segunda-feira, 1 de março de 2010

Quando silencio...

Estou optando pelo silêncio...
Acho, de mim mesmo, essa uma decisão muita sábia e acertada:
(...) amores ditos nem sempre são amores sentidos, mas o que dizer dos amores velados pelo silêncio?
Livros de muitas páginas as vezes dizem menos que uma boa frase colocada numa hora propícia...
Muitas palavras nem sempre dizem alguma coisa! Um bom dicionário, por exemplo, tem enésimas palavras, e não diz nada além de apontar para o bom senso no uso das palavras; e bom senso é algo do que ando fugindo, embora ele sempre me ache... que droga!!!

Silenciar não vai ser uma tarefa difícil. Por muito tempo silenciei... acho até que era mais coerente comigo mesmo quando mantinha em silencio tudo, ou parte de tudo. Chamavam-me de enigmático e sombrio, “aquele a quem não se decifra”...
Achei, por algum tempo, que deveria comunicar meu mundo interior, partilhá-lo, equipará-lo ao grande mundo entendido por todos e fazê-lo entendido ao menos por poucos... A idéia era boa, embora imprecisa e ineficaz – Ninguém quer ouvir ninguém, as pessoas só ouvem os ecos dos seus próprios apelos, ouvem o que querem ouvir, ou ao menos o que lhes é conveniente ouvir...

Por causa disso aprendo que, fora da arte, toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

Sem contar que ainda tenho o artifício do engano: sempre falei muito e ninguém ouviu nem entendeu! Ao menos agora posso justificar dizendo-me que ninguém ouviu porque eu não disse... kkkkkkkkkkkk... Uma forma engenhosa de amenizar dores que não vão passar, quer eu pense nelas ou não!

Ah! Também me livro de aborrecimentos! Aderindo ao silêncio como direito de resposta evito envolver-me em tantos aborrecimentos e contendas desnecessárias a mim tão comuns causadas pelas palavras que digo amando mas não tendendo agradar; palavras que sempre foram a expressão do meu respeito, fidelidade às pessoas (achei mesmo que uma linda forma de amar era colocar-me claro sobre tudo junto aos que amo); assim, nunca lhes comuniquei as palavras que queriam ouvir sendo-lhes de alguma tristeza ou aborrecimento – o que nunca desejei!

Que venha o silêncio!!! Palavras, embora para mim como pássaros saindo em bando do meu coração para traduzir-se em meu canto, fala ou escritos, são apenas palavras...

Repito uma verdade para mim, que posso até considerar mentira aí mais adiante, mas que agora é luz que me norteia: fora da arte toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

A todos os que estão acostumados com minha tagarelice que pouco diz ou nada, não estranhem se me faltam as palavras... agora é hora de que grite meu silêncio!!!

Uma última coisa vou segredar-lhes:
Delimitei-me um tempo, consideravelmente curto, para lutar ainda por mim e pelo que acredito... Sei que não é atitude muito inteligente, mas imprescindível aos passos que tenho que aprender a dar.
Delimitei-me um tempo para lutar ainda por mim e pelo que acredito...Não conseguindo, render-me-ei ao mar comum contra cujas ondas tenho lutado há muito para não me deixar abater e afogar; cederei ao mar comum...

2 comentários:

flaviany disse...

As vezs é necessario silenciar-mos um pouco p/ restaurar nossas forças, no seu caso espero que seja limitado pq não posso imaginar vc de outra forma que não a de falar o pensa desmedidament tentando fazer as pessoas evoluirem, não deixe que o marasmo dos outros atrapalhe a sua tempestade a quem precise dela p/ acreditar q podemos ser melhores do que somos.Bjuss
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." (Clarice Lispector)

Deserto disse...

Flavynha, sua citação de Clarice foi perfeita!!! Obrigado pela citação e por vc mesma, assim como é... BJ