quarta-feira, 27 de maio de 2015

FLORES, AMORES, PESO VS LEVEZA, E UM GRANDE TANTO FAZ...



É engraçado como tudo pode mudar quando fazemos o exercício de olhar diferente, de inverter o ponto de vista, de olhar com o olhar do outro... Nesse exercício se muda tanto de papeis entre vilão e mocinho que chegasse mesmo a desconhecer a existência de um papel, que na verdade nunca existiu... ou existiu, não sei...
A questão é que fiz esse exercício, e o resultado foi surpreendente!!!
Vivo alardeando uma proposta de vida: viver simples! Nela, vai-se liberando coisas, pesos, medidas, estruturas, e enxugando a existência de forma a não ter muito com o que se preocupar de concreto: nada de carros para se preocupar com estacionamentos – chinelo e mochila; nada de mansões para se preocupar com manutenção e limpeza – fotos na parede pra ter perto quem se ama, e meia dúzia de móveis cheios de significado, e indo por aí nesse sentido, sabe? É meio paradoxal sentir e pensar assim em pleno século XXI quando o capital tem tanto valor. Ganhar dinheiro é necessário, mas às vezes passasse mais tempo ganhando ele que usufruindo os benefícios que ele pode trazer... Pergunto: vale a pena mesmo?
Enfim, não era a isso que queria chegar ao começar esse post, mas precisava passar por isso pra dizer que, assim, com medidas como essa, acaba me sobrando tempo e estrutura pra viver a vida que entendo como vida, uma vida dentro, sentida, pensada, experimentada, temperada, entendida, desentendida... Algo mais que “ir existindo” entre o nascente e o morrente (na fala do saudoso coronel Ludugero). Entre o nascente e o morrente, UM VIVENTE.
Retomando lá atrás o papo de trocar de lugar, inverter os pontos de vista, os olhares; acreditando mesmo levar essa vida simples, leve; descobri que, pra quem vê de fora, e pra mim também, ela não tem nada de leve, ao contrário, é EXIGENTE demais.
Os outros é que vivem leves de verdade!!! Relativizam tudo, fazem dessa e de todas as coisas um grande “tanto faz”... Vive-se o momento sem reflexões, sem culpas... Vão-se construindo como num mosaico de pedaços que vai montando alguma coisa meio “ARTE MODERNA”. KKKKKKKK... Eu, do meu lado, construo minha vida como uma peça “ROCOCÓ” numa sala em branco, cheia de detalhes, de arabescos, de iluminuras, esculpida na pele, na alma, pela visceralidade da coisa mais simples e aparentemente sem significado.
Agora pergunto: “Quem é mesmo leve? Quem é mesmo simples?”
Hoje sei que eu não sou! Não consigo viver esse “tanto faz”, esse “todo mundo faz”, me nego a ser esse SUBSTANTIVO COMUM. Sou SUBSTANTIVO PRÓPRIO. Vou demarcando a minha história com momentos que se tornam significativos, como se deixasse um rastro de migalhas pra saber voltar pra casa, pra minha origem, pra origem de tudo, pra saber quem sou, pra definir o quanto andei (se em frente ou em círculos). Por isso, vivo o peso de sentir tudo, de experimentar cada palavra e os seus significados antes delas saírem da minha boca (ao menos sempre que posso). Não sei viver esse tanto faz comum e popularizado... Não sei dizer esse “eu te amo” que, quando não sentido, é desrespeitoso, agressivo. Não mando flores sem cartão que, por sua “não singularidade” tem a mesma naturalidade das flores de plástico. Não sei deixar as coisas passarem sem significá-las...
Pergunto mais uma vez: “Quem é mesmo leve? Quem é mesmo simples?”
Caramba! Não tenho como não prestar aqui minha homenagem aos verdadeiramente simples. Acho lindo demais quem vai vivendo, sorrindo quando tem vontade, chorando quando é preciso, sendo o que o momento pede que sejam... Vivendo simplesmente...
Aí olho pra mim, esse burro empacado, teimoso (penso nos meus pais e tenho dó deles, kkkkkkkk...). Não sei ser simples. E o pior, esse não saber não me estimula a querer aprender. Quero mesmo continuar insistindo em minha construção, minhas migalhas deixadas, minhas significações, minha mochila de coisas poucas e uma mente e um coração de coisas muitas, encantando a minha vida, fazendo ela ser um milhão em uma só, quase um elefante de pesos e significados.

Aos leves, um abraço gostoso e desculpas sinceras, vocês são lindos!!! Muito bom contemplá-los!!! Não fiquem tristes comigo!!! Talvez um dia eu mude, quem sabe... Mas, por hora, e talvez pra sempre, VOU CONTINUAR PIRRAÇANDO.

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