sábado, 5 de junho de 2010

Desencantos


Um amigo Fabio Cobra me "cobrou" uma nova postagem... kkkkkkkkkkkkkk...

Confesso que ainda estou no estado da última postagem, um estado de tranquilidade e paz que adormece meus sentidos para novas descobertas e sentimentos.

Pensei comigo mesmo: "O que dizer que seja útil à vida afetiva desse meu amigo, à minha, e à de todos que vierem a ler esse texto?".

Aí lembrei de uma frase que li de um amigo hoje no msn: "Estou cansado dessas mesmas palavras que me trouxeram até aqui hoje e só tomei no furico". Uma frase forte de alguém sob efeito de DESENCANTO e que, salvaguardando sua autoria, tomo por base de reflexão.

O contexto no qual a frase se inseriu é bem simples: há bem pouco tempo, esse mesmo amigo suspirava pelos cantos tomado de um súbito "excesso de amor" e afirmando sua necessidade em partilhar esse excesso com alguém. Procurou daqui, procurou dali, e nada!!! Sua postura gratuita de amor esbarrou, por várias vezes, nas redomas de egoísmo e centralização das pessoas à sua volta. Resultado: DESENCANTO.

Foi aí que tentei dizer da necessidade do ENCANTO como um subsídio afetivo que se processa na subjetividade da gente. Acho que é essa a finalidade da beleza, da arte e do amor - ENCANTAR A GENTE. A realidade concreta, em si mesma, é vazia, áspera, até dura demais em alguns pontos; sem essa reserva lúdica de ENCANTAMENTO acabaremos por sucumbir ou, no mínimo, nos tornarmos vazios, secos, DESENCANTADOS.

Algumas vezes é preciso sofrer esse desacreditar em alguns conceitos e pessoas mesmo, até pra dar uma avaliada nos valores que nos norteiam, mas sem nunca perder o foco do ENCANTO - e também para não agir como imbecis aluados, não estou aqui estimulando atitudes fora da concretude das nossas relações, mas ressaltando a importância da manutenção desse recurso interior, o ENCANTAMENTO, como de imprescindível importância na manutenção da nossa saúde afetiva e ideológica.

É justamente nesse lugar dentro que cultivamos nossas melhores flores de sonhos, projetos, metas, crenças, ideologias e afetos. É justamente nesse lugar dentro que guardamos a base ideológica que nos motiva a efetuar as mudanças em nós mesmos e o desejo de efetuá-las também fora. Sem afetos, sonhos, metas, crenças e ideologias nos tornamos seres meramente físicos, "COMENDO E CAGANDO" até que venha a morte.

Como diria o Mestre:

"Bem aventurados os ENCANTADOS, que não baseiam sua alegria na posse, mas dedicam-se à busca de bens que não se podem vender ou comprar, no máximo partilhar.

Bem aventurados os ENCANTADOS, que choram, porque não abrem mão de ser gente - e bem gente, mas que não DESesperam os momentos de alegria que sempre vem para quem sabe construí-los e esperá-los.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque um dia colherão os frutos da semeadura de amor e mataram sua fome de beleza e sua sede na fonte inestinguível de todo o bem chamada 'Deus'.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque conhecerão a felicidade e descobrirão o que todos almejam chamando 'reino dos céus'."

Amém

Um comentário:

Ana Alice disse...

Texto que caiu como uma luva para mim que ando vivendo varias fases de desencantamentos...

Saudades de você!!
E arrebentando como sempre nos textos né? Cada vez melhor!!!
Que Deus continue abençoando esse seu dom!