me amar como sou.

FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!


OBS: Fabinho (o cobra) enviou resposta ao meu pedido de retiro... Grato, amigo!!! Obrigado por fazer a diferença e me ajudar a continuar acreditando.

Dedico a todos vocês, aos que participam e aos que lêem, essa últim canção que escrevi...


MEU VÍCIO


Às vezes tenho tanta coisa pra dizer
mas não encontro as palavras
Encho todo o tempo todo mundo de perguntas
não recebo respostas


Estou cansado de ficar acordado enquanto todos dormem
e de gritar a todo instante o que ninguém parece ouvir


Às vezes eu me sinto incoerente
com quem anada ao meu lado
É que o caminho mesmo sendo único pra os dois
quase nunca é o mesmo


Estão tentando convencer-me que a mola do mundo é o egoísmo e não o amor
e que a resposta pras minhas perguntas é inevitavelmente a dor


Mas aindo insisto em acreditar haver palavras
que revelem o que a gente traz por dentro
Vou continuar acreditando nas pessoas
esse é o meu vício
E não implica em não precisar nunca mais chorar
apenas que a lágrima sofrida
é lágrima de acreditar...
lágrima de amar...

domingo, 28 de março de 2010

O bumerangue

Estávamos, Pepé e eu, falando sobre relações... Em como nosso grupo de amigos, em tantos momentos unido no ano passado, agora estava disperso; cada um, a seu modo, em busca de realização. Pensamos no quanto era bom e fácil nos amarmos quando juntos e partilhando sempre, e em como é difícil agora manter o mesmo vínculo à distância.
Nesse ponto voltamos ao velho ponto da liberdade, e pude reafirmar o que para mim é a exigência mais sublime do amor: EMANCIPAR, DEIXAR PARTIR.
Numa coincidência, também com Sandrinha e Anne BB o tema da posse, projeções e expectativas nas relações, voltou.
Daí, tomando emprestado a magia e o encantamento pedagógico dos contos, redigi esse, que desejo, do mais profundo do coração, ser para nós, e para todos vocês que, de alguma forma lêem esse blog (em especial a alguém do estremo oeste dos Estados Unidos e também alguém de Portugal, pela fidelidade a esse ponto nosso de encontro), um profundo momento de reflexão.

O bumerangue

Certo dia um zeloso pai estava consertando a bicicleta do seu filho, tirando as rodinhas de apoio, quando ele chegou aos prantos:
- Pai meu passarinho foi embora! Aproveitou um tempinho em que eu estava botando comida pra ele e deixei a porta aberta, e voou...
O pai, atento ao serviço a que se dedicava, não conseguiu ver muito no fato de um passarinho voar da gaiola e disse:
- Não chora filho! Isso acontece...
Mas o filho não se conformava:
- Mas pai, ele não podia ter voado! Eu o amava tanto... Mantinha a gaiola dele sempre limpinha, a água fresca e a comida sempre renovada... Tentava proteger e ser um bom para ele como o senhor é para mim, e mesmo assim ele fugiu. Ele não podia ter feito isso comigo! Ele era o meu passarinho. Eu o amava, mas acho que ele nunca me amou...
O filhinho não parava de chorar, e diante de tão bons e sofridos argumentos o pai resolver dar-lhe uma lição:
- Não pense assim, filho! Seu pássaro o amava sim! Mas você esqueceu uma coisa: ele não era seu...
- Claro que era! Foi o senhor mesmo que me deu de presente, lembra? – contra-argumentou o filho.
- Meu filho, cada ser no mundo tem um instinto e uma essência a cumprir. Está no instinto do pássaro voar, e na sua essência a liberdade. Por isso afirmei que não era seu. A gaiola limpa, a água fresca, a comida renovada, o carinho que você dispensava a ele – essa é a sua essência e, embora fosse tudo muito bom para ele, não supria sua necessidade de cumprir a sua própria história e essência.
- Mas pai, solto, sozinho, pode ser que ele não encontre alimento, nem água...
- É verdade filho, você tem razão mais uma vez. Mas o seu pássaro, assim como as pessoas, embora falem sempre em querer se sentir seguras, não se conformam com a segurança, porque isso lhes limita a experiência. Por exemplo: sei que você pode cair, e não quero que se fira, mas estou tirando as rodinhas da sua bicicleta para que você se arrisque, faça a experiência, e consiga andar sem os apoios; uma espécie de risco necessário. Você vai cair, e mesmo te amando, não posso te proibir de andar de bicicleta apenas para te proteger; a única coisa que posso fazer é estar aqui de prontidão para curar os seus machucados quando você chegar ralado...
- Ainda não entendi, pai. Não consigo pensar que meu pássaro, a quem tanto amei e cuidei, tenha me deixado sem me sentir traído.
O pai então percebeu que, pela razão, não faria cessar a dor do filho, e que precisava também de um exemplo menos complexo para ensiná-lo.
- Filho, vai lá na sua caixa de brinquedos e me traga seu bumerangue.
O menino saiu correndo e num instante chegou com o bumerangue na mão.
- Pronto, pai, aqui está!
- Agora jogue ele com força. – disse o pai.
O menino fez como o pai havia sugerido, lançou o bumerangue com força e, como é próprio do objeto, ele girou, foi longe, e voltou. Quando o bumerangue tocou de novo a mão do filho, o pai retomou a explicação:
- Assim devemos agir com as pessoas que amamos, filho: deixando-as livres para ir, para seguir em busca de suas essências, de suas próprias idéias de realização. Dessa forma, como o bumerangue, se elas nos amam, sempre voltam, não porque são nossas, mas porque nos amam e querem voltar, querem ficar ao nosso lado...
Houve um breve silêncio... Por causa dele o pai, entristecido, achou que o filho não havia entendido nada...
O menino então se levantou devagar e o pai o acompanhou com o olhar; ele foi até a gaiola, limpou o cochinho e trocou a comida, lavou o bebedouro e encheu de água fresca, dirigiu-se até o peitoral da janela e os depositou ali...
O pai aproximou-se e perguntou:
- O que você está fazendo, meu filho?
- Talvez meu pássaro me ame e queira voltar. Se ele quiser voltar, quando ele chegar, quero que saiba que o esperei e que não quero mais colocá-lo na gaiola... E se ele não me perdoar por tê-lo prendido, outro passarinho pode vir e comer aqui; depois ele vai para a natureza e cumpre a essência dele de ser pássaro, mas no outro dia ele volta de novo para comer, assim como o bumerangue, e eu terei de novo um amigo pássaro vindo ficar comigo num ou noutro momento do dia, não porque eu o prendi, mas porque ele quis voltar...
Terminadas essas palavras o menino riu, saiu correndo, pegou a bicicleta que já estava pronta e sem as rodinhas, e saiu tentando se equilibrar. E o pai, ainda engasgado com a emoção do que tinha acabado de ouvir, olhava seu pequeno “bumerangue” se afastar sem dizer nada, apenas com uma silenciosa oração de gratidão a Deus em seu coração.


OBS: na próxima postagem continuaremos com o tema...

terça-feira, 16 de março de 2010

Palavras e silêncio

A tia (Celi) me pediu para escrever algo que apresentasse nosso trabalho do álbum “Ecos do Deserto” e, diante dessa tarefa, silenciei...

Não sei explicar... É que a idéia de ter de escrever algo que seja aceitável, bom, comercial, me prende e constrange; na verdade gostaria de dizer apenas uma meia dúzia de palavras dizendo como foi bom fazer ou o quanto esse trabalho significa para nós, mas infelizmente isso não iria fazê-lo significar para as outras pessoas, porque essa relação de significação é muito pessoal.
Acho mesmo, ao menos gostaria que fosse assim, podermos dizer algumas simples palavras e nelas ter revelados tudo, todo, o que sentimos, e que às vezes só é entendido ou dito gracioso de extenso, enfeitado, enfadonho e DITO, sem deixar espaço para que os outros sonhem também.
Pra falar a verdade não gosto muito do dito! Ele diz e pronto! Não dá espaço para o sonho... Acho mesmo que as palavras deveriam ser como que a corda de um brinquedo mágico que, uma vez dada, não encerra em si a brincadeira, mas a inicia, dá pulso a brincadeira linda de sonhar...
Tenho me perguntado, nessa quaresma, o que aconteceu comigo... esse sempre foi um tempo muito profundo pra mim, e às vezes até um tanto melancólico e triste; Mas esse ano, e ainda não sei o que ele tem de especial (mesmo quando a gente sempre sabe), meditar a paixão do Senhor não me melindra nem entristece, me faz acreditar nos sonhos: nos meus e nos de Deus... Estranhamente, não consigo mais me penalizar com a dor de Cristo, ela parece insignificante diante da grandeza da consumação da vontade dele unida à do Pai – Pai, Filho e Espírito Santo, na mesma cruz, realizando seu sonho de amor e redenção para a humanidade inteira...

Continuo sem conseguir dizer nada do Ecos, tia. Ainda ecoa dentro o cantado:
“Uma palavra de amor basta. O amor fala pouco e se expressa mais no silêncio”.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quando silencio...

Estou optando pelo silêncio...
Acho, de mim mesmo, essa uma decisão muita sábia e acertada:
(...) amores ditos nem sempre são amores sentidos, mas o que dizer dos amores velados pelo silêncio?
Livros de muitas páginas as vezes dizem menos que uma boa frase colocada numa hora propícia...
Muitas palavras nem sempre dizem alguma coisa! Um bom dicionário, por exemplo, tem enésimas palavras, e não diz nada além de apontar para o bom senso no uso das palavras; e bom senso é algo do que ando fugindo, embora ele sempre me ache... que droga!!!

Silenciar não vai ser uma tarefa difícil. Por muito tempo silenciei... acho até que era mais coerente comigo mesmo quando mantinha em silencio tudo, ou parte de tudo. Chamavam-me de enigmático e sombrio, “aquele a quem não se decifra”...
Achei, por algum tempo, que deveria comunicar meu mundo interior, partilhá-lo, equipará-lo ao grande mundo entendido por todos e fazê-lo entendido ao menos por poucos... A idéia era boa, embora imprecisa e ineficaz – Ninguém quer ouvir ninguém, as pessoas só ouvem os ecos dos seus próprios apelos, ouvem o que querem ouvir, ou ao menos o que lhes é conveniente ouvir...

Por causa disso aprendo que, fora da arte, toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

Sem contar que ainda tenho o artifício do engano: sempre falei muito e ninguém ouviu nem entendeu! Ao menos agora posso justificar dizendo-me que ninguém ouviu porque eu não disse... kkkkkkkkkkkk... Uma forma engenhosa de amenizar dores que não vão passar, quer eu pense nelas ou não!

Ah! Também me livro de aborrecimentos! Aderindo ao silêncio como direito de resposta evito envolver-me em tantos aborrecimentos e contendas desnecessárias a mim tão comuns causadas pelas palavras que digo amando mas não tendendo agradar; palavras que sempre foram a expressão do meu respeito, fidelidade às pessoas (achei mesmo que uma linda forma de amar era colocar-me claro sobre tudo junto aos que amo); assim, nunca lhes comuniquei as palavras que queriam ouvir sendo-lhes de alguma tristeza ou aborrecimento – o que nunca desejei!

Que venha o silêncio!!! Palavras, embora para mim como pássaros saindo em bando do meu coração para traduzir-se em meu canto, fala ou escritos, são apenas palavras...

Repito uma verdade para mim, que posso até considerar mentira aí mais adiante, mas que agora é luz que me norteia: fora da arte toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

A todos os que estão acostumados com minha tagarelice que pouco diz ou nada, não estranhem se me faltam as palavras... agora é hora de que grite meu silêncio!!!

Uma última coisa vou segredar-lhes:
Delimitei-me um tempo, consideravelmente curto, para lutar ainda por mim e pelo que acredito... Sei que não é atitude muito inteligente, mas imprescindível aos passos que tenho que aprender a dar.
Delimitei-me um tempo para lutar ainda por mim e pelo que acredito...Não conseguindo, render-me-ei ao mar comum contra cujas ondas tenho lutado há muito para não me deixar abater e afogar; cederei ao mar comum...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Chuva, café e "bolo de caco"

Ontem foi um dia daqueles - único!!!
Não que todos os dias não sejam únicos... Mas é que alguns são especialmente únicos! Tem meio que o poder de expandir nossos sentidos sensibilizando-os de uma forma que nada é capaz de passar desapercebido: o friozinho sutil que entra pela janela - parece até que é visível e podemos tocá-lo; as gotas de chuva lá fora - em cãmera lenta como se pudessemos contá-los; e o cheiro maravilhoso que vem da cozinha misturando o aroma insubstituível de café fresquinho e "bolos de caco" - aromas que juntos causam um deleite aos sentidos e uma explosão na memória trazendo as mais doces lembranças e rostos...


Assim foi minha quinta! Uma quinta (in)comum!!! "In" no sentido de dentro, inscrito, sacralizado, no que é totalmente comum e perfeito!!! E"in"no sentido de diferente, fora do comum por sua especificidade.


Estou comigo há já alguns dias como desejei... E é essa uma experiência, é como olhar-se no espelho por muito tempo - pode levar alguém a loucura!!! E como, para mim, esse limite entre loucura e sanidade misturou-se totalmente, torno-me cada vez mais são na loucura e cada vez mais louco na sanidade... kkkkkkkkkkkkkkkk...


Hoje é sexta!!! E comigo uma lembrança entristecida: poderia ter aproveitado melhor minha quinta... poderia ter selecionado melhor as ocupações para melhor poder usufruir daquele presente... poderia ter agradecido mais... poderia ter saido mais da superficialidade e, mais uma vez, mergulhado fundo!!!


Tenho me comportado como um mergulhador disposto a bater um recorde: o de profundidade sem balão de ar. Cada vez vou mais fundo vendo em mim coisas que jamais imaginaria; e é cada vez mais exigente esse mergulho... Fui algumas vezes tão fundo que ultrapassei o limite do ar beirando a inconsciência... É possivel mesmo que, em mais um desses mergulhos, eu não consiga mais voltar... Mas terei conhecido do que sou muito mais do que muitos que por aqui passaram... Acho que, assim, terei batido meu recorde...


Que sacralidade há no que é comum e aparentemente sem valor!!!
Cada segundo é sagrado! Cada coisa é segrada! Cada sonho ou pensamento é sagrado! (...)
E como só é sagrado o que tocado por Deus - em tudo está Deus! Está Deus TODO em tudo!!!Busquemo-lo!!! E nos deixemos encantar em seus encantos...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NADA


Não sou bom em nada!
Nem bom poeta, nem bom cantor...
Não sei fazer nem o que acredito servir pra fazer...

Na verdade não sou bom em nada!!!
Mas talvez seja bom em ceder... Em permitir que Aquele que é bom o seja em mim...
Mas nem disso posso gabar-me: um instrumento não pode gabar-se, porque não existe em sua funcionalidade sem alguém que o opere!
Sou só um instrumento ruim e ineficaz!

Vejo coisas que as pessoas parecem não ver, escuto melodias que parecem não ouvir, toco e inalo flores e odores primaveris que ninguém parece tocar ou sentir, pelo menos não acordados... Mas não posso tomar parte em nada disso...

Podem os óculos tomar para si o que os olhos vêem?
Um violão oco e vazio querer ser dono da música que entra nele, se amplia e sai?
Ou uma enxada querer ter mérito num jardim florido por revirar a terra elementar?
Sou um grande nada, confundido entre a grandeza do que me toca os sentidos e a mediocridade da razão...

Não sou nada... E, estranhamente, hoje, esse nada ser não constrange meu ego. Ao contrário, lhe dá prazer, nem imenso nem pequeno, mas tênue e constante capaz o suficiente de tocar todos os recônditos do que sou, do nada que sou, do tudo que pareço ser quando nada sou, do nada onde pareço estar quando tudo sou... do silêncio que agora se apresenta como melhor forma de explicar o que sentido e não conseguido dizer nessas palavras...

...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Good Bye Fábio Cobra

Eu, de minha parte, não acho que seja prudente cobra ganhar asas... Mas se o Senhor supremo decidiu assim, que poderei eu dizer? kkkkkkkkkkkk... O Cobra voou!!!

Voou em direção ao que acredita de felicidade e, se for de fato feliz, acho que serei também um pouco feliz e realizado na parte minha que ele leva.

Não me incomodo muito com partidas... Acho até muito bacana o exercício de deixar partir, não o que não nos interessa e se faz fácil deixar ir, mas justamente o que nos é muito caro - EMANCIPAR É UM DOS MAIS SUBLIMES EXERCÍCIOS AFETIVOS!!! E no mais, acredito na canção que diz: "perto estás se dentro estás..."; Assim, distâncias são bobagens quando sabemos nos encontrar dentro...


Certa vez, quando eu era um adolescente de uns 17 anos (não um de 28 como agora, kkkkk...), escrevi uns versinhos em ocasião de partida de um amigo... esses versinhos juvenis foram ganhando sentido ao longo da minha vida desde então e hoje, em ocasião de partida tão especial, decidi partilha-los com vocês:


ENTRE A CHEGADA E A PARTIDA


A vida é uma longa travessia
onde estamos de uma forma ou de outra chegando
de um jeito ou de outro partindo
mas encontrando
sempre encontrando

Quantas não foram as pessoas
que chegaram silenciosamente em nossas vidas
sem que ao menos nos déssemos por conta
e que tiveram seu valor revelado num instante de despedida

E quantas não foram as pessoas
que chegaram alarmantes
devastadoras como um tufão
e partiram silenciosas como a doce brisa

Não importa se notadas
na chegada ou na partida
importa tão somente a existência
a existência tão somente é o que importa

E o que vale nesse breve
tão imensamente breve
que separa a chegada da partida é o encontro
a troca
Vale tão somente o amor
O amor tão somente é o que vale

E se ainda perguntasse
como no lacerar de um punhal cortante
De quem é a maior dor
se de quem fica ou de quem parte
quem responderia sem se deixar ser tragado pelas ondas
gélidas e tórridas do mar da saudade

Quem?
Se para quem parte há a dor que leva
Há a dor que fica
Se para quem permanece há a dor que fica
Há a dor que vai

Dor por dor
Vale a alegria
O gozo do breve
por mais breve que esse seja

Pois do tempo se tem tudo e todo o menos
Tudo menos sinônimo de qualidade
pois quantos não foram os amigos verdadeiros conquistados num breve instante
e os não amigos nunca feitos
Adentro a eternidade
nunca feitos
nunca amigados

Mais valeria para nós fazer de cada encontro o último
e de cada novo encontro recomeço
Nessa perspectiva
encontros e despedidas desvanecem-se
tudo é encontro e despedida
nada é despedida e encontro


Por fim, ao Fábio Cobra, que descobriu agora ter asas, um verso do Russo que diz:
"vai com os anjos/vai em paz/era assim todo dia de tarde/ a descoberta da amizade/ Até a próxima vez!!!".