sexta-feira, 23 de julho de 2010

Borrachas


Queria saber de onde vem essa mania de sonhar...
Não sei aonde ou quando começou e nem mesmo quando se finda...

Há vezes em que gostaria de me livrar dela, pela incoerência que causa: dá a tudo cor e timbre excepcionais me atraindo e ligando a tudo quanto é bom e belo, fazendo mesmo tudo parecer bom e belo; mas ás vezes só o são para mim... Por isso gostaria de me livrar dessa estranha doença de inquietude que me condena a viver entre o paralelismo de real e imaginário sem nunca saber separar um e outro.
Mas se imagino a mim mesmo sem sonho... o que restaria? Só um lugar vazio... apenas isso...

É esse encantamento como que um rio que parte de mim em direção a tudo, mas que deságua em mim, no lugar de sua origem, de forma que nunca cessa...

Mas dói!!! Dói conter toda essa “caudalância” interior de forma a sentir sua represa sempre em risco de estourar e desaguar-me tão longe e em tantas direções que não sei se saberia novamente me juntar...

Amo o sonhar e detesto o sonho!!!

Amo, porque não saberia olhar por outra ótica se não essa caleidoscópica por onde enxergo, e odeio pela dor incoerente de saber da incoerência do real...

De todas as borrachas capazes de apagar as cores com que pinto estão a inverdade, a falta de sinceridade e a superficialidade periférica com que as pessoas aprenderam a sentir e viver; por causa delas, dessas borrachas, estou sempre tendo que fazer reparos no desenho; tantos já tendo sido feitos que temo já não saber o original...

Estou cansado da traição do real; cansado de não poder nada ser sendo esse nada o tudo que escolhi para ser...

Estou cansado de olhar e ver, nos olhos que vejo, a beleza que esses mesmos olhos se negam a enxergar exaltando “desvalores” como virtudes e renegando virtudes como que sem valor...

Ah! Mas sei que um dia, mesmo sem saber se perto ou longe, se esperando-o ou o escolhendo, sei que um dia serei tudo, me misturarei a tudo, a esse todo borrado de pessoas e sonhos, e nunca mais borracha nenhuma me há de apagar...

terça-feira, 22 de junho de 2010

AH! DÁ LICENÇA!!!


Um amigo disse ter se sentido deslocado na minha casa e minha presença creio que por eu não tê-lo recebido com festa, flores, um beijo na boca e óleo perfumado para sua cabeça... kkkkkkkk... Engraçado: eu o conheço tem já algum tempo, e não falo com ele tem algum tempo também; mas esse amigo parece desconhecer que uso telefone e e-mail, mesmo quando já fui ao seu encontro por esses meios...
Tudo isso é muito engraçado!!! Kkkkkkkk...

Passei alguns dias pensando no que dizer, diante do que conheço de um outro amigo, que fosse de proveito para sua vida num momento específico... kkkkkkkk... Depois disso escutei que só me envolvo num projeto que partilhamos por não ter melhor coisa para fazer e que nunca sabe quando estou brincando ou falando sério... Depois de mais de 5 anos? Dá licença!!! Kkkkkkkkk...

Ah! Tem também um outro que, se me encontra no MSN, quer atenção exclusiva sem levar em conta outras atribuições que me exigem do lado de cá da rede... kkkkkkkkkkkkkkk... Acho que ele esqueceu que ainda existe TIM Infinity... kkkkkk...

Essa vocês vão adorar: tem um amigo que adora repetir atitudes que não gosto e sobre as quais já expressei aborrecimento; acho que com esse falo grego, porque diz nunca ter me ouvido comentar isso ou aquilo e quer resolver tudo com um “me desculpe”. Desculpar a gente até desculpa, mas ficar com a cara lisa? Dá licença!!! Se fura alguém com um canivete, pode até se arrepender e colocar remédio e ataduras, mas vai ter de esperar sarar...

Eita! Teve uma outra vez também que alguns dos amigos com quem mais me comunico tinham um evento em comum junto a outros amigos que partilhamos – NÃO FUI CONVIDADO!!! – e ainda me criticaram pelas costas por eu não ter comparecido... kkkkkkkkkkk... Isso é que é uma falta de absurdo!!!

Amiguinhos!!! AlôÔ!!!
Assim a empresa aqui vai a falência!!! Se só faz investimento, investimento, investimento, sem retorno, a bodega fecha!!!

É como um Banco: tem um capital e, por mais que seja numeroso, não é infinito.
Não sei se você já pensou nisso na infância, mas eu me perguntava: por que não fazem um montão de dinheiro e distribuem para as pessoas? Assim não teria mais pobreza... Não é só um papel pintado? Alguém tem de produzi-lo; então porque não produz mais?

E a resposta para essa pergunta é simples, mas só compreendi quando adulto: o papel moeda é só um símbolo de um sistema inaugurado a milênios, desde que começaram as primeiras trocas e, através dele, e da cultura que gerou, somos quem somos; essa medida, de aparência prática e justa (ao menos para um coração infantil), colocaria a baixo milênios da cultura que conhecemos e teríamos que reaprender tudo, reinventar tudo, reorganizar tudo, do zero!

Da mesma forma acontece com os afetos. O principio para todo afeto é a RELAÇÃO. E essa, meus amigos, é um exercício que, se não for mutuo, deixa de existir, porque descumpre, em si mesma, sua finalidade e especificidade.

Então as relações não são gratuitas?
Não!!! Claro que não!!!
Boas relações são recheadas de atitudes gratuitas; mas a relação em si mesma não, essa imprescinde cumplicidade além da gratuidade...

Não sei se congui dizer o que pretendi ao iniciar esse inscrito, mas gostaria de repetir uma coisa:

“AH! DÁ LICENÇA!!!”
Achei que vocês eram egoístas, mas volto atrás, são todos iguais e, sendo assim, sendo maioria, acho que eu que sou esquizofrênico, chato, egoísta e reclamão... Aceito meus predicativos!!! Mas para quem interessar gostaria de dizer:

“Sempre chega a hora que o camelo tem sede!!!”
E que, a partir de agora, quem quiser parte minha, tenha parte comigo...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A outra margem



Estou do lado de cá da margem...
De alguma forma já desvendei grande parte dos mistérios de cá.
Digo grande parte porque nunca hão de se descobrir todos os mistérios; porque uma mesma flor de hortência, entendida como azulada, pode revelar inúmeras nuances diferentes se submetida a diferentes intensidades de luz...
Intensidade... palavra significativa hoje pra mim! Talvez eu não esteja imprimindo a intensidade necessária aos meus dias de forma a poder redescobrir as muitas faces das mesmas coisas que conheci na margem de cá...
Preciso descobrir a outra margem... descobrir o que o escuro esconde, tão escondido quanto o excesso de claridade... Os caminhos do lado de cá parecem terem-se tornado pequenos para os meus pés, as roupas pequenas para minha alma e o sono insuficiente para os meus sonhos...
E sabe o que é mais estranho?
Sou pequeno!!! Meus pés são pequenos... os meus sonhos são pequenos...
Vivo o paradoxo do pequeno feito grande: abraçar o que é pequeno é um caminho inverso e se faz, por vezes, mas difícil de atingir que a própria grandeza...
Tenho que atingir a outra margem, e isso não implica em mudar, ir embora, talvez implique em posicionar-me de uma forma que mude o foco da minha visão de forma a, distanciando-me, virando-me, olhar para essa exato lugar onde estou, e ponto de partida para qualquer lugar, e atravessar a linha que me separa de mim mesmo, de tudo o que amo e acredito.
Disse que esse atravessar para a outra margem não implica em mudar, ir embora, mas, com certeza, implica em partir. Partir no sentido de ter que coisas deixar para trás, mesmo quando a viagem é de encontro ao refluxo da alma. Partir no sentido de fracionar, que não é necessariamente dividir, mas multiplicar pois, ao “partir” uma coisa que é única, automaticamente se estará multiplicando em, no mínimo, dois...
Partir é sempre significativo em si mesmo, pela saudade que toda part(ida) implica, pela leveza que toda partida gera por não se poder levar mais do que o necessário para bem poder voltar...
Na organização dessa partida, tive que emancipar alguns que, amando livre, prendi. Não os prendi, porque nunca ficaram em si mesmo se não no que deles construí e mantive – nessa manutenção minha prisão... Amei-os na liberdade, mas prendi-me na empresa de querê-los felizes; mas quem disse que compartilhamos mesma idéia de felicidade?
Na margem de cá fui só, sofri-me, sabendo-me só, mas achando-me acompanhado. Na margem de lá, quero estar só sabendo-me só, e assim já não sofrer ausências quando precisar falar – no mínimo, falando a mim mesmo, aprenderei a me ouvir, e talvez entenda a grande evocação que ecoa no coração do todo homem e entenda um pouco mais do sentido por trás de tudo isso...
Estranhas tantas palavras para a elucidação de uma coisa tão simples – partir e voltar (me) para o mesmo lugar de onde olho e sou.
Alguém, aí atrás, chamou a “visão metafísica” do mundo, das relações, e das coisas “tomar no furico”, eu chamo POESIA.

sábado, 5 de junho de 2010

Desencantos


Um amigo Fabio Cobra me "cobrou" uma nova postagem... kkkkkkkkkkkkkk...

Confesso que ainda estou no estado da última postagem, um estado de tranquilidade e paz que adormece meus sentidos para novas descobertas e sentimentos.

Pensei comigo mesmo: "O que dizer que seja útil à vida afetiva desse meu amigo, à minha, e à de todos que vierem a ler esse texto?".

Aí lembrei de uma frase que li de um amigo hoje no msn: "Estou cansado dessas mesmas palavras que me trouxeram até aqui hoje e só tomei no furico". Uma frase forte de alguém sob efeito de DESENCANTO e que, salvaguardando sua autoria, tomo por base de reflexão.

O contexto no qual a frase se inseriu é bem simples: há bem pouco tempo, esse mesmo amigo suspirava pelos cantos tomado de um súbito "excesso de amor" e afirmando sua necessidade em partilhar esse excesso com alguém. Procurou daqui, procurou dali, e nada!!! Sua postura gratuita de amor esbarrou, por várias vezes, nas redomas de egoísmo e centralização das pessoas à sua volta. Resultado: DESENCANTO.

Foi aí que tentei dizer da necessidade do ENCANTO como um subsídio afetivo que se processa na subjetividade da gente. Acho que é essa a finalidade da beleza, da arte e do amor - ENCANTAR A GENTE. A realidade concreta, em si mesma, é vazia, áspera, até dura demais em alguns pontos; sem essa reserva lúdica de ENCANTAMENTO acabaremos por sucumbir ou, no mínimo, nos tornarmos vazios, secos, DESENCANTADOS.

Algumas vezes é preciso sofrer esse desacreditar em alguns conceitos e pessoas mesmo, até pra dar uma avaliada nos valores que nos norteiam, mas sem nunca perder o foco do ENCANTO - e também para não agir como imbecis aluados, não estou aqui estimulando atitudes fora da concretude das nossas relações, mas ressaltando a importância da manutenção desse recurso interior, o ENCANTAMENTO, como de imprescindível importância na manutenção da nossa saúde afetiva e ideológica.

É justamente nesse lugar dentro que cultivamos nossas melhores flores de sonhos, projetos, metas, crenças, ideologias e afetos. É justamente nesse lugar dentro que guardamos a base ideológica que nos motiva a efetuar as mudanças em nós mesmos e o desejo de efetuá-las também fora. Sem afetos, sonhos, metas, crenças e ideologias nos tornamos seres meramente físicos, "COMENDO E CAGANDO" até que venha a morte.

Como diria o Mestre:

"Bem aventurados os ENCANTADOS, que não baseiam sua alegria na posse, mas dedicam-se à busca de bens que não se podem vender ou comprar, no máximo partilhar.

Bem aventurados os ENCANTADOS, que choram, porque não abrem mão de ser gente - e bem gente, mas que não DESesperam os momentos de alegria que sempre vem para quem sabe construí-los e esperá-los.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque um dia colherão os frutos da semeadura de amor e mataram sua fome de beleza e sua sede na fonte inestinguível de todo o bem chamada 'Deus'.

Bem aventurados os ENCANTADOS, porque conhecerão a felicidade e descobrirão o que todos almejam chamando 'reino dos céus'."

Amém

sexta-feira, 21 de maio de 2010

De onde vem a paz?


Queria saber de onde vem essa paz...
E também todo esse aconchego dentro...
Esse estado que faz tudo único e a minha rotina tão significativa e exuberante...


Queria saber de onde vem essa liberdade toda dentro...
Sinto-me como me despindo enquanto me dirijo para atirar-me num mar profundo que me envolve por inteiro e encanta; despindo-me das minhas amarras, desatando os meus cadarços, desfazendo o aprendizado burro qur faz a gente achar que sabe alguma coisa...


Queria saber de onde vem essa alegria que me toma de uma forma a não deixar espaço para especulações...
Tenho minha razão como naquele estado entre o sono e a vigilia quando não estamos acordados nem dormindo, sabe? Como se estivesse numa grande almofada numa manhã fria rodeado de travesseiros e enrolado num cobertor cheiroso e macio. Nesse estado, quando acordado de tudo me encanto; quando dormindo, escuto vozes veladas que me conduzem para um lugar que ainda não sei... mas sei que vou!!!


De onde vem a paz? De onde vem essa liberdade? De onde vem toda essa felicidade?
Constrangi-me até hoje por procurar suas razões fora... kkkkkkkkkkk... Que burro que fui!!!
Hoje permito que as razões dentro sejam suficientes por si mesmas...
Permito que a origem divina da paz, da liberdade e da felicidade realize sua obra a partir de mim...


Como na canção, mais uma vez hoje canto:


"Quero abraços sinceros e o sorriso mais belo
por que me conformar com pouco se tudo posso ter?
quero a música das horas e um poema no entardecer
O que Deus desejou pra mim, é o que eu quero ter


Quero o brilho dos olhos e mãos dadas ao vento
por que me conformar com meios se tudo posso ser
quero o livro dos dias e uma estrela ao anoitecer
O que Deus desejou pra mim, é o que eu quero ser"
A quem pague um preço PARA ser feliz. Eu tenho que aprender a pagar o meu POR ser feliz...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre o público e o privado


A reincidência desse tema no âmbito coletivo das nossas amizades me fez desejar falar sobre ele aqui...

Vivemos na era da comunicação! Essa coisa de net acelerou bastante as comunicações e traz para nós, em aceleração, informações sobre tudo o que acontece no mundo e sobre os mais diversos conteúdos.

Não há dúvidas do quanto os valores do tempo interferem na nossa interioridade e formação da nossa personalidade.

Talvez esse excesso e acesso a tantas informações esteja causando certa confusão na nossa compreensão do que seja PÚBLICO e PRIVADO.

Nenhuma mídia é mais pública e estimulante que a vida dos famosos, ibope certo em programas, jornais e revistas...

Mas qual é o limite entre o íntimo e o público?
O público é fácil de entender, é o de domínio de todos! São aqueles assuntos cuja especulação imprescinde ao bem estar coletivo carecendo de compreensão, de posicionamento com relação a eles, de expressão de opinião e tomada de atitude... Simples de entender, né?

Mas o íntimo... ah, o íntimo... o íntimo é o de âmbito privado de cada ser; é o tesourinho de quinquilharias que vale um bocado para quem o coleciona; é o conjunto de sonhos que embeleza e motiva o futuro; é o conjunto de lembranças que dá saudosismo ao passado; é o que nos move e como nos move no presente... Enfim, é o conjunto de coisas que, de valor tão pessoal, deve permanecer velado entre a pessoa que o possui e as pessoas com quem, por afinidade, amor confiança, quer partilhar... E o conjunto de coisas que, se dito, perde a essência, como por exemplo: um cara chega no trabalho e diz “tive uma noitada daquelas e transei com minha esposa ardentemente” – banalizou o ato, jogou as pérolas aos porcos – o conteúdo dessa informação é o tipo daqueles que, ficando no íntimo, motiva, estimula, agrega outros prazeres como: (cara no mundo da lua) “me impressiono em como, depois de tanto tempo, ainda sinto tanto prazer com a minha esposa... como sou feliz por tê-la... não vejo a hora de voltar pra casa e abraçá-la e beijá-la com força e...”.

Para uma coisa ainda preciso alertar: vida íntima não é um processo individualista e egoísta – NÃO!!!

Puxa vida! Daí vem outro processo big bacana – o da partilha da intimidade. Esse processo é aquele em que, por confiança, afeto, amor, consideração, vamos selecionando as pessoas que participam da nossa intimidade e com quem partilhamos dela. Tem coisa mais gostosa do que ter alguém em quem confiar? Alguém junto de quem não se precisa ser forte sempre, nem ter sacadas incríveis a todo tempo, nem esconder nossos medos... Alguém pra sentir junto do corpo e também junto da alma... Alguém que é capaz de entender o valor que tem o mais simples botão guardado na nossa coleçãozinha de valores...

A preservação da vida íntima é também um exercício de subjetividade e inteligência emocional; ajuda a criar, organizar, manter, um mundo de significação interior onde se sente muito prazer em estar e abrir as portas para que também entrem outras subjetividades...

Mas, contudo, esse limite entre o intimo e o público está se perdendo e, com ele, a banalização das relações, sonhos e idéias íntimas; e por que não dizer a banalização da própria subjetividade.

Em reflexão com um amigo, foram duas as imagens que motivaram essa postagem na tentativa de explicar o que seria a exposição desenfreada da intimidade:

“ (...) a nossa vida íntima, como o nome diz, é coisa da intimidade nossa e das pessoas com quem queremos partilhá-la, e só!!! O menor suspiro, além desse limite, é excesso!!! Seria como colocar obras de arte, de extremo valor, em praça pública sem nenhuma proteção - entende?”

“Repito: Vida íntima, como o nome diz, é coisa da intimidade e só deve ser repartida pela pessoa que a detém e com quem ela quer partilhar num processo afetivo de confiança e respeito, qualquer atitude fora disso seria como colocar tapetes persas num salão de forró...”


Não sei se convenci a ele da importância da manutenção da intimidade e de sua importância; não sei se convenci a você que lê; mas acabei, com as imagens acima, convencendo a mim mesmo... kkkkkkkkkkkkkk...

Um brinde a intimidade!!! Eita! Coisa íntima brindar... vinho com alguém especial para depois... ou com amigos também, ao som de baladões românticos no violão... sentados pelo chão, ou melhor, no conforto do tapete persa da intimidade usado para receber amigos e não num salão de forró... kkkkkkkkkkkkkk... e quando se toma café sem pressa lembrando e rindo das presepadas? É ótimo!!! Desculpe, esqueci que você ainda tava aí, e me perdi aqui nessas coisas tão valiosas para a minha intimidade; vou dizer tchau porque não posso parar esse fluxo afetivo incrível aqui dentro – BEIJO... e ler os cartões e cartas antigos? É como reviver, reamar... Fotos? (as feias são as melhores... kkkkkkkkk...) Para mim tem um significado todo especial! E uma forma de participar quando não participamos... ah...............................

sábado, 24 de abril de 2010

Mais algumas burras especulações sobre o amor


Tem coisa mais burra que especular sobre o amor?

Não existe uma razão a ser atribuída que justifique as pessoas quererem ficar juntas... Nem há como explicar o fato quase mágico dessa força unindo vidas, histórias, mundos, experiências, expectativas, tão diversos e sem possibilidade alguma de encaixe pela razão, numa peça única e multifacetada chamada relação...

Por isso afirmo ser burro especular sobre o amor, porque toda reflexão puramente racional sobre ele tenderá inevitavelmente à separação – força inversamente proporcional à sua.

Do amor só se sabe amando! Essa é a grande e indelével verdade!!!

...

Como não queremos ser taxados de burros especulando sobre o amor (mesmo quando muitas vezes o somos), vamos falar sobre nossa postura diante dele – sobre essa sim, há o que se especular.

1º Amar é sofrer!

Essa é uma afirmação muito clara e agir acreditando o contrário é, no mínimo, ingenuidade (para não dizer ignorância).

Quem quer amar sem sofrer, DESISTA!!!

Acho que essa é a grande e monstruosa verdade que assombra o amor: a dor. Todo mundo que já amou de verdade sofreu; depois disso, inevitavelmente orienta seus esforços em não sofrer de novo; se amar de verdade inclui sofrer, querendo não sofrer, vivem-se relações supostas de amor que não matam nossa sede dele... e o constrangimento da sede, especialmente aquela que não se sabe sentida, leva ao vazio e a tristeza – solidão (muitas vezes acompanhada).

Mas por que amar é sofrer? Você pode perguntar.

Carambolas, a resposta já dissemos antes: com relação ao amor nunca se sabe... Não tem um manual de instruções – é um exercício diário! Quando se é de fato experiente se admite que todas as experiências anteriores pouco ou quase nada auxiliam nas novas porque cada relação é uma relação com características e desafios muito particulares e sempre renovados. Nada é mais desafiador que o amor!!! Seria como ter de aprender a andar de bicicleta todos os dias: num dia aprender e, depois de dormir, ao acordar, nada mais saber, e ter de aprender tudo de novo – uma sequência de tombos diários inevitáveis, mas também o prazer e a autonomia inigualáveis de pedalar...

2º O amor é sentimento dos fortes

Segunda afirmação e conseqüência direta da primeira.

A quem, por ter sofrido, acostume-se a amores que só tocam sua superficialidade e com isso se conformem matando a sede do amor à contagotas. Esse é uma característica de pessoas medianas que se conformam em passar pela vida sendo: um pouco felizes, um pouco realizadas, um pouco amadas e, por que não dizer “um pouco gente”.
A quem acredite mesmo que a razão de existir é evitar a dor; gastam assim mais tempo em evitar a dor que em buscar ser felizes. Mas dá pra evitar a dor? A vida é, em si mesma, um exercício de dor... de uma forma ou de outra sempre vem (já falamos sobre isso em algum lugar ai atrás)... mas ser feliz é um exercício de coragem e determinação!!!

Se esse amor minguado, parcial, morno é o escolhido pelos que querem evitar a dor, típico dos fracos, um amor intenso, real, profundo, dolorido e mágico é o sentimento dos fortes...
3º O amor é para sempre x o pra sempre sempre acaba

O amor, entendido como relação, não é pra sempre!!! Não tem como ser!!! São muitas as exigências, expectativas e idéias de realização pessoal tão opostas entre duas pessoas – não dá pra ser pra sempre!!!

E as pessoas que ficaram juntas até a morte, o que você diz delas? Você me pergunta.

Simples!
Mantenho minha afirmação: não foi um amor pra sempre! Foram vários amores, muitas conquistas e reconquistas.
Relações que duram até o fim são o claro exemplo de recordes de conquistas, de renovação do amor em cada nova fase, de muitos “não dá mais” antes de dormir seguidos de “é com você que eu quero estar” logo pela manhã. Não foi um único e uniforme amor prolongado pela vida inteira, mas muitas relações vividas intensamente entre as mesmas duas pessoas.

Não sei se fui claro... Se não consegui, desculpe-me!

Mas quero afirmar também que o amor É PRA SEMPRE!!!

Enquanto as relações são suscetíveis ao fim (e por isso o “para sempre sempre acaba), existe uma outra relação que não se dá entre indivíduos: é a relação entre o ser e o amor e, essa sim, é para sempre!!!

Só as pessoas que amam o amor são capazes de amar alguém com intensidade. Amando o amor amam o “estar amando”. Talvez não vivam uma relação para sempre porque os caminhos entre as pessoas são sinuosos, mas vão amar para sempre e intensamente...

Essas pessoas tem um tal fascínio que é impossível não querê-las por perto, nossa sede de amor nos impulsiona para elas enquanto a exuberância na simplicidade que guardam nos constrange a alma ao mesmo tempo em que nos sentimos instintivamente livres diante delas...

...

Odeio quando chego ao meu limite de palavras!!!

Mas clamo ao AMOR enviar seu Santo Espírito ampliando nossas compreensões além dessas palavras e transformando tudo o que toque em amor...

Amém

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RETIRO


Vivemos um tempo propício de recolhimento e reflexão...
Esse não é um feriado!!! Sei da labuta e dos cansaços da vida e do quanto um dia de folga refrigera nossa alma, mas esses dias, em si, deveriam ser para buscar esse refrigério e descanso em Jesus : “Vinde a mim pois vós que estás cansados e eu vos aliviarei...”.
Também eu, pensando nisso, desejei fazer o meu retiro, não para reconhecer a grandeza de Deus (coisa que não sai da minha cabeça), mas para reconhecer-me nela, para sondar-me na minha relação comigo mesmo, com Deus e com o mundo.
Da minha relação comigo mesmo tenho a mim como base; da minha relação com Deus o tenho sempre; mas na minha relação com o mundo, como refleti-la?
Na última semana da quaresma vivemos, meus amigos e eu, momentos muito intensos... digo intensos pela qualidade na simplicidade. Pudemos ver agregados a nós e nos encantarmos com a exuberância de humana de Gilberto, Ronaldo e Thiago; descobrirmos ainda mais encantos no Esbelto e na Anne BB (linda); reafirmamos a segurança no amor e as exigências dele na amizade com Pepé(olha vc aqui de novo, enxerido), Sandrinha e Joanei; sem contar a presença sempre presente, mesmo na ausência, de Fabinho.
Nada me questiona e estimula mais que isso, que essa vida toda acontecendo à minha volta nas pessoas com quem travo relações e se mostram a mim como possibilidades reais de amar...
Esse é o meu ponto de ligação com o mundo, com a vida, com o real. A minha relação com Deus e comigo mesmo influencia diretamente essa terceira relação, a com o mundo. Será que estou conseguindo reproduzir nela, na minha relação com os outros, a mesma qualidade da minha relação com o Amor e dele comigo?
Me sinto especial! Não vou negar isso nunca! Uma parte desse sentimento é muito concreta, tem sua razão de ser no principio geral da intenção de Deus que nos pensou assim, ESPECIAIS, e reafirmou isso mandando seu filho, sua face de misericórdia, para que pudesse nos resgatar e polir os nossos valores fazendo-os reluzir... Que altíssimo preço Deus pagou por nós!!! Como posso não me sentir especial? Como pode alguém não saber-se especial nesse contexto?
Por outro lado, como cético para com o que penso e sinto de mim mesmo, afora essa parte indelével da nossa especialidade advinda da grandeza de Deus, será que sou mesmo especial ou uso isso para mim mesmo como uma máscara para a minha mediocridade?
Como saber? E o que faz alguém especial?
O que faz alguém especial não é pensar-se especial, mas agir de forma a ser especial...
Não consigo chegar a outra proposição que não essa!
Sendo assim, para averiguar minha relação com o mundo, no campo concreto da ação, do agir além do acreditar, solicitei aos meus amigos mais próximos, aqueles com quem travo relação mais íntima e, por ela, possuem acesso mais profundo a minh’alma, que me conduzissem nessa reflexão mostrando-me pontos aonde posso melhorar; traços que, ajustados, tornariam nossa vivencia ainda mais agradável; pontos em que, vendo-me em desalinho, me orientariam a correção e a felicidade inerente a ela...
Acreditei mesmo nisso!!! E esperei!!! Mas não obtive respostas... Ou melhor: obtive! Mas respostas de isenção de responsabilidade – nada dizer para não se comprometer...
Desculpem-me amigos, se lhes julgo mal, mas essa é uma grande diferença entre nós: eu estou sempre me expondo, falando, reclamando, evidenciando, participando, correndo riscos, nas nossas relações; refleti até com Abreu que detestaria me ter como amigo de tão reclamão e intrometido que sou. Mas vocês... Vocês estão sempre escolhendo o silêncio como resposta. E eu acredito no valor dele usado coerentemente e na hora certa; mas seu uso deliberado também pode ser omissão, uma forma de não se comprometer, de evitar riscos, de ter sempre o não dito como possibilidade de mudar de lado, de voltar atrás...
Enfim, esses somos nós, vocês, finos e calados, e eu mais uma vez me expondo e dando minha cara ao tapa do julgamento por acreditar em relações participativas, concretas, reais, passionais, puras... Agradeço por terem sido vocês mesmos em suas respostas!!! Assim tenho a possibilidade real de amá-los como são, e espero, mesmo no egoísmo de mais uma vez ter refletido a vida e as coisas apenas pelo meu foco e ponto de vista, posto ninguém ter me oferecido um outro, que vocês também consigam me amar como sou.

FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!


OBS: Fabinho (o cobra) enviou resposta ao meu pedido de retiro... Grato, amigo!!! Obrigado por fazer a diferença e me ajudar a continuar acreditando.

Dedico a todos vocês, aos que participam e aos que lêem, essa últim canção que escrevi...


MEU VÍCIO


Às vezes tenho tanta coisa pra dizer
mas não encontro as palavras
Encho todo o tempo todo mundo de perguntas
não recebo respostas


Estou cansado de ficar acordado enquanto todos dormem
e de gritar a todo instante o que ninguém parece ouvir


Às vezes eu me sinto incoerente
com quem anada ao meu lado
É que o caminho mesmo sendo único pra os dois
quase nunca é o mesmo


Estão tentando convencer-me que a mola do mundo é o egoísmo e não o amor
e que a resposta pras minhas perguntas é inevitavelmente a dor


Mas aindo insisto em acreditar haver palavras
que revelem o que a gente traz por dentro
Vou continuar acreditando nas pessoas
esse é o meu vício
E não implica em não precisar nunca mais chorar
apenas que a lágrima sofrida
é lágrima de acreditar...
lágrima de amar...

domingo, 28 de março de 2010

O bumerangue

Estávamos, Pepé e eu, falando sobre relações... Em como nosso grupo de amigos, em tantos momentos unido no ano passado, agora estava disperso; cada um, a seu modo, em busca de realização. Pensamos no quanto era bom e fácil nos amarmos quando juntos e partilhando sempre, e em como é difícil agora manter o mesmo vínculo à distância.
Nesse ponto voltamos ao velho ponto da liberdade, e pude reafirmar o que para mim é a exigência mais sublime do amor: EMANCIPAR, DEIXAR PARTIR.
Numa coincidência, também com Sandrinha e Anne BB o tema da posse, projeções e expectativas nas relações, voltou.
Daí, tomando emprestado a magia e o encantamento pedagógico dos contos, redigi esse, que desejo, do mais profundo do coração, ser para nós, e para todos vocês que, de alguma forma lêem esse blog (em especial a alguém do estremo oeste dos Estados Unidos e também alguém de Portugal, pela fidelidade a esse ponto nosso de encontro), um profundo momento de reflexão.

O bumerangue

Certo dia um zeloso pai estava consertando a bicicleta do seu filho, tirando as rodinhas de apoio, quando ele chegou aos prantos:
- Pai meu passarinho foi embora! Aproveitou um tempinho em que eu estava botando comida pra ele e deixei a porta aberta, e voou...
O pai, atento ao serviço a que se dedicava, não conseguiu ver muito no fato de um passarinho voar da gaiola e disse:
- Não chora filho! Isso acontece...
Mas o filho não se conformava:
- Mas pai, ele não podia ter voado! Eu o amava tanto... Mantinha a gaiola dele sempre limpinha, a água fresca e a comida sempre renovada... Tentava proteger e ser um bom para ele como o senhor é para mim, e mesmo assim ele fugiu. Ele não podia ter feito isso comigo! Ele era o meu passarinho. Eu o amava, mas acho que ele nunca me amou...
O filhinho não parava de chorar, e diante de tão bons e sofridos argumentos o pai resolver dar-lhe uma lição:
- Não pense assim, filho! Seu pássaro o amava sim! Mas você esqueceu uma coisa: ele não era seu...
- Claro que era! Foi o senhor mesmo que me deu de presente, lembra? – contra-argumentou o filho.
- Meu filho, cada ser no mundo tem um instinto e uma essência a cumprir. Está no instinto do pássaro voar, e na sua essência a liberdade. Por isso afirmei que não era seu. A gaiola limpa, a água fresca, a comida renovada, o carinho que você dispensava a ele – essa é a sua essência e, embora fosse tudo muito bom para ele, não supria sua necessidade de cumprir a sua própria história e essência.
- Mas pai, solto, sozinho, pode ser que ele não encontre alimento, nem água...
- É verdade filho, você tem razão mais uma vez. Mas o seu pássaro, assim como as pessoas, embora falem sempre em querer se sentir seguras, não se conformam com a segurança, porque isso lhes limita a experiência. Por exemplo: sei que você pode cair, e não quero que se fira, mas estou tirando as rodinhas da sua bicicleta para que você se arrisque, faça a experiência, e consiga andar sem os apoios; uma espécie de risco necessário. Você vai cair, e mesmo te amando, não posso te proibir de andar de bicicleta apenas para te proteger; a única coisa que posso fazer é estar aqui de prontidão para curar os seus machucados quando você chegar ralado...
- Ainda não entendi, pai. Não consigo pensar que meu pássaro, a quem tanto amei e cuidei, tenha me deixado sem me sentir traído.
O pai então percebeu que, pela razão, não faria cessar a dor do filho, e que precisava também de um exemplo menos complexo para ensiná-lo.
- Filho, vai lá na sua caixa de brinquedos e me traga seu bumerangue.
O menino saiu correndo e num instante chegou com o bumerangue na mão.
- Pronto, pai, aqui está!
- Agora jogue ele com força. – disse o pai.
O menino fez como o pai havia sugerido, lançou o bumerangue com força e, como é próprio do objeto, ele girou, foi longe, e voltou. Quando o bumerangue tocou de novo a mão do filho, o pai retomou a explicação:
- Assim devemos agir com as pessoas que amamos, filho: deixando-as livres para ir, para seguir em busca de suas essências, de suas próprias idéias de realização. Dessa forma, como o bumerangue, se elas nos amam, sempre voltam, não porque são nossas, mas porque nos amam e querem voltar, querem ficar ao nosso lado...
Houve um breve silêncio... Por causa dele o pai, entristecido, achou que o filho não havia entendido nada...
O menino então se levantou devagar e o pai o acompanhou com o olhar; ele foi até a gaiola, limpou o cochinho e trocou a comida, lavou o bebedouro e encheu de água fresca, dirigiu-se até o peitoral da janela e os depositou ali...
O pai aproximou-se e perguntou:
- O que você está fazendo, meu filho?
- Talvez meu pássaro me ame e queira voltar. Se ele quiser voltar, quando ele chegar, quero que saiba que o esperei e que não quero mais colocá-lo na gaiola... E se ele não me perdoar por tê-lo prendido, outro passarinho pode vir e comer aqui; depois ele vai para a natureza e cumpre a essência dele de ser pássaro, mas no outro dia ele volta de novo para comer, assim como o bumerangue, e eu terei de novo um amigo pássaro vindo ficar comigo num ou noutro momento do dia, não porque eu o prendi, mas porque ele quis voltar...
Terminadas essas palavras o menino riu, saiu correndo, pegou a bicicleta que já estava pronta e sem as rodinhas, e saiu tentando se equilibrar. E o pai, ainda engasgado com a emoção do que tinha acabado de ouvir, olhava seu pequeno “bumerangue” se afastar sem dizer nada, apenas com uma silenciosa oração de gratidão a Deus em seu coração.


OBS: na próxima postagem continuaremos com o tema...

terça-feira, 16 de março de 2010

Palavras e silêncio

A tia (Celi) me pediu para escrever algo que apresentasse nosso trabalho do álbum “Ecos do Deserto” e, diante dessa tarefa, silenciei...

Não sei explicar... É que a idéia de ter de escrever algo que seja aceitável, bom, comercial, me prende e constrange; na verdade gostaria de dizer apenas uma meia dúzia de palavras dizendo como foi bom fazer ou o quanto esse trabalho significa para nós, mas infelizmente isso não iria fazê-lo significar para as outras pessoas, porque essa relação de significação é muito pessoal.
Acho mesmo, ao menos gostaria que fosse assim, podermos dizer algumas simples palavras e nelas ter revelados tudo, todo, o que sentimos, e que às vezes só é entendido ou dito gracioso de extenso, enfeitado, enfadonho e DITO, sem deixar espaço para que os outros sonhem também.
Pra falar a verdade não gosto muito do dito! Ele diz e pronto! Não dá espaço para o sonho... Acho mesmo que as palavras deveriam ser como que a corda de um brinquedo mágico que, uma vez dada, não encerra em si a brincadeira, mas a inicia, dá pulso a brincadeira linda de sonhar...
Tenho me perguntado, nessa quaresma, o que aconteceu comigo... esse sempre foi um tempo muito profundo pra mim, e às vezes até um tanto melancólico e triste; Mas esse ano, e ainda não sei o que ele tem de especial (mesmo quando a gente sempre sabe), meditar a paixão do Senhor não me melindra nem entristece, me faz acreditar nos sonhos: nos meus e nos de Deus... Estranhamente, não consigo mais me penalizar com a dor de Cristo, ela parece insignificante diante da grandeza da consumação da vontade dele unida à do Pai – Pai, Filho e Espírito Santo, na mesma cruz, realizando seu sonho de amor e redenção para a humanidade inteira...

Continuo sem conseguir dizer nada do Ecos, tia. Ainda ecoa dentro o cantado:
“Uma palavra de amor basta. O amor fala pouco e se expressa mais no silêncio”.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quando silencio...

Estou optando pelo silêncio...
Acho, de mim mesmo, essa uma decisão muita sábia e acertada:
(...) amores ditos nem sempre são amores sentidos, mas o que dizer dos amores velados pelo silêncio?
Livros de muitas páginas as vezes dizem menos que uma boa frase colocada numa hora propícia...
Muitas palavras nem sempre dizem alguma coisa! Um bom dicionário, por exemplo, tem enésimas palavras, e não diz nada além de apontar para o bom senso no uso das palavras; e bom senso é algo do que ando fugindo, embora ele sempre me ache... que droga!!!

Silenciar não vai ser uma tarefa difícil. Por muito tempo silenciei... acho até que era mais coerente comigo mesmo quando mantinha em silencio tudo, ou parte de tudo. Chamavam-me de enigmático e sombrio, “aquele a quem não se decifra”...
Achei, por algum tempo, que deveria comunicar meu mundo interior, partilhá-lo, equipará-lo ao grande mundo entendido por todos e fazê-lo entendido ao menos por poucos... A idéia era boa, embora imprecisa e ineficaz – Ninguém quer ouvir ninguém, as pessoas só ouvem os ecos dos seus próprios apelos, ouvem o que querem ouvir, ou ao menos o que lhes é conveniente ouvir...

Por causa disso aprendo que, fora da arte, toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

Sem contar que ainda tenho o artifício do engano: sempre falei muito e ninguém ouviu nem entendeu! Ao menos agora posso justificar dizendo-me que ninguém ouviu porque eu não disse... kkkkkkkkkkkk... Uma forma engenhosa de amenizar dores que não vão passar, quer eu pense nelas ou não!

Ah! Também me livro de aborrecimentos! Aderindo ao silêncio como direito de resposta evito envolver-me em tantos aborrecimentos e contendas desnecessárias a mim tão comuns causadas pelas palavras que digo amando mas não tendendo agradar; palavras que sempre foram a expressão do meu respeito, fidelidade às pessoas (achei mesmo que uma linda forma de amar era colocar-me claro sobre tudo junto aos que amo); assim, nunca lhes comuniquei as palavras que queriam ouvir sendo-lhes de alguma tristeza ou aborrecimento – o que nunca desejei!

Que venha o silêncio!!! Palavras, embora para mim como pássaros saindo em bando do meu coração para traduzir-se em meu canto, fala ou escritos, são apenas palavras...

Repito uma verdade para mim, que posso até considerar mentira aí mais adiante, mas que agora é luz que me norteia: fora da arte toda tentativa de auto-expressão é burra!!!

A todos os que estão acostumados com minha tagarelice que pouco diz ou nada, não estranhem se me faltam as palavras... agora é hora de que grite meu silêncio!!!

Uma última coisa vou segredar-lhes:
Delimitei-me um tempo, consideravelmente curto, para lutar ainda por mim e pelo que acredito... Sei que não é atitude muito inteligente, mas imprescindível aos passos que tenho que aprender a dar.
Delimitei-me um tempo para lutar ainda por mim e pelo que acredito...Não conseguindo, render-me-ei ao mar comum contra cujas ondas tenho lutado há muito para não me deixar abater e afogar; cederei ao mar comum...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Chuva, café e "bolo de caco"

Ontem foi um dia daqueles - único!!!
Não que todos os dias não sejam únicos... Mas é que alguns são especialmente únicos! Tem meio que o poder de expandir nossos sentidos sensibilizando-os de uma forma que nada é capaz de passar desapercebido: o friozinho sutil que entra pela janela - parece até que é visível e podemos tocá-lo; as gotas de chuva lá fora - em cãmera lenta como se pudessemos contá-los; e o cheiro maravilhoso que vem da cozinha misturando o aroma insubstituível de café fresquinho e "bolos de caco" - aromas que juntos causam um deleite aos sentidos e uma explosão na memória trazendo as mais doces lembranças e rostos...


Assim foi minha quinta! Uma quinta (in)comum!!! "In" no sentido de dentro, inscrito, sacralizado, no que é totalmente comum e perfeito!!! E"in"no sentido de diferente, fora do comum por sua especificidade.


Estou comigo há já alguns dias como desejei... E é essa uma experiência, é como olhar-se no espelho por muito tempo - pode levar alguém a loucura!!! E como, para mim, esse limite entre loucura e sanidade misturou-se totalmente, torno-me cada vez mais são na loucura e cada vez mais louco na sanidade... kkkkkkkkkkkkkkkk...


Hoje é sexta!!! E comigo uma lembrança entristecida: poderia ter aproveitado melhor minha quinta... poderia ter selecionado melhor as ocupações para melhor poder usufruir daquele presente... poderia ter agradecido mais... poderia ter saido mais da superficialidade e, mais uma vez, mergulhado fundo!!!


Tenho me comportado como um mergulhador disposto a bater um recorde: o de profundidade sem balão de ar. Cada vez vou mais fundo vendo em mim coisas que jamais imaginaria; e é cada vez mais exigente esse mergulho... Fui algumas vezes tão fundo que ultrapassei o limite do ar beirando a inconsciência... É possivel mesmo que, em mais um desses mergulhos, eu não consiga mais voltar... Mas terei conhecido do que sou muito mais do que muitos que por aqui passaram... Acho que, assim, terei batido meu recorde...


Que sacralidade há no que é comum e aparentemente sem valor!!!
Cada segundo é sagrado! Cada coisa é segrada! Cada sonho ou pensamento é sagrado! (...)
E como só é sagrado o que tocado por Deus - em tudo está Deus! Está Deus TODO em tudo!!!Busquemo-lo!!! E nos deixemos encantar em seus encantos...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NADA


Não sou bom em nada!
Nem bom poeta, nem bom cantor...
Não sei fazer nem o que acredito servir pra fazer...

Na verdade não sou bom em nada!!!
Mas talvez seja bom em ceder... Em permitir que Aquele que é bom o seja em mim...
Mas nem disso posso gabar-me: um instrumento não pode gabar-se, porque não existe em sua funcionalidade sem alguém que o opere!
Sou só um instrumento ruim e ineficaz!

Vejo coisas que as pessoas parecem não ver, escuto melodias que parecem não ouvir, toco e inalo flores e odores primaveris que ninguém parece tocar ou sentir, pelo menos não acordados... Mas não posso tomar parte em nada disso...

Podem os óculos tomar para si o que os olhos vêem?
Um violão oco e vazio querer ser dono da música que entra nele, se amplia e sai?
Ou uma enxada querer ter mérito num jardim florido por revirar a terra elementar?
Sou um grande nada, confundido entre a grandeza do que me toca os sentidos e a mediocridade da razão...

Não sou nada... E, estranhamente, hoje, esse nada ser não constrange meu ego. Ao contrário, lhe dá prazer, nem imenso nem pequeno, mas tênue e constante capaz o suficiente de tocar todos os recônditos do que sou, do nada que sou, do tudo que pareço ser quando nada sou, do nada onde pareço estar quando tudo sou... do silêncio que agora se apresenta como melhor forma de explicar o que sentido e não conseguido dizer nessas palavras...

...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Good Bye Fábio Cobra

Eu, de minha parte, não acho que seja prudente cobra ganhar asas... Mas se o Senhor supremo decidiu assim, que poderei eu dizer? kkkkkkkkkkkk... O Cobra voou!!!

Voou em direção ao que acredita de felicidade e, se for de fato feliz, acho que serei também um pouco feliz e realizado na parte minha que ele leva.

Não me incomodo muito com partidas... Acho até muito bacana o exercício de deixar partir, não o que não nos interessa e se faz fácil deixar ir, mas justamente o que nos é muito caro - EMANCIPAR É UM DOS MAIS SUBLIMES EXERCÍCIOS AFETIVOS!!! E no mais, acredito na canção que diz: "perto estás se dentro estás..."; Assim, distâncias são bobagens quando sabemos nos encontrar dentro...


Certa vez, quando eu era um adolescente de uns 17 anos (não um de 28 como agora, kkkkk...), escrevi uns versinhos em ocasião de partida de um amigo... esses versinhos juvenis foram ganhando sentido ao longo da minha vida desde então e hoje, em ocasião de partida tão especial, decidi partilha-los com vocês:


ENTRE A CHEGADA E A PARTIDA


A vida é uma longa travessia
onde estamos de uma forma ou de outra chegando
de um jeito ou de outro partindo
mas encontrando
sempre encontrando

Quantas não foram as pessoas
que chegaram silenciosamente em nossas vidas
sem que ao menos nos déssemos por conta
e que tiveram seu valor revelado num instante de despedida

E quantas não foram as pessoas
que chegaram alarmantes
devastadoras como um tufão
e partiram silenciosas como a doce brisa

Não importa se notadas
na chegada ou na partida
importa tão somente a existência
a existência tão somente é o que importa

E o que vale nesse breve
tão imensamente breve
que separa a chegada da partida é o encontro
a troca
Vale tão somente o amor
O amor tão somente é o que vale

E se ainda perguntasse
como no lacerar de um punhal cortante
De quem é a maior dor
se de quem fica ou de quem parte
quem responderia sem se deixar ser tragado pelas ondas
gélidas e tórridas do mar da saudade

Quem?
Se para quem parte há a dor que leva
Há a dor que fica
Se para quem permanece há a dor que fica
Há a dor que vai

Dor por dor
Vale a alegria
O gozo do breve
por mais breve que esse seja

Pois do tempo se tem tudo e todo o menos
Tudo menos sinônimo de qualidade
pois quantos não foram os amigos verdadeiros conquistados num breve instante
e os não amigos nunca feitos
Adentro a eternidade
nunca feitos
nunca amigados

Mais valeria para nós fazer de cada encontro o último
e de cada novo encontro recomeço
Nessa perspectiva
encontros e despedidas desvanecem-se
tudo é encontro e despedida
nada é despedida e encontro


Por fim, ao Fábio Cobra, que descobriu agora ter asas, um verso do Russo que diz:
"vai com os anjos/vai em paz/era assim todo dia de tarde/ a descoberta da amizade/ Até a próxima vez!!!".



Estou voltando pra casa...

Estou voltando...
Nem devagar demais e nem correndo... Voltar para casa é sempre uma experiência tranquila...
Passei muito tempo fora, o que foi muito bom! Conheci outras casas, outras formas de arrumá-las... Volto cheio de idéias de como melhorar a minha...
Das casas por onde passei, a alguns habitantes quis amar, outros quis trazer comigo, de outros me despedi para só voltarmos a cruzar nossos umbrais daqui a muito tempo adiante... e me encantei em cada casa, em cada uma delas com meu lugar preferido e onde me sinto em paz... Achei, em alguns momentos, que voltaria acompanhado, mas não! Volto só como só parti... Volto só como se possível fosse só voltar, a sós voltar, se tanto trago do que vi e aprendi, se tantos trado dos que aprendi e com quem vivi...
Esse giro é essencial: faz arejar o coração e as idéias, me bota em contato com o mundo real além do meu tão particular que comporta a choupana onde habito...
Mas como é bom voltar!!! Esperavam - me meu silêncio e minha música, minha dança e os momentos de inércia ao sol pela manhã, meus livros ainda por ler e os momentos em que paro e leio a mim mesmo...
Como é bom estar de volta!!!
É como voltar de viagem: muita coisa pra arrumar do que se traz e do que ficou; muito trabalho pra botar a casa novamente em ordem, mas o resultado sempre agrada muito... Trago coisas novas e tenho coisas antigas para fora jogar, outras para reciclar (re-significar), de forma que, em cada volta, a casa é sempre nova, mesmo sendo a mesma...
De todo o gozo apenas uma tristeza: aquele a quem muito amo veio me visitar, mas não estava dentro pra recebê-Lo; tinha o coração emprestado a outros amores e saber não estar dentro quando Ele veio me apavora e só não me mata a saudade porque sei que sempre volta no outono para me fazer feliz e dar sentido a essa morada.
Estou de volta e só agora, depois de tanto andar, me dou conta de como adoro tudo isso aqui dentro; de como todo esse incompreendido aqui dentro faz sentido pra mim...
Que as manhãs tragam perfume de novo dia, umidade de orvalho, e me ensinem um canto novo de louvor e gratidão...

Que venham todos os fins de tarde! Os esperarei com café fresquinho... Abraçarei cada pôr-do-sol como único, porque é único de fato pelo ângulo de onde olho das minhas janelas...

E as noites? Ah! Que venham as noites que me tomam e me levam mais longe do que jamais imaginei ir... Que venham as noites a enriquecer meus sonhos do que ainda não vi... a levar-me tão longe quanto possam me levar a envergadura das asas do meu coração...
Estou de volta a casa!!!
Por muito tempo, a partir de então, me dedicarei a essa empresa: cuidar desse lugar dentro; e só voltarei a sair quanto tudo aqui estiver preparado para visitas – dAquele que sempre vem e daqueles que, por ventura, quiserem co-habitar ou descansar nesse lugar dentro onde moro...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Solidão


A vida é uma experiência muito solitária...

A minha solidão é tão profunda algumas vezes que chega a doer...

E aqui não está em questão estar ou não acompanhado... Não!

Quanto a isso não tenho do que reclamar; estou sempre muito bem acompanhado de pessoas maravilhosas...

A solidão a qual aqui me remeto não tem haver com companhia, é algo mais lá dentro sabe?!

É a solidão interior...

É a solidão de andar sem ser visto, compreendido...

É a solidão de não ser amado!!!

Mas há na vida quem não seja ou tenha sido amado? Você pode me perguntar.

E eu respondo com outra pergunta, inversamente proporcional a primeira:

“Onde estão os verdadeiramente amados?”.

De fato, todos nós achamos um dia ter sido amados ou ter amado outras pessoas. Mas será que amamos essas mesmas pessoas ou as representações que fizemos delas? E quanto aos que nos amaram, nos amaram de fato ou apenas aquele detalhe, conveniência ou representação de nós?

Sei que viver pensando não é o melhor caminho, porque não há um termômetro para se medir o quantificar o amor... essa é a grande verdade...

Mas é que só me sinto de fato amado quando sinto que esse amor se aproxima de quem eu sou, do eu verdadeiro, real, aquele anti-social, aquele quando ninguém vê...

Essa coisa da solidão me acompanha de tanto tempo que não me lembro de algum dia ter vivido sem ela; e confesso: enlouqueceria se no mundo não tivesse sido amado de verdade, se não tivessem surgido na minha história quatro pessoas que me quiseram bem por mim mesmo (uma delas já não estando mais aqui para me amar).

Estou cansado de tantas pessoas querendo, para me amar, que eu mude isso ou aquilo, apelando para que eu me torne o que elas querem amar... como posso dizer que me amam assim? rs...

Hoje é mais um dia daqueles em que eu gostaria de ser transparente... não precisar comer nem beber... sair por aí a misturar-me e infundir-me em tudo fazendo e tendo parte em tudo...

Seja bendito esse deserto de onde emana, em ecos, a canção solitária da minha vida...


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo

Mais um ano em nossas vidas... que maravilha!!!

A vida é o dom mais precioso; se a temos, garantimos de quebra todas as possibilidades: se alegres ou tristes, isso depende das variantes à nossa volta e das escolhas que fazemos... Mas ser feliz é sempre uma variante acessível a todos!!!

A virada de um ano não é nada mais do que mais um dia que nasce, em termos práticos; mas o bacana é a simbologia que isso traz de renovação das nossas forças, expectativas e sonhos...

Por isso, vou me render a grandes poetas e seus ensinamentos...

Outro dia um amigo em crise disse que estava cansado dessas palavrinhas de auto-ajuda, e só aí eu me dei conta do quanto ele cresceu, e senti muito por ele... acho mesmo que deveríamos preservar um lugar em nossos coraçãoes incorruptível e nunca suscetível aos arroxos do meio, às dores da vida... um lugar no coração onde pudessemos ser sempre meninos... só um coração assim é capaz de entender a arte, não para uma crítica, mas para sentí-la, deixar-se mover por ela, ainda se encantar pelas coisas mais tolas...

Para quem ainda é capaz de entender dessas simples coisas, essas palavras também muito simples, mas que escondem grande sabedoria:

Cortar o tempo (Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente


Receita de ano novo (Carlos Drumond Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.




Esperança (Mário Quintana)

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


A Vida (Madre Teresa de Calcutá)

A vida é uma oportunidade, aproveite-a...
A vida é beleza, admire-a...
A vida é felicidade, deguste-a...
A vida é um sonho, torne-o realidade...
A vida é um desafio, enfrente-o...
A vida é um dever, cumpra-o...

A vida é um jogo, jogue-o...
A vida é preciosa, cuide dela...
A vida é uma riqueza, conserve-a...
A vida é amor, goze-o...
A vida é um mistério, descubra-o...
A vida é promessa, cumpra-a...
A vida é tristeza, supere-a...
A vida é um hino, cante-o...
A vida é uma luta, aceite-a...
A vida é aventura, arrisque-a...
A vida é alegria, mereça-a...

sábado, 26 de dezembro de 2009

ESPECTADOR


Esse foi um ano incrível!!!
Meio sem querer acabei por abraçar uma empreitada fantástica de trabalho pessoal; nele descobri o real significado da pobreza evangélica: “Trabalhar muito, mas não pelo enriquecimento pessoal, e sim pelo enriquecimento da humanidade...”; e o instrumento de trabalho não poderia ter sido outro – A ARTE! Esse bem de todos e para todos...

Aprendi muito!!! De mim mesmo e das minhas potencialidades ocultas, e também dos outros à minha volta... Aprendi do que é inerente a todo ser humano num complexo sistema de relações humanas que me enriqueceu muitíssimo...

Por outro lado, toda grande façanha tem seu ônus... essa também teve!!!

Para poder dar cabo a todas as exigências da missão a que dediquei minh’alma precisei cair na estrada por muitas vezes, e por muitas vezes me ausentei das vias a que estava acostumado a trilhar; o resultado disso: COBRANÇAS!!!

“Você não para mais em casa!”; “Só vive no mundo!”; “Já não podemos mais contar com você!”; “O que você quer da vida? Isso não te dará nada!!!”...

Rrsrsrsrsrs... Tudo isso é muito engraçado!!! Descobri, no decorrer de todos esses discursos, que as pessoas se acostumaram a me ter como ESPECTADOR das suas vidas, uma presença garantida na platéia para aplaudir suas vitórias, apoiar nas derrotas, ou apenas para estar ali, compondo público, engrossando fileiras para dar-lhes sensação de segurança... ou ainda como cenário ou pano de fundo para suas realizações...

Costumamos brincar que, em cada apresentação, precisamos de alguns familiares e amigos na platéia para aplaudir... que aplausos são uma espécie de torpor coletivo – um começa e logo todos fazem... kkkkkkkkkkkkkk... Mas não imaginei que uma brincadeira tão tola fosse se apresentar de forma tão característica na vida real.

De fato, acho mesmo que colaborei com tudo isso; sempre tive grande prazer em ser mesmo esse espectador, assistir, ver, reconhecer as enormes virtudes e feitos das pessoas junto a mim, e valorizá-los, alegrar-me com eles na simplicidade dos nossos laços. Por causa disso acabei por me tornar adereço em suas vidas, como um vaso que se tem na sala a anos, tantos que já nos habituamos tanto a ele que passamos sem o ver e só passamos novamente a notá-lo quando já não está mais no lugar de costume...

Reclamam que eu viva suas vidas... Mas a minha, quem vai viver?

Só tenho o curto período dessa vida para me tornar uma das pessoas mais felizes que esse mundo já viu, e uma empresa tão grande como essa precisa de mim todo empenho e dedicação!!! E não posso delegar a outros funções que cabem tão somente a mim... Ninguém é feliz no lugar de ninguém; mas podemos sim ampliar nossa felicidade quando, além da nossa própria, sabemos nos alegrar com a felicidade dos outros... mas essa é uma arte que não posso exigir...

Quanto a ser um espectador, essa é coisa que não sai de nós, uma vez aprendida é para sempre. A diferença hoje é que, para alguns, não estou na primeira fileira; para outros nem na platéia; mas ainda sei ler nos jornais sucesso de público e crítica, e ainda posso mandar flores... Um amigo disse há pouco que, das flores que mando, os espinhos chegam sempre primeiro. De fato, as rosas, flores superiores, vem associadas a espinhos; mas posso também enviar algumas margaridas – flores menos nobres, mas sem espinhos; ou, com muito esforço, algumas flores de plástico – não tem espinhos e ainda garantem não murchar no caminho – a pena é que não podem ser desidratadas e guardadas dentro do nosso livro preferido marcando e perfumando nossa página preferida... mas há quem prefira essas!!! É preciso respeitar os gostos, não é mesmo?

Já o disse não sei onde, mas agora repito: minha esperança é que, o que tenha se inscrito de verdadeiro, esteja num lugar da alma onde não possa ser apagado...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Etiquetados


Código de barras...
Número de série...
Manual de instruções...
Produção em massa...
Quem foi que disse que essa droga serve pra seres humanos?


Vivemos lendo bonitas mensagens e teorias que falam da individualidade, da identidade única de cada ser... mas na prática uma grande mentira, e estou cansado de palavras...
Somos diferentes mesmo!!! Isso não é teoria, é realidade!!! Totalmente diferentes...

Existem igualdades? Sim! Talvez, sendo bem geral e simplista, apenas uma... Aquela da igualdade de direitos é uma grande balela, não é essa!!! A única igualdade entre todos os seres é que “TODOS QUEREMOS SER FELIZES”... podem até haver outras, mas no momento não me chegam.

Mas até nessa idéia de felicidade a burrice da idéia de produção: tendemos a escolher situações e comportamentos já padronizados, por uma certa idéia de domínio de suas variantes; é como que os temperamentos, comportamentos, situações, já conhecidas e catalogadas viessem com um manual de instruções fazendo com que a gente tenha idéia de domínio, posse, superioridade.
Por causa disso, pela falsa idéia de poder que os padrões nos trazem, acabamos por querer catalogar tudo, estereotipar tudo, e imprensar tudo nas parcas forminhas que entendemos de vida e felicidade.

Por que vocês acham que temos tanta dificuldade com o novo? Com o diferente?
Porque isso nos tira do domínio! Faz a gente achar que não sabe tudo e ainda tem a aprender...
Ou simplesmente revela nossa mediocridade em caminhar seguindo os passos já pré-estabelecidos, como se isso pudesse economizar esforços, como se não fosse um esforço sobre-humano amar com sentimentos e emoções que não são nossas, de outro coração, ou ser felizes com uma felicidade pré-moldada.

Aí estamos nós, amigos: etiquetados!!! Com aquele selinho de controle de qualidade que categoriza o produto quanto mais fiel ele seja aos padrões e a idéia que se fazia previamente dele... Eu vou sempre para o refugo! Kkkkkkkkkk...

Não estou aqui arrotando respeito às individualidades; minha indignação não é menor comigo mesmo e com a “macro porção” de ridículo que me compõe; apenas quero gritar coisas que nem mesmo sei agora... subir num lugar alto e gritar qualquer bobagem, pelo prazer de gritar...
Acho que sou do tipo ridículo-idealista que ainda acredita em “NOITES COM SOL”...

http://www.youtube.com/watch?v=ScmCkiC56tM

Noites Com Sol
Composição: Flávio Venturini / Ronaldo Bastos

Ouvi dizer que são milagres
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol
Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol
Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela
Noites com sol e neblina
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol
Livre será se não te prendem
Constelações
Então verás que não se vendem
Ilusões

Vem que eu estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar
Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar

domingo, 8 de novembro de 2009

O MENINO DE PIJAMA LISTRADO


Acabei de ver um dos melhores filmes que já assisti nos últimos tempos: O MENINO DO PIJAMA LISTRADO.

Ainda não tenho como definir o que estou sentindo...
É tanta coisa misturada aqui dentro...

Sinto que o mais vil e medíocre do humano me habita juntamente com o mais sublime... E tenho medo de não saber escolher o certo...

Por muitas vezes ouvi ou li exortações sobre a inocência, mas não compreendi porque me deixei levar pelo senso comum onde “inocência” é sinônimo de tolice, inferioridade, pouca inteligência ou incapacidade para lidar com as coisas da vida e do mundo.
Quanto engano!!!

O Senhor não recusa os seus bens àqueles que caminham na inocência. (Salmos 83,12)

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
(São Mateus 5,8)

Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. (São Lucas 18,16)


A inocência proclamada no livro santo é, antes de tudo, um mapa para a sublimidade.

Deus é muito mais do que Dele já foi ou será dito, e O experimentamos, mesmo que de parte Dele, nas nossas emoções mais ternas; para nós elas parecem muito grandes e nos causam tanta felicidade, e são uma ínfima parte da experiência de Deus, imagina se O pudéssemos experimentar em sua plenitude?

“os puros de coração verão a Deus (...) porque o Senhor promete seus bens aos que caminham na inocência (...) abre as portas do seu reino aos que guardam em seus corações as delicadezas de um coração de criança...”

Queria tanto poder dizer isso tal qual sinto, mas não consigo, e essa incapacidade me constrange...

Oxalá pudéssemos reeducar nosso coração, nos olhos, nossa sensibilidade, para a beleza, para as alegrias sutis, para a simplicidade... só assim veríamos a Deus em tudo, em todas as coisas, no outro e em nós mesmos. Não seria essa uma tarefa tão difícil porque já a experimentamos quando crianças: imaginação fértil, coração vibrante, intensidade de sentimentos, rapidez em perdoar e esquecer, alegria nas pequenas coisas, uso dos sentidos para apreensão de tudo á nossa volta: dias de chuva, manhãs de sol, finzinho de tarde, noite estrelada; dormir com o irmão mais velho, segurar na mão, café na casa da vó, férias com os primos; ver filme e pegar no sono, escutar música e dançar sem preocupação; comer com as mãos e lamber os dedos; adorar a presença de outras crianças e bajular os menorzinhos... experimentar Deus em tudo...

Mas não podemos desconsiderar nossas outras habilidades: a de sermos carrascos, invejosos, mentirosos, interesseiros, agressivos, maliciosos...

O fruto da árvore do “BEM e do MAL”está dentro de nós. Frutos guardam sempre sementes. Somos dispersores de sementes e as plantamos sempre por onde passamos... resta saber se temos escolhido as sementes adequadas, se do bem ou do mal...
Tenho medo de não saber escolher as certas...

Mas que Deus nos infunda de seu Santo Espírito para que possamos guardar a inocência, entendida como deve ser: capacidade de escolher segundo o bem, segundo o coração de Deus.