sexta-feira, 23 de julho de 2010

Borrachas


Queria saber de onde vem essa mania de sonhar...
Não sei aonde ou quando começou e nem mesmo quando se finda...

Há vezes em que gostaria de me livrar dela, pela incoerência que causa: dá a tudo cor e timbre excepcionais me atraindo e ligando a tudo quanto é bom e belo, fazendo mesmo tudo parecer bom e belo; mas ás vezes só o são para mim... Por isso gostaria de me livrar dessa estranha doença de inquietude que me condena a viver entre o paralelismo de real e imaginário sem nunca saber separar um e outro.
Mas se imagino a mim mesmo sem sonho... o que restaria? Só um lugar vazio... apenas isso...

É esse encantamento como que um rio que parte de mim em direção a tudo, mas que deságua em mim, no lugar de sua origem, de forma que nunca cessa...

Mas dói!!! Dói conter toda essa “caudalância” interior de forma a sentir sua represa sempre em risco de estourar e desaguar-me tão longe e em tantas direções que não sei se saberia novamente me juntar...

Amo o sonhar e detesto o sonho!!!

Amo, porque não saberia olhar por outra ótica se não essa caleidoscópica por onde enxergo, e odeio pela dor incoerente de saber da incoerência do real...

De todas as borrachas capazes de apagar as cores com que pinto estão a inverdade, a falta de sinceridade e a superficialidade periférica com que as pessoas aprenderam a sentir e viver; por causa delas, dessas borrachas, estou sempre tendo que fazer reparos no desenho; tantos já tendo sido feitos que temo já não saber o original...

Estou cansado da traição do real; cansado de não poder nada ser sendo esse nada o tudo que escolhi para ser...

Estou cansado de olhar e ver, nos olhos que vejo, a beleza que esses mesmos olhos se negam a enxergar exaltando “desvalores” como virtudes e renegando virtudes como que sem valor...

Ah! Mas sei que um dia, mesmo sem saber se perto ou longe, se esperando-o ou o escolhendo, sei que um dia serei tudo, me misturarei a tudo, a esse todo borrado de pessoas e sonhos, e nunca mais borracha nenhuma me há de apagar...

Um comentário:

Ana Alice disse...

"Queria saber de onde vem essa mania de sonhar..."
Também gostaria de saber de onde vem a minha!! ¬¬'

Mas como diria um amigo meu em seu texto: "Sonhar é ver o por do sol em meio a chuva. É acreditar no impossivel, na visão do futuro."
E para mim seria impossivel viver sem acreditar nisso!! Prefiro viver em meio aos sonhos do que acreditar e aceitar a vida real nua e crua.... talvez com os nossos sonhos e força de vontade poderemos transformar as coisas... quem sabe!?

Beijos
saudades rennan^^