Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FLORES, AMORES, PESO VS LEVEZA, E UM GRANDE TANTO FAZ...



É engraçado como tudo pode mudar quando fazemos o exercício de olhar diferente, de inverter o ponto de vista, de olhar com o olhar do outro... Nesse exercício se muda tanto de papeis entre vilão e mocinho que chegasse mesmo a desconhecer a existência de um papel, que na verdade nunca existiu... ou existiu, não sei...
A questão é que fiz esse exercício, e o resultado foi surpreendente!!!
Vivo alardeando uma proposta de vida: viver simples! Nela, vai-se liberando coisas, pesos, medidas, estruturas, e enxugando a existência de forma a não ter muito com o que se preocupar de concreto: nada de carros para se preocupar com estacionamentos – chinelo e mochila; nada de mansões para se preocupar com manutenção e limpeza – fotos na parede pra ter perto quem se ama, e meia dúzia de móveis cheios de significado; e indo por aí nesse sentido, sabe? É meio paradoxal sentir e pensar assim em pleno século XXI, quando o capital tem tanto valor. Ganhar dinheiro é necessário, mas às vezes passasse mais tempo ganhando ele que usufruindo dos benefícios que ele pode trazer... Pergunto: vale a pena mesmo?
Enfim, não era a isso que queria chegar ao começar esse post, mas precisava passar por isso pra dizer que, assim, com medidas como essa, acaba me sobrando tempo e estrutura pra viver a vida que entendo como vida, uma vida dentro, sentida, pensada, experimentada, temperada, entendida, desentendida... Algo mais que “ir existindo” entre o nascente e o morrente (na fala do saudoso coronel Ludugero). Entre o nascente e o morrente, UM VIVENTE.
Retomando lá atrás o papo de trocar de lugar, inverter os pontos de vista, os olhares; acreditando mesmo levar essa vida simples, leve; descobri que, pra quem vê de fora, e pra mim também, ela não tem nada de leve, ao contrário, é EXIGENTE demais.
Os outros é que vivem leves de verdade!!! Relativizam tudo, fazem dessa e de todas as coisas um grande “tanto faz”... Vive-se o momento sem reflexões, sem culpas... Vão-se construindo como num mosaico de pedaços que vai montando alguma coisa meio “ARTE MODERNA”. KKKKKKKK... Eu, do meu lado, construo minha vida como uma peça “ROCOCÓ” numa sala em branco, cheia de detalhes, de arabescos, de iluminuras, esculpida na pele, na alma, pela visceralidade da coisa mais simples e aparentemente sem significado.
Agora pergunto: “Quem é mesmo leve? Quem é mesmo simples?”
Hoje sei que eu não sou! Não consigo viver esse “tanto faz”, esse “todo mundo faz”, me nego a ser esse SUBSTANTIVO COMUM. Sou SUBSTANTIVO PRÓPRIO. Vou demarcando a minha história com momentos que se tornam significativos, como se deixasse um rastro de migalhas pra saber voltar pra casa, pra minha origem, pra origem de tudo, pra saber quem sou, pra definir o quanto andei (se em frente ou em círculos). Por isso, vivo o peso de sentir tudo, de experimentar cada palavra e os seus significados antes delas saírem da minha boca (ao menos sempre que posso). Não sei viver esse tanto faz comum e popularizado... Não sei dizer esse “eu te amo” que, quando não sentido, é desrespeitoso, agressivo. Não mando flores sem cartão que, por sua “não singularidade” tem a mesma naturalidade das flores de plástico. Não sei deixar as coisas passarem sem significá-las...
Pergunto mais uma vez: “Quem é mesmo leve? Quem é mesmo simples?”
Caramba! Não tenho como não prestar aqui minha homenagem aos verdadeiramente simples. Acho lindo demais quem vai vivendo, sorrindo quando tem vontade, chorando quando é preciso, sendo o que o momento pede que sejam... Vivendo simplesmente...
Aí olho pra mim, esse burro empacado, teimoso (penso nos meus pais e tenho dó deles, kkkkkkkk...). Não sei ser simples. E o pior, esse não saber não me estimula a querer aprender. Quero mesmo continuar insistindo em minha construção, minhas migalhas deixadas, minhas significações, minha mochila de coisas poucas e uma mente e um coração de coisas muitas, encantando a minha vida, fazendo ela ser um milhão em uma só, quase um elefante de pesos e significados.

Aos leves, um abraço gostoso e desculpas sinceras, vocês são lindos!!! Muito bom contemplá-los!!! Não fiquem tristes comigo!!! Talvez um dia eu mude, quem sabe... Mas, por hora, e talvez pra sempre, VOU CONTINUAR PIRRAÇANDO.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Aos que AMARAM ATÉ PERDER A DIGNIDADE

“Amei aquele homem até perder a dignidade!”, essa foi a celebre frase da filósofa Srta. Pipa ao relatar sua vida afetiva em julho desse ano e que vem ecoando em minha alma confusa entre as duas verdades que encerra.
Adoro histórias, as amorosas me encantam sobremaneira. Acho incrível quando as pessoas contam, espantadas, sobre a capacidade de expansão e elasticidade dos seus limites, para além do que podiam imaginar sobre si mesmos, quando tocados pelo amor, quando movidos por essa energia de força inenarrável.
Talvez aí o “Q” da questão: SERÁ QUE AMARAM ATÉ PERDER A DIGNIDADE MESMO???
Eu, de minha parte, do clube dos românticos de carteirinha, adoro pensar que sim, mas sei que não...  E tenho todo prazer em compartilhar essa ideia:
O amor na verdade é uma projeção. Temos conosco mesmos uma identificação que nos faz, em circunstâncias normais, querer pra nós o bem, a felicidade, a alegria... Quando amamos DE VERDADE, agregamos outra identidade à nossa e, automaticamente, projetamos todo bem que nos queremos ao outro, criando mesmo a ideia de que somos felizes se o outro tá feliz, que nosso sorriso é mais alegre se o outro sorri, e a nossa felicidade só é completa se o outro está nela. Essa projeção cria um suposto esvaziamento de si. O “eucentrismo” é minimizado e cria-se um “outrocentrismo” afetivo.
Dessa dinâmica podem surgir duas realidades:
1 – O amor é recíproco – você ama, se esvazia, e se projeta em felicidade no outro, que também TE AMA, se esvazia, e se projeta em felicidade sobre você. Os supostos vazios são preenchidos pela presença da projeção do outro. Saímos de casa pra habitar o outro que vem e habita em nós e assim se estabelece uma relação intrínseca entre as subjetividades, sem nenhuma sensação de perda, mas de troca, partilha, comunhão.
2 – O amor não é recíproco – talvez seja essa a dinâmica mais comum ou mais popularizada. Você ama, se esvazia, e se projeta em felicidade no outro, que também SE AMA e, por se querer egoticamente demais, não se esvazia, e se projeta em felicidade sobre SI MESMO APENAS, e goza a ideia de ter dois, ele e você projetados em felicidade sobre ele mesmo. Assim, a sua projeção gerou um suposto vazio que não é preenchido pela participação do outro. Na partilha de quereres, você não é contemplado, e isso causa uma sensação dolorosa, aqui entendida como a perda da dignidade – tudo é para o outro e nada supostamente é pra você.
O outro se quer e tem o seu querer. Você quer o outro. Placar desigual: 2x0. Mas você não admite perder o campeonato. Você é amante, tá movido por essa força incrível, que é o amor, e acredita que é capaz de reverter esse placar, nem que seja na prorrogação. E você dá ainda mais de si, esvazia a dispensa de sua “dignidade” indo sempre além, empenhando sempre mais, vendo o final eminente da partida, mas sem admitir a possibilidade de perder, porque perder e inversamente proporcional ao amor, que só admite multiplicar.
Aqui retomamos um ponto já comentado: a capacidade de expansão e elasticidade dos limites. Pra vencer esse jogo perdido, você precisa ir muito além do que foi até então, precisa levar os seus limites à sua máxima extensão, e essa ampliação é maior quanto mais o cronometro indica o final da partida, ainda perdida em desvantagem pra você.
Mas o jogo acaba. Sempre chega a hora, quando se estabelece o JOGO, a BRINCADEIRA com os sentimentos, que o tempo acaba e aparece na tela o GAME OVER. Você perdeu! Lutou até as raias da loucura, mas perdeu. Jogava sozinho. E, supostamente perdedor, passa a gozar da ideia confusa do: AMEI ATÉ PERDER A DIGNIDADE.
Mas será?
Agora circulando pela engenharia e arquitetura, da vida e da alma, para qualquer obra de expansão, precisa-se mesmo esvazia a casa. Nossa casa é nossa alma. Pra levar a bom termo essa expansão de limites, de compreensões, saímos em direção ao outro enquanto em nós a casa vai sendo reformada, muros derrubados, espaços redimensionados. Expansão é aumento de tamanho. A alma está sendo redimensionada, reformada em amplidão.
O jogo terminou. Você perdeu. As luzes do estádio se apagaram. Exausto, você volta pra casa, tentando emendar a pouca ou quase nenhuma dignidade que você acha que lhe resta. Mas quando você chega em casa... Meu amigo, minha amiga, quando você chega em casa, dorme, recobra suas forças, e ACORDA, você descobre os incríveis espaços que todo esse aparente esvaziamento de dignidade lhe proporcionou, e você a redescobre ampliada duas, até três vezes mais.
Você pode até achar estranho, inicialmente, ocupar todo esse espaço de dignidade sozinho. Os móveis da alma agora estão pequenos demais para os espaços novos. É só o começo de mais uma reforma que precisa passar por várias áreas em você.
Depois de tudo prontinho. Você (nós) esta(remos) pronto(s) pra acolher um amor ainda maior. E cuidado para não ocupar todos os espaços – vai ser bom pra alguém que chegar notar que você deixou uns espaços na decoração reservados para o que o outro traz e agrega.
Agora pergunto: quem perdeu mesmo quando você amou até perder a dignidade?????? Kkkkkkkkkkkkkk... Adoro esse revanchismo não maldoso do amor: não perde quem deu, perde quem não partilhou...

ABENÇOADOS, mesmo sem o perceber, SÃO os que amam até perder a dignidade. Nunca mais serão os mesmos...

domingo, 7 de novembro de 2010

OLHARES VII - Quando amar não é suficiente

Gente, já falamos sobre isso, eu sei, mas tem coisa mais intrigante que uma relação? Kkkkkkk... Gosto de manter essa reflexão sempre em mente para manter sempre viva também a importância do amor como o único meio passível de fazer essa engrenagem funcionar.

Mas existem relações sem amor!!!
Vocês podem exclamar. E têm razão! Existem sim! E às vezes até dão bem certo... (Se é que podemos chamar isso de RELAÇÃO). Mas por que dão?

Dão certo porque tocam apenas a superfície dos seres, não produzem fusão, mudança. Esse tipo de relação se assemelha uma um baile de máscaras onde as pessoas estão sempre encenando que são felizes baseados na falsa idéia de segurança que essas relações causam. Ou poderíamos ainda compará-las a uma cocha de retalhos aonde vai se emendando aqui e ali com pequenas mentiras sorridentes, gestos POLIfingiDOS, desculpas esfarrapadas e inventadas que não convencem, mas são aceitas como paliativo e emenda suficiente para esconder o buraco que esconde a verdade.


E que verdade é essa?
NÃO HÁ AMOR!!! Essa é a verdade a se esconder. Pode até haver segurança, tranqüilidade, mas NÃO HÁ AMOR! E por amor não haver não há encantamento, não há mudança, não há fusão.

Outro dia um amigo comentou, falando da relação que estabelece, que, em se estando junto - "BEM", mas se acabar -"BEM TAMBÉM". Kkkkkkkkk... Então não é amor! Não tem como ser amor! Porque, quando amor é, “caraca”, é tudo diferente, inTENSO, contagiante, envolvente; e pode até vir a acabar, mas não vai ser a mesma coisa, nunca, vai faltar algo, vai doer, vai perder a cor, o ritmo, a graça...

Quando na “relação” não há amor, há uma lacuna, um espaço, uma brecha, um vazio, que só o amor é capaz de preencher. Relações sem amor não suprem a falta.

Falamos até aqui das relações sem amor como algo raso, que nos toca apenas a superfície, não produz mudanças, encantamento. Sendo assim, pela lógica, é só haver amor para tudo funcionar, certo?

ERRADO!!! E esse é o “novo olhar” proposto de hoje “quando amar não é suficiente”.

É isso mesmo que vocês estão lendo. Parece confuso entender que existem relações sem amor e que existe amor sem relação, mas é real. Ou vocês nunca ouviram falar de pessoas que se amaram demais mas que não conseguiram estabelecer uma boa relação?

Pois é, isso é fato! O amor é elemento imprescindível a relações "de fato", que preenchem a falta, produzem encantamento, mas não é elemento único. A relação é também um exercício de vontade, decisão, cuidado, construção. É nesse ponto, havendo a coexistência desses elementos juntos, atuando simultaneamente, que a relação pode dar certo.


Há pessoas que amam, mas que ainda são individuo, sós, um. Amam, é verdade, mas não conseguem se libertar da antiga condição de ser apenas um (situação que tem sua própria dinâmica). Há pessoas que, mesmo amando ainda são sós, porque tem seu ponto de equilíbrio estabelecido apenas em si mesmas, nas suas próprias e individuais seguranças. Assim, o outro perde seu significado na relação como alguém com quem se quer dividir, somar, multiplicar (é conta demais), como um outro ponto a se estabelecer nesse equilíbrio de ser dois sendo um. Quando isso acontece, o outro, na relação, mesmo sendo amado, torna-se prescindível, dispensável, algo comum, que até conforta como um SOFÁ NA SALA, mas que, se trocado, TÁ BEM TAMBÉM, kkkkkkkk...

Assim, acho que fica compreensível que AMAR NÃO É SUFICIENTE. É imprescindível, mas não suficiente em si mesmo para fazer acontecer uma relação de verdade, que nos atinja a profundidade, nos revele em nossas virtudes e desvirtudes, nos dispa além do corpo (e muitos corpos são despidos), dispa a alma; uma relação profunda o suficiente para nos permitir ser amados, de fato, pelo que somos, ao menos na mais possível aproximação disso, do que somos. Não sei vocês, mas é assim que eu quero amar ser amado...

Dá trabalho? Dá! Produz tensões? Produz! Faz doer? Faz! Relações não são potes de doce de leite. Quem conseguiria comer sempre doce sem enjoar, engordar, tornar-se diabético? Kkkkkkkkkkkkk... Dá trabalho, doe, é tenso, mas é bom, faz bem, encanta... Uma boa relação é como uma dieta balanceada – TEM QUE TER DE TUDO!!!


Fica aqui uma dica, “diquinha, não minha, nem sua, dá vida, porque só quem educa é Deus (ver personagem dona Edite do terça insana lançando seu livro – como educar um filho na favela)”; a dica é essa: cuide bem das suas relações! Exercite-se no exercício do outro, do cuidar do outro e, tão importante quanto, permitir-se ser cuidado pelo outro, desarmar-se de suas seguranças individuais e descansar no regaço do outro e, assim, perceber que o outro é tão importante na sua vida que, mesmo mantendo as portas da liberdade sempre abertas, mantêm dentro um lugar seguro aonde ele deseje permanecer e ficar.

CUIDE BEM DO SEU AMOR!!!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

OLHARES VI – Rotina

Eita! Palavrinha chata essa, não?!... relacionada à repetição, ao cansaço, ao marasmo, a rotina é considerada por muitos o ocaso do amor.
Não é difícil entender: acabou o fascínio inicial; passada a conquista, já não há mais esforços para o encantamento; e por falar de encantamento, esse também passou ficando em seu lugar a dura realidade de defeitos, brigas banais, aumento de peso e de contas, perguntas sem respostas... A rotina é o túmulo do amor!!!

A alma humana é assim, precisa ser estimulada, ter sonhos renovados... a rotina é como água parada: desoxigena e mata todas as espécies de vida nela...

Não vou continuar, sei que vocês podem fazer isso sozinhos – o restante das reflexões sobre rotina é por conta de vocês.

Terminaram?
Perfeito!
Agora é a hora da virada... Coloquemos nossas lentes:

Tudo no começo é irreal! Não que seja mentira, não é isso!!! É que faz parte da conquista estimular as virtudes e esconder os defeitos; abre-se a porta do carro e puxa-se a cadeira; liga-se todos os dias e faz-se juras de amor; elogia-se as coisas mais banais e passa-se por cima de pequenos aborrecimentos como se nada fossem... E os defeitos, onde estão? Um ou outro aparecem, porque não dá pra escondê-los por muito tempo, mas trata-se de disfarçar. Sem contar as horas a fio dedicadas a imaginar o que pode agradar o outro... (quem não passou por esse ridículo? Kkkkkkk).

Reitero: Não é mentira! Posto que são atitudes motivadas por sentimentos reais. Mas é irreal! Posto que foge ao humano estatuto de existir e se relacionar. E não que atitudes cordiais e generosas não possam ser mantidas ao longo do tempo, também não é isso que afirmo; apenas que esse estado inicial de “conto de fadas” e perfeição passa – e que ótimo que passa!!!

Por que “ótimo que passa”? Simples: esse é o nosso olhar de hoje – acompanhe!

Vimos que, a pessoa do começo da relação não é real; se a amarmos não estamos amando a pessoa em seu todo, mas apenas os poucos traços da sua personalidade que usa e valoriza na conquista. O que vai dizer mesmo do amor que se sente é a rotina. Passada a fantasia encantadora do começo, pouco a pouco, vamos nos mostrando no nosso real: nossas birras, ciúmes, acordar de lundu, esquecer datas, toalha molhada sobre a cama, diferenças de pensamentos e posturas, até “pum” embaixo do cobertor...

É aí que se descobre o amor! É fácil achar amar quando tudo é perfeito e vai bem, mas não é amor! Só se ama pessoas reais!

Nisso o encanto da rotina... passamos a nos conhecer em nossas luzes e nossas sombras e, mesmo assim, nos queremos muito bem. Já não perdemos tempo em adivinhar o que o outro gosta e vamos direto ao ponto com muito mais chances de acertar.

Sob a rotina, o que motiva a relação pode enfim ganhar status de amor porque, revelando quem somos, nos faz passiveis de ser amados em nosso todo – amores reais para pessoas reais.

É bem verdade que, com esse excesso de real no amor vem também aborrecimentos reais, mas desses não se foge em nenhum estado. Acho mesmo que não é sábio medir a felicidade pela presença ou ausência de aborrecimentos, mas pelo amor com que se ama.

Quanto à rotina, ela revela os verdadeiros amores sim: acordar ao lado de alguém com a cara amassada e achar a pessoa a mais linda do mundo; trazer da padaria um pequeno mimo só porque sabe que o outro gosta; usar o perfume preferido do outro na hora das “camaradagens” (kkkkkkkk...); ou, como diz um poeta amigo meu, “dormir numa noite difícil achando que foi um erro te querer, e acordar arrependido sabendo que só sou feliz com você”.

Saibamos nos encantar na rotina, valorizar os momentos mais simples, sem desconsiderar a necessidade de, ora ou outra, chutar o balde e fazer coisa novas, arejar o cérebro e a relação, para voltar á rotina mais seguros do seu valor porque, de alguma forma, todos já pensamos assim: viajar é muito bom, mas melhor é voltar pra casa... no sentido mais amplo, rotineiro e seguro que casa pode e deve ter.

sábado, 7 de agosto de 2010

Apenas um livro


A algum tempo atrás andei me perguntando qual a minha razão de ser no mundo... Hoje, estranhamente, acho esse questionamento pessoal patético (e talvez amanhã eu ache patético achar patético esse questionamento pessoal e volte a valorizá-lo, kkkkk).

Mas é questão hoje é nova e é essa: “Quem disse que temos que ser algo?”.

Esse questionamento meio que nos empurra para um dos estereótipos já estabelecidos e louváveis pelo cânon social; e, que fique claro, não estou aqui desprezando esse cânon e os maravilhosos postulados, especialmente os profissionais, que estabelece – que seria de mim sem os médicos, os professores, os cozinheiros, os costureiros? Apenas gostaria de focar O QUE SE É, não porque se estudou pra isso, não o que um titulo estabelece, mas o que fica de nós quando ninguém vê...

Compliquei? Deixa eu tentar exemplificar...

Digamos que você seja médico(a), certo? Você estuda o corpo humano e suas funções por exaustivos longos anos, se especializa numa área, trabalha pra “dedeu” (ao menos alguns, nesse exemplo é importante que você se imagine um(a) médico(a) trabalhador(a) e dedicado(a), kkkkkkk), constrói sua bela casa e constitui uma família. Aparentemente uma vida perfeita: esforço, trabalho, grana e família. Mas você não é médico o tempo todo, é?

Imagina se fosse, ao chegar em casa, num momento de intimidade com seu cônjuge: “amor, enquanto você me abraça o meu hipotálamo se estimula fazendo com que minhas glândulas supra renais produzam adrenalina e as fibras nervosas produzam noradrenalina agindo simultaneamente aumentando o pulso cardíaco e a temperatura do meu corpo junto ao seu e ampliando a sensibilidade das zonas erógenas para que sintamos prazer... vamos copular...”.

Já imaginaram que coisa chata? Kkkkkkkkkkkkkk...

É justamente disso que estou falando, do quem somos além dos títulos; de como somos quando ninguém vê... Quando somos exageradamente gente... Quando somos nós mesmos... entende?

É nessa perspectiva que repenso o meu papel!
E essa palavra “papel” me inspira a imagem do que sou quando nada sou – UM LIVRO!!!
Acho que nenhuma outra imagem simbólica poderia melhor me expressar...
Sei que há quem pense que a melhor imagem pra expressar-me seria uma vitrola com a agulha emperrada já que falo pelos cotovelos, kkkkkkkkkkkkkkk. Bem pensado, amigos!!! Mas é que costumamos nos ouvir tão pouco que acabo sentindo a necessidade de falar muito para que ao menos um pouco seja apreendido...
Não me entendo uma vitrola velha e sim UM LIVRO!!!

Aprendi, desde muito cedo, a importância do outro: seu encantamento, sua história, seus medos, desvalores e virtudes; descobri nesse contato com o outro o meu prazer. Hoje sei que acabei sendo, ao longo dessa história, um livro em branco aonde as pessoas, ao passarem por mim, foram escrevendo suas histórias...

Ri com algumas... chorei com outras tantas... porque, sendo escritas em mim, essas histórias tornaram-se a minha história. Por um tempo achei que havia me negligenciado a mim mesmo dando sempre mais importância a necessidade do outro, a história do outro... MAS NÃO!!! A história do outro passou a ser a minha história no momento em que ele se inscreveu no livro da minha vida.

De fato, essa reflexão depende de que valor se dá as relações... As pessoas escrevem suas histórias e passam, vão atrás dos seus sonhos e das suas prioridades; correm apressadas em busca de ser algo bonito e aparente que lhes garanta a idéia de segurança e poder tão desejadas por todos.

SEGURANÇA E PODER... Duas palavras as quais não posso almejar. Estabeleci como prioridade as minhas relações; construí meu mundo retirando dele os tijolos que adiciono as muralhas dos outros me tornando cada vez mais pobre, desamparado e livre. Como ter segurança e poder assim? Kkkkkkkkkkkkk...

Mas entenda-se: não tenho segurança e poder no sentido entendido como as pessoas buscam, mas carrego comigo a SEGURANÇA de saber que esse emaranhado sem valor que pareço faz sentido; que cada encontro, cada partilha, cada olhar, cada abraço, que cada coisa fez, faz, e dá todo sentido a minha vida. E tenho ainda comigo o PODER de amar as pessoas e não ter medo de me esconder por isso, aonde existe quem tenha medo de amar e admitir-se amante por medo de, inversamente a sua idéia de poder, parecer fraco.

Quantas miragens essa jornada pode nos apresentar pegando-nos em nossas sedes de acúmulos, segurança e poder...

De minha parte, vou me tornando cada vez mais pobre, pelas coisas as quais me proponho a deixar para trás e pelas coisas que não posso levar comigo (mesmo quando gostaria de fazê-lo); simultaneamente, me torno cada vez mais livre, e mesmo quando preso às histórias e pessoas, ainda livre, porque livremente escolhi prender-me...

No fim, não serei nada além de um velho livro de histórias...
Às vezes tendo virado a página...
Às vezes sendo página virada...

Louvado seja o Amor por permitir que seu evangelho seja compreendido na entrelinha dessa vida tão encantadora e repleta de histórias e significados.

sábado, 5 de junho de 2010

Desencantos


Um amigo Fabio Cobra me "cobrou" uma nova postagem... kkkkkkkkkkkkkk...

Confesso que ainda estou no estado da última postagem, um estado de tranquilidade e paz que adormece meus sentidos para novas descobertas e sentimentos.

Pensei comigo mesmo: "O que dizer que seja útil à vida afetiva desse meu amigo, à minha, e à de todos que vierem a ler esse texto?".

Aí lembrei de uma frase que li de um amigo hoje no msn: "Estou cansado dessas mesmas palavras que me trouxeram até aqui hoje e só tomei no furico". Uma frase forte de alguém sob efeito de DESENCANTO e que, salvaguardando sua autoria, tomo por base de reflexão.

O contexto no qual a frase se inseriu é bem simples: há bem pouco tempo, esse mesmo amigo suspirava pelos cantos tomado de um súbito "excesso de amor" e afirmando sua necessidade em partilhar esse excesso com alguém. Procurou daqui, procurou dali, e nada!!! Sua postura gratuita de amor esbarrou, por várias vezes, nas redomas de egoísmo e centralização das pessoas à sua volta. Resultado: DESENCANTO.

Foi aí que tentei dizer da necessidade do ENCANTO como um subsídio afetivo que se processa na subjetividade da gente. Acho que é essa a finalidade da beleza, da arte e do amor - ENCANTAR A GENTE. A realidade concreta, em si mesma, é vazia, áspera, até dura demais em alguns pontos; sem essa reserva lúdica de ENCANTAMENTO acabaremos por sucumbir ou, no mínimo, nos tornarmos vazios, secos, DESENCANTADOS.

Algumas vezes é preciso sofrer esse desacreditar em alguns conceitos e pessoas mesmo, até pra dar uma avaliada nos valores que nos norteiam, mas sem nunca perder o foco do ENCANTO - e também para não agir como imbecis aluados, não estou aqui estimulando atitudes fora da concretude das nossas relações, mas ressaltando a importância da manutenção desse recurso interior, o ENCANTAMENTO, como de imprescindível importância na manutenção da nossa saúde afetiva e ideológica.

É justamente nesse lugar dentro que cultivamos nossas melhores flores de sonhos, projetos, metas, crenças, ideologias e afetos. É justamente nesse lugar dentro que guardamos a base ideológica que nos motiva a efetuar as mudanças em nós mesmos e o desejo de efetuá-las também fora. Sem afetos, sonhos, metas, crenças e ideologias nos tornamos seres meramente físicos, "COMENDO E CAGANDO" até que venha a morte.

Como diria o Mestre:

"Bem aventurados os ENCANTADOS, que não baseiam sua alegria na posse, mas dedicam-se à busca de bens que não se podem vender ou comprar, no máximo partilhar.

Bem aventurados os ENCANTADOS, que choram, porque não abrem mão de ser gente - e bem gente, mas que não DESesperam os momentos de alegria que sempre vem para quem sabe construí-los e esperá-los.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque um dia colherão os frutos da semeadura de amor e mataram sua fome de beleza e sua sede na fonte inestinguível de todo o bem chamada 'Deus'.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque conhecerão a felicidade e descobrirão o que todos almejam chamando 'reino dos céus'."

Amém