sexta-feira, 6 de junho de 2014

CAI NA VIDA DE PARAQUEDAS


Cai na vida de paraquedas...
Perdoem-me os céticos, mas Deus me trouxe a essa jornada com a única e exclusiva missão de ser feliz, e como foi e é exigente o exercício de levar a cabo esse mistério.
Na minha mochila de mantimentos, ao soltar-me nessa vida, colocou uma memória de elefante que me permite guardar tudo, do mais sublime ao mais fútil, e contemplar tudo com gratidão, para não apenas ser feliz, mas também saber-me feliz, e não tenho palavras para explicar mais que isso, mas sei que é assim... Colocou em meio peito dois corações, um senil e um pueril, porque assim, tão criança e tão velho, poderia viver todas as vidas, e as vivi e vivo.
Na mochila de mantimentos colocou também uma malinha de primeiros socorros cheinha de lágrimas, para lavar minh’alma quando dói; trezentos mil passos de dancinhas ridículas que danço quando estou sozinho, junto com a falta de bom senso para que possa rir muito de mim mesmo ao saber-me tão ridículo; notas e tons dissonantes para compor a melodia que embala cada dia; e centenas de milhares de sorrisos para conquistar pessoas capazes de olhar nos meus olhos e reconhecer quando preciso de um abraço...
Ah! Na minha mochila veio também um mapa com uma matriz norteadora – UMA PAIXÃO ENLOUQUECIDA POR GENTE. E que droga é essa que me faz tão bem e tão mal?
Adoro gente! Essa é uma das poucas certezas que carrego comigo. Seus sins e seus nãos; seus sonhos e pesadelos; quem de fato são e quem querem parecer ser; o que lhes faz felizes ou tristes... Tudo me interessa!!! Tudo pra mim tem um valor... cada olhar... toda e cada história...
Passei a minha vida encantado, olhando as pessoas... me alegrei muito com suas alegrias; chorei suas dores; aprendi com seus erros e me rejubilei com seus aprendizados... Diante desse fato, um amigo muito sensível perguntou: eram os sonhos dos outros, e os seus? Kkkkkkkk... De fato, eram os sonhos de outros, mas também muito meus que sonhei acordado ama-los e, sutilmente, faze-los desejar o melhor que podiam ser...
Já avencei muito... às vezes tanto que decidi voltar e refazer de outro jeito (Deus sabe)... é como se, para cada vida, existisse um poço com água suficiente para matar a sede de toda ela e eu tenha tido sede demais e bebido toda a minha água e agora precise cavar com as mãos mais profundo, mais profundo, mais profundo... até achar lençóis mais profundos e puros... e como tenho sede!!!
Rasguei o mapa mil vezes, mas ele está tão intrínseco em mim que, por mais que os caminhos mudem, sempre encontro a razão de ser da minha alma – GENTE.
Cheguei a uma encruzilhada, tem poucos dias... e aqui estou, sentado nela, e sentindo uma dor horrível, empenhando todas as minhas energias em conter uma bomba de vida latejando dentro de mim prestes a explodir a qualquer momento, e estou com medo... e admitir-me com medo é tão bom, me faz sentir tão gente quanto a gente que amo, e passo a amar a gente em mim que sou...
Mas não sei se vou conseguir conter tudo isso aqui dentro por muito tempo.
A vida em mim está prestes a recomeçar e peço aos que me conheceram até então não se assustarem ao encontrar um outro totalmente diferente – olhem nos meus olhos e reconhecerão o mesmo que convosco tomou café e tocou um violão desafinado...
E se me encontrar, é bom saber que QUERO TUDO!!! Quero o melhor de mim e de vocês!!! E se me oferecerem coisa qualquer, receberei, mas vou fazer birra e chorar deixando bem livre o menino em mim, porque quero o melhor... Quero TUDO!!! E não vou me conformar com NADA que não seja o TUDO de todos nós...
Se sentir saudades de mim – me liguem... Se quiserem chorar - tenho um ombro e muitas lágrimas para juntar as suas quando não tiver nada pra dizer nem cantar... E se o que quiserem for sorrir – estou cuidando do meu, mas ainda sei sorrir com os olhos... e se é só pra ficar juntos – demos as mãos e fiquemos em silêncio – não há razão de entendermos tudo sempre, apenas contemplar... e se a vontade for de enlouquecer apenas – estou pronto pra fazer dancinhas ridículas pela rua, correr na chuva, dar e receber milhares de beijos nos olhos e na testa e na boca... e não se acanhe de me deixar ver o carinho que nos une sendo você igual ou oposto a mim, a genitália que temos entre as pernas é o que menos importa quando se encontram duas subjetividades...
Aos que me conheceram, não se assustem se me encontrarem outro... É que a vida em mim está prestes a começar... e eu quero TUDO, do BOM ao MELHOR... e vou chorar, reclamar e fazer birra quando não conseguir... E levarei a cabo a minha missão de ser uma das pessoas mais felizes desse mundo... Disso eu não tenho nenhuma dúvida!!!!

https://www.youtube.com/watch?v=W6uTx_iJYKs&index=3&list=RD6fd_-92-IS0




sexta-feira, 23 de maio de 2014

VOCÊ SABE RECEBER PERDÃO?

Em toda a minha vida, sempre ouvi dizer da difícil tarefa de perdoar. Quando criança, não entendia muito... Essa coisa de aborrecimento durava sempre tão pouco que essa tal dificuldade não fazia sentido algum. Acho que mesmo tendo nascido senil, quarentão desde o berço, sempre vivi o paradoxo de manter num mesmo peito, sentados um no colo do outro, em uma profusão de identidades tão grande a ponto de não poder separá-los, o velho que sempre fui e a criança que sempre serei. É com base nisso que tento explicar que, mesmo reclamão e intolerante, muitas foram as vezes que me peguei achando comuns falhas intoleráveis e, assim, descobri de mim mesmo que sou um bom “perdoador”, se assim fica bem entendido.
Mas, por outro lado, o ato de ser perdoado que, no senso comum, sempre se mostrou tão tranquilo e fácil, se desvelou para mim como algo extremamente complexo e de uma extrema responsabilidade. Como? Vou tentar explicar:
Algumas pessoas fazem do ato de serem perdoadas um exercício reflexivo de apreciação da desavença que produziu a tensão e a mal querência que fez ser necessário o perdão. Eita bexiga! Quase não chego ao fim dessa frase... Deixa tentar de novo: Quando são perdoadas, algumas pessoas, sensatas, olham para o problema que gerou a tensão, reflete a ação de cada parte, e faz daquele problema um trampolim para o acerto. Se sentem gratas pela nova chance, porque o perdão é uma nova chance para a manutenção da relação em risco, e seguem ainda mais seguras, mais resolutas, na certeza de que, ao menos não intencionalmente, naquela mesma pedra, não mais tropeçarão.
Ao menos assim é o que se espera... é o que parece mais sensato... é o que produz mais efeitos positivos...
Mas é sempre assim? Claro que não!
Descobri, nesse exercício extremamente prazeroso e doloroso de olhar a vida, que uma quantidade consideravelmente grande de pessoas costuma fazer péssimo uso do perdão que recebem. Como? Deixa eu tentar explicar também.
Algumas pessoas tem de si uma visão tão autocêntrica que, em primeira mão, acham que, obrigatoriamente, precisam ser perdoados. Têm para consigo mesmos uma visão tão misericordiosa que, cometendo erros, quando diante da possibilidade de não serem perdoados, sentem-se ofendidas, injustiçadas, não importando o mal que possam ter feito a outrem. Esse é o principal traço da personalidade dessas pessoas: uma concentração tão absurda em si mesma, no seu estado emocional, que se colocar no lugar do outro para avaliar consequências se faz uma tarefa quase impossível.
Mas os danos desse tipo de mal recebedores de perdão ainda não estão esclarecidos. Tudo bem! Choram, reclama injustiça, até admitem o erro (levando mesmo a fazer achar que refletiram sobre) e, na maioria das vezes, acabam recebendo perdão. No caso anterior, o ideal, falamos do perdão como a chance de fazer refletir e não incidir novamente no mesmo erro, não foi? Com esse tipo em específico não é assim. Não sei que “tiuti” da no juízo que o perdão se faz parâmetro para errar mais.
Já se acham, a todo tempo, merecedores de perdão. Ao ser perdoados, confirmam isso, e acreditam que acharam o caminho, que quem perdoou uma vez, vai perdoar de novo e, para decepção, se não da humanidade inteira mas minha, voltam a repetir o mesmo erro que já foi colocado em cheque antes, só que com um grau maior de má fé – na primeira vez talvez não tivessem noção dos possíveis danos às pessoas ofendidas, mas, nas vezes seguintes, essa ação danosa se faz totalmente consciente.
Pobres de nós que corremos esse risco... e digo de nós, porque, gente como toda a gente, não vou cuspir pra cima e ver cair na careca, sujeito a mesma condição confusa de ser gente, humano, em construção.
Por isso vivo a refletir e, embora isso produza uma profunda dor na alma quase sempre, sofre-se com um considerável gozo, o de saber-se construindo, moldando; não mais alguém fadado a nascer, crescer, trabalhar, trabalhar, trabalhar mais um pouco, reproduzir, trabalhar, trabalhar e morrer; o gozo de saber, não aonde ir, mas como quem pretende ser ao chegar.
Para finalizar, como sempre o desejo profundo, de que o mundo se encha de excelentes perdoadores mas, ainda mais, que se multipliquem as pessoas com zelo por suas relações humanas, as mais diversas, de forma a fazer crescer a capacidade de se colocar no lugar do outro, antecipar o que doe e evitar o corte, minimizando a necessidade de se pedir perdão. Com mais “perdoadores” e menos “pedidores de perdão” teríamos uma equação bem mais ajustada nessa seara de oferta e procura.

Como estímulo, fica essa arte que me encantou essa semana:

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

COMO RECRIAR O AMOR?

No auge dos meus 32 anos, me sinto seguro o suficiente para afirmar ter aprendido que o amor não é uma forma continua e uniforme. Ele cresce, decresce, se alegra e entristece, é criança e amadurece, envelhece em dias e até morre se não lhe damos motivos para permanecer jovem e viçoso.
Mas o amor não é um produto numa prateleira com prazo de validade que, ao ser atingido, deixa-o inapropriado para o consumo, não! Ele tem prazos de validade sim, é fato, mas, por outro lado, tem um poder incrível de regeneração capaz de ampliar o prazo de validade para uma outra data mais adiante. Há pessoas que são tão habilidosas nisso de regenerar o amor, que são capazes de ir ampliando seu prazo de validade para uma vida toda, de etapa em etapa.
E como saber que esse prazo de validade está prestes a se vencer? Os sinais são bem comuns e simples: o brilho no olhar se perde e dá lugar às conveniências, sejam elas da segurança, da valorização da história, da gratidão, do costume, da acomodação... O olhar muda! Próximo da “data de fabricação” esse olhar é para o todo, dá significação ao conjunto, vale de si, para si e por si mesmo. Quando se aproxima do prazo de validade, esse olhar é comparativo, foca uma barriga que cresceu ou um peito que cedeu à inevitável ação da gravidade; os outros vão sempre estar melhores, mais em forma, com os melhores padrões de diversão, com as casas mais harmoniosas e badaladas, e assim, aos poucos, aquele olhar que antes olhava para dentro passa a só encontrar significação, prazer e beleza, da janela pra fora.
Parte essencialmente gozada disso tudo é que esse olhar que mudamos sai de dentro e vai para fora sem nunca vislumbrar espelhos. Mudamos do olhar contemplativo para o comparativo sem fazer de nós exata apreciação de que, também nós, deixamos crescer a barriga, também sofremos a ação da gravidade, também vemos ampliar o número de cabelos brancos, mas o outro, apenas o outro, é quem decaiu.
Na verdade, ao falarmos de validades, inevitavelmente falamos de tempo e, como já dizia o Pe. Antônio Vieira no Brasil colonial, o tempo tira a novidade das coisas, as gasta, e talvez por isso o amor, habilidoso como ele só na arte de se manter, estabelece para si mesmo prazos de validade, momentos de reflexão que nos colocam diante desse embotamento das cores para decidir recriá-lo e estabelecer para mais adiante o prazo de validade garantindo assim mais noites de amor, mais risos, mais suspiros... , ou não.
Mas como recriar o amor?
Olhar para trás não é o melhor caminho porque, ao vermos o que foi bom, enxergamos também os pesos, dores e cansaços que estabeleceram a validade do processo. Talvez o que faça ampliar a validade do amor valer a pena seja justamente o risco, a dúvida, a novidade, o inesperado de possibilidades que essa ampliação abre. Igual não vai ser mais porque as fases se sucedem e se excluem. Igual não dá mais para ser, porque, o sendo, não garantiu a durabilidade do processo. A abertura à novidade que a ampliação do prazo de validade do amor causa talvez seja a condição, em si mesma, para essa ação recriadora.
Outro dia cantei para um amigo: “que venha o novo: novo sorriso, nova dor. Eu quero mais é viver um novo amor”. Mas hoje acho poder parafrasear a mim mesmo cantando: “que venha o novo: novo sorriso, nova dor. Talvez eu possa viver tudo NO MESMO AMOR”.
Um ósculo festivo nos que sabem recriar o amor com criatividade no desejo de que essa força que de vós emana me ensine a aprender a recriar os meus também.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

teraPIA


Aqui em casa, de galhofas, costumo dizer que a PIA cheinha de pratos é sempre a melhor teraPIA... kkkkkkkkkkkk... Ô diabos que não fica limpa quase nunca é pia!!! Por isso, a teraPIA é incessante...
De fato, para mim não há melhor terapia que conversar. Quem me conhece sabe que falo pelos cotovelos (como diz o amigo Fábio Lima/Cobra: “sabemos falar de nós”). Mas, da mesma forma que sei e adoro falar, também sei e adoro calar, em igual medida. Confesso mesmo que às vezes falo mais quando calo e quando falo as pessoas parecem surdas. Mas enfim: hoje é dia de falar...
Odiei crescer!
Detestei ter de ir esvaziando meus bolsos dos sonhos para dar espaço à contas e grana pra pagar contas. Esse é o resumo da vida adulta: fazer contas x trabalhar x pagar contas; num ciclo ininterrupto.
Senti muitas saudades de mim mesmo, do cara bacana que um dia achei que fui, com os bolsos cheios de ideias e arte, e o coração cheio de fé e amigos... Senti muitas saudades de mim mesmo, acredite... Aquelas saudades doloridas de ter que deixar partir o que já não podia permanecer...
E não é que ser adulto seja difícil, não! Pra ser sincero, já conhecia essa experiência desde muito antes. O complicado de ser adulto de fato é que consome muito tempo. Gasta um tempo, para mim sempre sagrado, de sonhar, de ser feliz, mas com tempo de saber-se feliz, o que triplica a sensação de felicidade.
Foram dois anos e meio de transição: casa por montar; perfil profissional a definir; contas a fazer; outras a pagar; correria; ponte rodoviária; duas casas para amar – uma aqui sozinho habito e outra a que minha alma habita junto à minha família; poucos amigos; muitos pratos pra lavar... kkkkkkkkkkkkkk... E uma angústia enorme por não sobrar tempo para ler um livro, ver um filme, dormir dignamente de cabeça tranquila, jogar conversa fora com os amigos, viajar, fazer planos – POR POUCO NÃO PEÇO PINICO!!! KKKKKKKKKKK...
Mas passou, como tudo que passa...
A casa tá montada, no mais amplo sentido da palavra: a casa de fora e a casa de dentro. Se bem que sempre falta alguma coisa; coisas antigas se estragam e precisam ser renovadas (tanto na de dentro como na de fora). Aceitar esse (in)fluxo me colocou de volta na rota.
Comecei por deixar a casa de fora 3 dias sem arrumar e me permiti ver um filme, dormir a tarde, deixar pratos de um dia para outro na famosa PIA, e sonhar... tinha deixado outra casa, mais importante, a de dentro, bagunçada por dois anos, que mal faria deixar essa de fora por 3 dias e sonhar? Vi filmes, escutei música, toquei violão, falei ao telefone, e percebi que estou no comando e não sou esse avatar macabro preso no sistema capitalista repetindo padrões estereotipados.  
Se consegui reaver o menino mim mesmo de quem sentia saudades? Não! Ele cresceu! Experimentou como menino o que se lhe oferecia ao menino, e me ensinou muito com isso. Hoje sou um homem, pronto para experimentar o que se me oferta ao homem que sou.
Kkkkkkkkk... Coisa simples, mas fato de ser adulto numa gaiola de 4º andar que me permite ver o melhor da cidade é andar nu pela casa: fiz como criança, sendo criança, e com a dinâmica de simplicidade própria da criança, e agora volto a fazer longe dos olhos de todos, mas numa dinâmica própria dos dias que tenho e da vida que levo...
E esse nu é muito simbólico... Próprio de uma alma avessa a fama e publicidades fingidas e adepta do revelar-se... o que faço aqui hoje, depois de tantos dias de silêncio...
Espero não ser ao menos um momento de sanidade em meio a loucura dos dias, espero perpetuar esse estado de clareza e manter esse canal de comunicação aberto mãos uma vez; mas se não conseguir, se, ao amanhecer, voltar a olhar com olhos míopes, terei aproveitado ao máximo esse insight de autoafirmação...
Beijo a quem interessar ser beijado...

OLHARES XXI - Quando a felicidade se faz parâmetro para a infelicidade


Costumava dizer que duas coisas nos estragam: tristeza demais e felicidade demais.
Como assim? Deixa eu tentar explicar: o excesso de tristeza produz em nós uma espécie de barreira de defesa; quando conhecemos tristeza em demasia, tudo em nós se move, ao invés de para a produção da felicidade, no intuito de evitar a dor e a tristeza. Pessoas muito sofridas costumam desconhecer o caminho da felicidade, porque ela deixa de ser a meta; a meta passa a ser o “não sofrimento”, e talvez nisso a nova forma de felicidade conhecida e desejada.
Acho que, até aqui, é fácil entender, né? Mas tem o inverso, extremado como esse: ser feliz demais é tão complicado quanto ser triste demais. Por quê? Imagine você que só conhece de doce rapadura, certo? Sempre que ela pensa em doce, o que lhe vem à mente? RAPADURA! KKKKKKKK... Se vier algo melhor que isso, é puro lucro, porque seu paladar queria apenas o doce bruto da rapadura e com ele já estaria satisfeito. Mas, de repente, numa dessas idas e vindas da vida, a essa pessoa é oferecido o mais saboroso manjar... Imaginou a danação? Sempre que pensar em doce, sua mente o remeterá ao doce mais saboroso que já provou - o manjar. Mas manjar não é um doce assim tão comum, daí, tudo que lhe for oferecido vai parecer insuficiente, apenas um “pelo menos”. Pode até satisfazer, mas uma brecha, uma falta vai haver.
Acho que assim ficou melhor explicado e feita a base para nosso olhar XXI: Quando a felicidade se faz parâmetro para a infelicidade.
Minimamente, apenas pela explanação anterior, podemos deduzir que ser felizes demais nalgum momento da vida pode nos trazer infelicidade se aquele padrão não é atingido noutro, mas o olhar que aqui proponho nos remete para uma dimensão ainda mais singular.
Por exemplo: Você vive uma relação afetiva incrível; ela acaba; mas torna-se referência de felicidade, e você passa a tentar repetir ou até superar aquele padrão de felicidade nas relações posteriores, e segue tentando... Se não consegue, a razão age generosa lhe mostrando o quanto as pessoas são diferentes, o quanto os tempos são outros, o quanto você pode inovar por ser uma nova relação... e assim por diante...
Mas quando o parâmetro para comparação, de um esplendor de felicidade, está na própria relação que você está vivendo?
As pessoas são as mesmas; os sentimentos “os mesmos”; a rotina a mesma... Nisso um nó para a razão! O parâmetro para comparação dessa relação não é outra relação, é a própria relação. Você conhece os mecanismos de acesso á felicidade nessa relação, porque já o experimentou, mas, de repente, parece não saber acessá-lo mais. Você tenta, a todo custo, retomar aquele padrão de felicidade, sem, no entanto, conseguir, e a alma se constrange. A felicidade aqui torna-se condição para a infelicidade.É como desejar comer o manjar, ter o manjar na geladeira, e ele não ter o mesmo gosto. Mas como se é o mesmo?
Será que é o mesmo??????
Com certeza não! Talvez nessa certeza confusa, de que sendo o mesmo não é o mesmo, esteja a chave que abre essa porta. Mesmo sendo as mesmas pessoas envolvidas na relação, essa relação, na verdade, são relações, são novas formas de se experimentar que vão assinalando os novos tempos que se vai vivendo. Quanto mais tempo se vai vivendo junto, mas relações se vai vivendo, mas dinâmicas numa mesma relação se vai experimentando, mesmo sem perceber, mesmo achando estar se vivendo a mesma relação e, para cada nova dinâmica, uma ideia sensível de felicidade diferente.
Palavras aparentemente fáceis, mas na prática não é tão simples assim, eu sei!
Mas talvez lançar olhar sobre essa complexa dinâmica nos possibilite desejar, nas nossas relações, não a manutenção de um parâmetro fixo de felicidade, mas o exercício das inúmeras felicidades, diferentes, algumas novas, outras já conhecidas, outras mais intensas, outras suaves, mas diferentes, de forma que a felicidade deixe de ser parâmetro para a infelicidade, mas para o desejo de ser feliz ainda mais.
Que ser felizes seja a meta, o projeto, a empresa, e a rotina mais rotineira e repetitiva que possamos experimentar: todos os dias, dias de ser felizes.

Mais um, entre tantos já feitos nessa página, brinde à felicidade!!!!!!

terça-feira, 26 de março de 2013

OLHARES XX – "Páscoa???"



            Puxa vida!!! Essa Páscoa (2013) nos veio bem intensa: um novo Papa, que coexiste junto a um outro emérito; problemas econômicos na antes inoxidável Europa; um assessor de direitos humanos no Brasil mulato e de alisamento e chapinha no cabelo, mas declaradamente preconceituoso com raça e homofóbico; a França, berço da cultura humanista e dos direitos humanos marchando contra esses mesmos direitos.
Sejamos todos muito bem vindos a pós-modernidade!!!
Acho muito cabido essa prévia reflexão, vivemos uma troca constante entre fazer a cultura e “ser feitos” por ela, e isso não se dá ao acaso, está intrinsecamente ligado ao momento histórico, às respostas que precisamos dar imediatas aos ares do tempo que nos toca – Não existe cultura desvinculada do seu momento histórico nem tão pouco pessoas desvinculadas da cultura, muito menos culturas iguais.
Desejei um “boas vindas à pós-modernidade” e o fiz porque, em tudo que tenho refletido, estudado, tentado sentir sobre esse tempo, tento situar nesse contexto – não podemos pensar o atual com o olhar do antigo (embora o antigo olhar ainda tenha muito peso em nós). Mas afinal, o que tem esse tal tempo pós-moderno? Para responder, não vou entrar em elucubrações científicas, apenas apelar pra sua sensibilidade: há 30 anos atrás, telefonia móvel eram propostas de filme de ficção científica – na atualidade não nos vemos sem os celulares; nos comunicamos incessantemente sobre tudo e para tudo e, sem menos confusão mental, nos pegamos imaginando como era quando não os tínhamos (já pensou nisso? Já fez o exercício de, num momento onde o celular foi bem útil na resolução de um problema, imaginar o tempo, não distante, onde não os tínhamos????); E a internet??? Gente, me pego pensando quando, há bem pouco tempo, enciclopédias caríssimas enfeitavam as salas ostentando um “Q” de “aqui tem uma família culta” e, pobres de nós, passávamos um tempão procurando algum assunto específico e fazendo manuscritos para entregar na escola, fechados e condicionados a uma realidade extremamente imediata a nós, alheios a um mundo que parecia enorme e distante de nós e para o qual parecíamos indiferentes – um mundo de figurinhas na enciclopédia). Não só! Pela internet nos comunicamos, fazemos compras, pagamos contas, acessamos informações por todo o mundo e nos conectamos a esse mundo quando decidimos emitir nossa opinião (como aqui fazemos). Em resumo, tivemos mais desenvolvimento tecnológico nas últimas quatro décadas que em todos os séculos de cultura humana anteriores. Produzimos essa cultura de informações express e somos produzidos por ela, mas não com poucos danos e poucas tensões. Somos muito resistentes a mudanças!!! Produzimos mudanças constantes que nos obrigam a mudar junto, mas somos temerosos em mudar. A queda de barreiras territoriais promovida pela internet abriu nossas culturas para uma apreciação coletiva e algumas questões, latentes em todas elas, passaram a circular e exigir reflexão sendo, algumas das mais imediatas, os direitos humanos e as novas configurações de gênero e as respectivas famílias produzidas por elas.
Esse meio cultural aparentemente hostil, pela sua flexibilidade, empurrou, ao mesmo tempo que para o mundo como um todo, cada um de nós para dentro de nós mesmos numa atitude inconsciente de autopreservação. A antiga cultura, com papeis bem estabelecidos, com o aparente conforto dessa linha quase reta a ser galgada, sede lugar a uma nova onde não há certeza alguma a não ser a de que as coisas continuaram mudando e, com as mudanças, precisamos dar respostas; e essas respostas são extremamente pessoais. Nesse ponto, no ponto da extrema pessoalidade em que vivemos, experimentamos um mundo de coisas não mais sujeitas a uma apreciação por olhos moldados e adestrados para um jeito específico de olhar, mas de olhar curioso, criativo e, esse olhar egoísta, produz uma humanidade nova, que exige ser vista e reconhecida nas suas variadas formas de construir sua felicidade. Nessa perspectiva, o antigo ditame resumido em: “homem de bem, mulher de bem, cafajeste, puta, veado e sapatão”, sede lugar a uma gama imensa, e não passível de catalogação, de possibilidades de ser no mundo. Mas esse ser complexo, pós-moderno, sem catalogação, não nasceu de chocadeira, veio ao mundo inserido numa família e também vai constituir família. Nesse ponto mexe-se no eixo sustentador de uma cultura milenar e de todas as instituições normatizadoras que balizaram nosso pensamento até aqui.
Esse é, em linhas gerais, o contexto. Vamos agora aos nossos pontos de reflexão de páscoa:
Um papa renunciou!!! Que maravilha!!! É ou não é esse papa um homem pós-moderno??? Claro que sim! Ao ver deixar-lhe a força física necessária para o cumprimento necessário do seu ministério, quebrando um protocolo medieval, deixa o “trono” pedindo que ele seja ocupado por alguém que possa dar respostas mais apropriadas as necessidades e ao tempo. Um lindo exercício de humanidade, não foi? Os mais céticos podem dizer – “foi necessidade!” – mas onde mais se revela nossa humanidade que não nas necessidades e exigências do tempo? Enfim! Depois de breve burburinho: “habamos papam”. Quem é? FRANCISCO, um latino americano com nome escolhido em alusão a Francisco de Assis, um grande reformador do pensamento medieval que propôs um olhar de igreja e do mundo para os pobres, um burguês que exercitou sua fé no abraço ao objeto de maior preconceito da época “a lepra”. Devemos esperar que o Francisco, contemporâneo nosso, também quebre preconceitos e se aproxime de quem os sofre??? Sim! E não!
Não sei se vocês perceberam, mas nunca tivemos tanta expectativa no que diz respeito a escolha de um papa, especialmente num período de suposta perda de influência da Igreja católica. Mas porque o esperamos tanto??? Porque esperamos ver suas posturas para nela nos espelharmos. Perdidos, entre tantas realidades nos tocando todo o tempo, somos saudosos da velha  “viseira de burro” que nos conduzia sempre e apenas para frente e para um lugar específico.
Mas devemos esperar que o papa toque, acolha, esse novo jeito de ser humanidade na pós-modernidade. Não! Não devemos criar expectativas! Estamos no meio de uma revolução e nenhum de nós está ainda assim tão apropriado do contexto para desejar posturas definitivas. Estamos em processo; estamos no olho do furacão; embora a complexidade da condição humana seja antiga e estivesse apenas esperando aprender a falar de si, o dito até agora ainda não é inteligível o suficiente para romper os preconceitos. Devemos esperar do papa, assim como em toda a sociedade, um saudosismo da família tradicional, aquela com papeis bem definidos e que deu as respostas necessárias no seu tempo específico. Ela não vai deixar de existir! E que bom que não vai! Não queremos abrir mão dela também! Devemos desejar que ela coexista, ensinando as famílias novas de sua sabedoria. O tempo não propõe trocas, propõe anexos. Vamos assistir e, se sábios, sem tensões, a retomada da identidade da família tradicional, que precisa se reencontrar entre o antigo e o novo; esse retomar identitário da família tradicional é quem vai abrir portas para o novo porque é no seio dessa família tradicional que é gerada a nova humanidade com toda a sua complexidade. Quando a “NOVA FAMILIA TRADICIONAL” acolher seus filhos em sua complexidade, teremos campo fecundo para discutir as novas famílias.
Mas o que devemos esperar do papa Francisco então? No mínimo, que ele olhe para os membros da Igreja, reconheça neles o germe da pós-modernidade, olhe neles para além da uniformidade da liturgia e dos hábitos, para a singularidade e complexidade e criatividade ali escondidos e que precisa fecundar a Igreja de um novo ânimo. Um olhar medieval numa estrutura medieval para acolher pensamentos pós-modernos é a receita perfeita para distúrbios internos. Se o papa cuidar bem da singularidade dos que fazem a Igreja católica, teremos lideres religiosos mais bem resolvidos, mais felizes e mais encontrados em sua vocação e significação no mundo, mais um excelente campo para se discutir a nova humanidade.
A Europa sempre ditou regra para o mundo. O suposto berço da civilização, com suas culturas já experimentadas e enraizadas, suas economias fortes e seu povo cheio de si. Vivemos tempos mutantes, falamos sobre isso na introdução desse olhar. Nesses novos tempos nada é definitivo, tudo está posto a mudar a qualquer momento e, com a Europa, não foi diferente. Abalaram-se as economias; dinheiro mexe no eixo de segurança de vida das pessoas; abalaram-se as antigas estruturas que faziam aquele povo tão cheio de si. Tanto que, não com menos propriedade, o novo para é latino-americano – sede-se um dos mais respeitados “tronos” para alguém de uma cultura de dominados que tende a suplantar seus dominadores. Novos tempos, minha gente!!!
E a macha da França a favor da família tradicional e contra o casamento homossexual???
Logo a França? Me perguntei. Eu sempre admirei a França por ser esse sinalizador da cultura dos direitos humanos e, de repente, é justamente de lá que vem a macha do retrocesso? Mas não tem retrocesso nenhum nisso! A Europa está abalada pela série de intempéries que tem sofrido. Aquele povo era hegemônico justamente num tempo onde as estruturas tradicionais ditavam o rumo dos tempos. Nessa perspectiva, não obstante assistiremos esse e mais outra série de acontecimentos aparentemente retrógrados que nada mais são que a tentativa desesperada desse povo de fazer voltar as antigas estruturas que aparentemente sustentavam sua hegemonia como se, fazendo voltar o velho pudessem, com ele, voltar ao topo. Mas, não esqueçamos, eles tem direito de tentar, tem direito de querer o que quiserem querer. Não podemos nos dizer pessoas abertas ao novo se formos intolerantes ao direito do outro escolher o que, escolhendo, o faz por acreditar que vai ser melhor pra si e, como já vimos, não há mal nenhum em se querer que a família seja a base e o sustentáculo da nossa cultura e da nossa sociedade.
E, em se falando de direitos humanos, tivemos, aqui no Brasil, a escolha catastrófica de Feliciano para a secretaria dos direitos humanos. Seria cômico se não fosse trágico! Mas gente, foi um dos mais recentes e mais significativos propulsores de uma tomada pública de posição que vimos nos últimos tempos dentro da esfera pública do Brasil. Assistimos anualmente há 13 anos milhões de pessoas ligando para decidir quem fica ou sai do big brother e, por essa escolha arbitrária, tivemos a alegria de ver acontecer uma tomada de posicionamento democrática de centenas de pessoas, nas redes sociais, querendo fazer públicas suas posturas a esse respeito – não chegamos aos milhões do big brother, mas já foi um excelente começo. Dentre os manifestos mais sagazes e inteligentes, li um, atribuído a Rita Le, que dizia mais ou menos assim: esse homem é mulato, não é? E tem preconceito contra afrodescendentes? E esse cabelo alisado e com chapinha? Hummmmmm... Também é homofóbico? Kkkkkkkkkkkk... Pobre Feliciano, um homem pós-moderno, mulato, metrossexual que, para ter sua parcela no comércio crescente da fé no Brasil, emitiu seu discurso sem base e sem fundamento de separatismo e preconceito, se vê agora tendo de desdizer o dito para garantir seu lugar num comércio bem mais valoroso na política brasileira. Esse homem não me representa também! Não pelas palavras infames – foram interesseiras e pontuais, cabidas dentro de uma cultura especifica para garantir um bem específico; Não me representa justamente pela falta de um posicionamento real, seguro, indiferente a benefícios pessoais.
Caramba! Pra quem não gosta de ler, essa postagem ultrapassou todos os limites, kkkkkkk...
Mas, depois de tudo isso, cabe-nos agora perguntar: ONDE ESTÁ JESUS EM TUDO ISSO?
Está na Igreja católica? Sim, está! Na macha da família? Também! Em Feliciano? Claro que sim!
JESUS ESTÁ ONDE SEMPRE ESTEVE! Indiferente às vicissitudes dos tempos? Nunca! Ao contrário: respeitoso a condição suprema do livre arbítrio humano, deixando que nós construamos nosso tempo, façamos nossa história.
JESUS ESTÁ ONDE SEMPRE ESTEVE! Ele não muda! As pessoas mudam! Os tempos mudam! Houve um tempo em que a Igreja defendia o preconceito racial pregando que negros não tinham alma. Isso nada tinha a ver com Jesus, era ditame social, humano. Hoje defende a igualdade de raças. Não foi Jesus quem mudou, o mundo é que mudou – e continua mudando.
JESUS ESTÁ ONDE SEMPRE ESTEVE! E é, certamente, a imagem mais apropriada a nos guiar nesses tempos de confusão e dúvidas: comeu com publicanos, perdoou adúlteras, olhou com amor para fariseus, acolheu no reino recém inaugurado por seu sacrifício um ladrão. Ele vivia a máxima que resume sua pregação e é apropriada a todo e qualquer tempo instaurado pela raça humana: AMA A DEUS E AMA O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO!
Nessa máxima, condição indelével para o fim do preconceito, para o respeito e acolhimento a qualquer diferença, para o fim da fome e da miséria, para a confraternização entre os povos, e para a tão sonhada PAZ.
Ah! Termino esse texto muito emocionado. Como foi bom reservar esse tempo em meio a essa correria toda para pensar a páscoa com vocês. Na etimologia da palavra páscoa temos – passagem, e agregamos o conceito – libertação. Vivemos mais que uma data comemorativa, vivemos um tempo de páscoa, de passagem, de mudança, de novas formas de ser no mundo. Que saibamos fazer essa transição mais leves, deixando para trás antigos pesos que já não correspondem a quem e como somos humanidade hoje, libertos de ideias separatistas... E que seja um o lema supremo  a nortear nossa passagem: AMA A DEUS E AMA O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO!
Uma excelente, reflexiva, sentida, humana, páscoa para todos!!!

Rennan Barros
OBS: Acho essa uma das imagens mais apropriadas do Cristo Ressuscitado...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

OLHARES XIX - Perdoar é mais difícil que pedir perdão


Chegou mais um natal e mais um ano novo se apresenta. É muito engraçado como os dias continuarão iguaizinhos, mas a ideia de recomeçar mexe com a gente, faz renovar as forças, Drumond fala lindamente sobre isso (procura aí atrás).
Com o natal e o ano novo nos vem duas monções: a primeira – a ideia de fraternidade e perdão que o natal simboliza ao representar a reconciliação de Deus com seu povo através da encarnação do seu filho; a segunda – as reflexões sobre os pontos altos e baixos do ano que tá quase terminando.
Nesses dois movimentos interiores apresentados vem-nos uma reflexão difícil e confusa: é mais fácil pedir perdão ou perdoar?????
Desde criança ouvi dizer que pedir perdão é muito difícil, pela humilhação de ter que se rebaixar e clamar perdão, e eu acreditei...
Mas hoje penso diferente e apresento isso no olhar de hoje: perdoar é mais difícil que pedir perdão.
De fato, admitir errar, para almas tão seguras de si como as nossas, é em si algo humilhante, quanto a isso não tenho nada a dizer. Só que, diferente do que pensava antes, hoje essa ideia me traz um porém: Quem precisa pedir perdão o faz por uma atitude cometida, por uma ação deliberada que, de alguma forma, lhe deu prazer, ao menos o prazer de se fazer o que se acreditava... Algum prazer teve visto que, inclusa na ação de executar algo, está o prazer deliberado de ter desejado executar e faze-lo, e digo assim ampliando a ideia e significando ela numa dimensão bem geral. Não sei se consigo ser claro, mas quem errou não o fez para sofrer, o fez para gozar de algum prazer, mesmo que as consequências sejam a necessidade da humilhação posterior. Mas um gozo houve!!! Seja ele qual tenha sido e em qual intensidade, mas houve!!!
Entenda-se: só há necessidade de se pedir perdão quando nossas ações atingem negativamente e diretamente alguém, não é?????? Agora pergunto: Esse alguém escolheu passar por essa decepção? Esse alguém gozou algum prazer, mesmo que momentâneo, nessa situação?
A resposta é NÃO!!! Para quem erra há um bônus, seja ela qual for, se na dimensão objetiva ou psicológica, mas há; já para quem precisa perdoar há apenas o ônus.
Veja você que, para a pessoa que precisa perdoar, existem a decepção, a tristeza, a angústia, por uma atitude que ela não escolheu, com a qual nada gozou, sobre quem pesa o peso da decisão de a pressão, seja por questões e sentimentos pessoais, seja por pressões sociais, de perdoar.
Agora pergunto de novo:
É mais fácil perdoar ou pedir perdão?????
São ambas atitudes difíceis! E também meritórias; aqui não quero minimizar a beleza e a importância de nenhuma delas. Bom mesmo seria que não errássemos,  que não sofrêssemos ao ter que pedir perdão nem fazendo os outros sofrerem, ou sofrer ao ter que desconsiderar as dores e perdoar.
As atitudes de pedir perdão e perdoar, em si, trazem a simbologia do RECOMEÇAR, do acreditar de novo, do oferecer a outra face como sugeriu o mestre, colocando-a de novo sujeita a um novo golpe, e isso não é nada fácil também.
Ao final desse olhar, o desejo que, junto ao menino Jesus que precisamos fazer renascer sempre em nossos corações, não nos faltem motivações e forças para pedir perdão e perdoar; e que, com o encerrar de ciclo que o ano novo simboliza, findem-se também, com ele, os fantasmas de dor que assombram os perdoadores e os perdoados...
Um Feliz Natal e um 2013 cheinho de muitas alegrias de perdoar e ser perdoados para todos. Amém!!!!!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

OLHARES XVIII - " Faz bem mudar..."


     
    Passei muito tempo acreditando no valor de algumas coisas... Alguns valores são eternos e imutáveis como família e Deus... Mas e os outros? Os outros valores, as coisas que me faziam tão feliz outrora e agora não fazem mais, o que aconteceu delas? Perdendo essa porção de valores e esses “n” números de ideias de felicidade, será que perdi a mim mesmo? Será mesmo que em algum momento já soube de fato quem sou?
     Nesse exato instante da minha vida, prestes a completar 31 anos, olho para trás, tento olhar para frente, e percebo algo, ao menos para mim, animador: como tudo é tão relativo!!!
     Essa relatividade é condição indelével do SER humano, ser gente, existir; prima irmã da mutabilidade, da encantadora mutabilidade que nos permite ser tantos e todos ao longo da vida... São condições, relatividade e mutabilidade, de todo aprendiz, afinal, aprender abre arestas, produz novos pontos de vista, novas bases para o encantamento, também dores da razão (dores também são indeléveis a quem vive, ama e aprende... condição também inerente a cada novo olhar).
     Se relatividade e mutabilidade são condições intrinsicamente entrelaçadas à aprendizagem, acreditando que aprender é o mais continuo e mais prazeroso exercício da vida, estaremos, assim, sempre aprendendo e, em maior ou menor grau, mudando e, em mudando, relativizando alguns dogmas que estabelecemos para nós mesmos.
     A grande meta da vida é ser feliz! Acho que ninguém, em sã consciência, deseja ser triste, deseja? 
     É só olhar bem de perto para nossas motivações mais íntimas, das mais primitivas às mais sublimes e, no centro do desejo, está a felicidade e, com a felicidade, a plenitude... Comemos por questões biológicas, mas não apenas: comemos porque sentimos prazer ao fazer isso e, sentindo prazer, nos sentimos felizes; estudamos, não apenas para ser isso ou aquilo, não apenas pelo status adquirido com o conhecimento, mas porque a aprendizagem, e todas as suas consequências, nos dá prazer e, com isso, felicidade... e assim por diante...
     Não é mais ou menos assim? Iludimos a nossa mente, na maioria das vezes por medo de assumir nossa mutabilidade, inventando motivos para as nossas vidas e ações que justifiquem essa ou aquela questão, mas escondendo de nós mesmo a verdadeira razão de tudo o que fazemos – queremos ser felizes!!!
     Se ser felizes é a nossa grande e verdadeira meta, se vivemos algo que subtrai a nossa felicidade, não temporariamente mas permanentemente, esse algo está em descontexto com a nossa vida não podendo, ou ao menos não devendo, nela permanecer.
     Chegamos ao grande cruzamento do olhar de hoje: FAZ BEM MUDAR...
    Como podemos admitir tantas questões em nossas vidas que nos subtraem a felicidade por medo de mudar, por medo de aprender e, aprendendo, lançar olhar sobre nós mesmos e percebermos que mudar é preciso; medo de sair do comodismo das relações e trajetos que já dominamos para descobrir novos caminhos, novas formas de fazer tudo... E essas mudanças não implicam em sermos outros, apenas relativizar alguns paradigmas e encontrar novas formas de ser nós mesmos.
     Vejo, com muita tristeza, pessoas encarceradas em si, nas imagens que construíram de si mesmas, que até deram prazer noutro tempo, mas que já não se sustentam sem atualização; tristes, vivem movidas por sentir pena de si mesmas e conformarem-se com pequenas vitórias, pequenas porções do que desejam ser e sentir, vivendo em círculos, repetindo as mesmas e enfadonhas cenas de riso sem vontade e acenos sem prazer, criando realidades paralelas onde, ao menos na imaginação, são reais, são felizes, são quem queriam ser, ou melhor, são quem são de fato.
     Ao fim, acho que nos vale afirmar, primeiro para nós mesmos, para afastar o fantasma do medo, que mudar é bom, é muito bom, e nos faz descobrir mais de nós revelando com mais firmeza nossos valores imutáveis quando, testando-nos nos mais diversos contextos, mostramo-nos do que somos capazes de abrir mão e do que não; e afirmar para os outros, a quem, inevitavelmente atamos laços de amor, que muitas vezes convertem-se em prisões se não regados com o prazer da liberdade, que mudando, tornamo-nos pessoas mais interessantes, menos previsíveis, e sempre disposto a ser conquistados novamente, mesmo que seja pela vida inteira pela mesma pessoa.
   Desculpem a tagarelice!!! É que passei tanto tempo aprendendo pra voltar aqui com a mala de experiências cheia que fico na ânsia de despejar tudo de uma vez... kkkkkkkkkkkkk...
      Adoro esse nosso lugar de diálogo... É muito bom estar de volta!!!

sábado, 1 de setembro de 2012

OLHARES XVII - Liberdade: autonomia do ser


Quando falamos em liberdade, pensamos imediatamente nos seus opostos: cárcere, prisão, limitação, censura... De fato, o inverso disso é liberdade, não dá pra dizer do contrário. No entanto, caí numa dúvida cruel que agora passo pra vocês: as pessoas fora dos cárceres estão de fato livres?
Essa pergunta é confusa, eu sei, e sua resposta é ampla demais; recai sobre uma série de prisões outras além das físicas, as prisões subjetivas, e elas são inúmeras, não dá pra quantificar nem catalogar.
Mas, nesses dias, dei por pensar em liberdade numa dinâmica muito singular, e passei a desejar muito partilhá-la com vocês. Mas antes de chegar ao olhar específico de hoje, queria que pensássemos juntos em algumas atitudes bem rotineiras nossas...
Você já foi repreendido por algo de errado que fez e respondeu: “mas todo mundo faz”? Já usou esse parâmetro, né? Quem de nós já não pensou ou se justificou assim? Incluir outros em nossa dinâmica de erros é meio que uma forma de nos perdoarmos um pouco, afinal, encontrando outros culpados para o mesmo erro que o nosso não nos vemos assim tão “monstros”... kkkkkkkkkkkkkkkk... É mais ou menos assim, consciente ou inconscientemente.
Sob essa dinâmica, meio que alguns erros se tornam tão populares e corriqueiros que a ausência deles é que é estranha, do tipo “todo brasileiro é corrupto”; eita, não é assim que dizem! Esse é o fato mas, dito assim, parece pejorativo... desculpem! Diz-se: “usamos do jeitinho brasileiro”, ficou melhor assim? Isso é tão patente que, quando alguém encontra algo de valor e devolve ganha um status tão nobre que aparece até nos telejornais. Mas não devia ser assim sempre? Por que tanta glória por uma atitude que devia ser regra, natural, simples...
Não sei se ficou claro, mas parece que um erro coletivo meio que perde o status de erro e ganha valor de ordinariedade de forma que, mesmo compreendendo como erro, se todos fazem, também posso fazer...
Mas adentremos outro pensamento...
Sempre que a questão recai sobre nossas relações afetivas o caldo entorna... kkkkkkkkk... Baseamos nossas atitudes, nossa entrega, nossa participação, tudo, na resposta do outro, tipo: só ligo se ligar, só digo que amo se disser, me entrego a medida que sentir entrega, se trair eu traio... e assim por diante... Mas aí eu pergunto: onde está o mapa, a regra, o mecanismo ou o parâmetro que mede amor, entrega, verdade, lealdade?
Enfim, não problematizemos isso, não é nosso foco! A questão é que, fazendo a gente pensar nessas duas dimensões que incluem o outro, a nossa inclusão tranquila e afável num grupo de infratores e nosso condicionamento afetivo passaram a brilhar para mim como duas dimensões de “prisões” muito específicas por terem seu inverso num mesmo e especifico olhar de liberdade que se tornou nosso olhar de hoje: LIBERDADE – AUTONOMIA DO SER!
À primeira vista esse título pode parecer egoísta, mas não! Acompanhe comigo: Todos podem ser corruptos e acharem que isso é normal. Tudo bem!!! Mas comigo pode ser diferente. Não é porque todos fazem isso ou aquilo que eu também tenho que fazer. Por exemplo: não é porque todas as amigas da garota não são mais virgens que ela tem que fazer sexo sem achar que chegou a hora! Não é porque homens gostam de futebol que isso se faz uma regra e quem não gosta também tem que curtir! Não é porque as pessoas são egocêntricas e egoístas que todos temos que ser! Vamos ser bons, só por desaforo!!! Kkkkkkkkk... Essa AUTONOMIA DO SER é exigente, requer personalidade, segurança, firmeza de postura, e revela um traço de liberdade muito significativo: a liberdade dos estereótipos, da estupides massificante, da idiotice coletiva, das opiniões desnecessárias...
E no amor? Caramba! No amor é que essa AUTONOMIA DO SER é louvável. Gente, essa prisão às respostas do outro é, pra ser bonzinho no uso das palavras, ingênua. Se a gente gosta, gosta e pronto! Se o outro gosta também: maravilha! Estabelecemos relação. Se não gosta: paciência! Isso não muda meu sentimento nem minha postura.
Não liga? Se estou com vontade de ligar, vou ligar sim!!! Quero ouvir a voz, saber notícias... A vontade é minha, sou livre para exercê-la. Vou parecer ridículo? E daí?! Parecer não é ser. Ridículo é quem se consome com vontade de ligar e não o faz.
Essa autonomia, essa singularidade da vontade e sua segurança em se garantir nesse desejo, nessa vontade, nessa postura de ser o que se é se faz tão significativa e um traço tão sublime de liberdade que, quanto mais tento explanar, quando olho para os exemplos que usei e como usei, sinto não ter tocado nem a superfície da essência desse olhar de liberdade, mas mesmo assim vou deixa-los aqui registrados para que vocês possam fazer suas próprias inferências e aprofundar essa superficialidade...
Certa vez, quando era ainda mais jovem, ouvi uma sentença que limitava minha atuação em algo que eu desejava muito: você é livre demais. Eu era jovem demais para entender essa sentença. Mas hoje sei que, talvez, eu tenha sido eu demais, eu tenha tentado me sentir e me achar em cada coisa que fiz, não porque todos deviam fazer, mas porque aquela era a minha história e precisava ter a marca da minha busca, dos meus questionamentos... Enfim...
Ser livre é mesmo um desejo intrínseco à nossa alma e um exercício para toda a vida. Que saibamos exercitar essa AUTONOMIA DO SER para o bem, para a personalização das nossas ações, das nossas motivações, deixando em tudo o que tocamos o perfume que trazemos nas mãos, não o perfume do momento que passa na propaganda da tv e posso dividir em 4x no cartão, mas nosso perfume pessoal, aquele que cada pele exala sem possibilidade de haver outro igual.
Sejamos bons, mesmo que seja só pra contrariar; amantes no mais profundo sentido que essa palavra pode ter e, assim sendo, sejamos livres (ao menos no sentido desse olhar, porque nunca somos livros em tudo...).
Hoje o brinde é diferente: um brinde à autonomia do ser!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

OLHARES XVI - Felicidade se constrói com paixão e punhos



Caramba!!! Hoje me aborreci um bocado comigo mesmo...
Que felicidade macabra é essa que esperamos? Não! Que coisinha mais chata se ela chegasse...

Perdemos um tempão danado esperando ganhar na mega sena sem ao menos fazer uma aposta; quem de nós já não se pegou imaginando o que faria com o dinheiro do prêmio? Mas sem jogar?

E no amor, esse sim nos embanana!!! 
As meninas esperam um príncipe encantando num cavalo branco... (Até hoje me pergunto o que elas têm contra os cavalos pardos e os pretos, kkkkkkk). 
E os caras esperando uma menina compreensiva, que não faça muitas perguntas, que esteja sempre arrumadinha, sem nunca engordar, quem não arrotem nem soltem pum,  bem vestida a espera deles sempre.

Esperamos um emprego maravilhoso onde trabalhemos pouco e ganhemos muito. Mais fácil sair correndo atrás de um arco-íris a procura de um pote de ouro com o trabalho apenas de contar as moedas (apesar de que esse seria um trabalhão! Então esquece! Não existe esse trabalho dos sonhos).

Que droga! Quanto tempo perdemos com essas ilusões imbecis!
É o segredo da frustração: desejar o irreal, o frágil, o inalcançável...

Se estou dizendo pra viver sem sonhos, sem ilusões? Jamais!!! Não coloque palavras na minha boca! A vida sem sonhos e ilusões seria mesmo uma droga pior ainda que viver a persegui-las. A questão é que esperamos a felicidade (1) desejando algo irreal, (2) esperando que esse irreal nos chegue como num passe de mágicas (o que teria muita lógica – ilusões nos chegando através de mágica).

Repito: não estou pregando contra o desejo da felicidade, do ideal; precisamos mesmo desejar coisas ideais para podermos nos aproximar o máximo possível delas e enriquecermos o mundo de sublimidade... Mas estou pregando sim contra essa ideia patética de uma felicidade mágica e não construída.

Nesse ponto o nosso olhar de hoje: “Felicidade se constrói com paixão e punhos”.

Já disse que não sou contra o desejo, o sonho, mas sou contra as esperas mágicas e as ilusões insustentáveis. Felicidade se constrói no alcance dos pequenos (ou dos grandes) desejos. Não espere a mágica, ao contrário, seja sua fada madrinha, faça a felicidade acontecer.

Você menina, não espere um príncipe encantado num cavalo branco; mais fácil é reconhecer o cara maravilhoso (apesar da falibilidade) que seu namorado (ou marido) pode ser; e se estiver sozinha, imaginar que alguém bacana existe em algum lugar a espreita de cruzar seu caminho. Se ainda assim você desejar muito o príncipe no cavalo branco, produza uma festa a fantasia, alugue uma fantasia de príncipe e um cavalo e peça pra seu namorado chegar na festa nele.

E você, amigo, em busca da eterna bonequinha da juventude, (1) se quer que sua mulher ou namorada não envelheça ou engorde, também não envelheça nem engorde você, ela também quer alguém apresentável e desejável ao lado, (2) já pensou em quebrar a rotina se apaixonando pela(s) mulher(es) que sua companheira vai se tornando? Não! Devia! Assim espantaria a rotina se enamorando das várias mulheres em uma que a maturidade vai construindo na mesma que ao seu lado dorme. Mas se sua felicidade mesmo estiver baseada numa mulher sempre disposta ao sexo, que não engorde, que fale pouco ou nada fale, sempre arrumadinha e a sua espera, que não arrote nem solte pum, compre uma boneca inflável. Mas cuidado para não se frustrar na sua busca dessa perfeição artificial não inflando a boneca demais (ela pode parecer gorda), e cuidando no manuseio dela (ela pode furar e emitir gases semelhantes ao que você desejava evitar).

E o emprego ideal? Kkkkkkkkkk... Quer trabalhar nele? Amanhã cedo você vai bater ponto nele. Como? Fazendo do seu emprego o melhor que ele pode ser: convivendo bem com seu companheiros de trabalho, subordinados e superiores; reconhecendo a importância do seu oficio para alguém; reconhecendo a importância do que você ganha para a manutenção da sua vida e de quem você ama; se esforçando por manter a calma na pressão e sendo estímulo para sua equipe. Tenho certeza que, agindo assim, além de estar bem no lugar onde você passa grande parte da sua vida, terá bem mais chances de ganhar uma promoção ou aquele aumento que você tanto desejou para fazer aquela viagem dos sonhos. E se o lugar onde você trabalha não tem jeito mesmo, o que você tá fazendo nele? Peça demissão ontem!!! E vá em busca de outro. Por que ficar roendo o osso se em algum lugar tem filé à sua espera?

Isso não serve só para as questões amplas que supra citamos, mas para uma serie de outras questões que se põem à nossa felicidade. É preciso mesmo viver com paixão; sem paixão as conquistas, das pequenas as maiores, perdem o valor. Mas só paixão não é suficiente. É preciso disciplina, empenho, ação associada à vontade.

E mais: pararmos de entender e desejar a felicidade como algo para amanhã, para o ano que vem... e enxergar pequenas nuances de felicidade que nos sorriem todos os dias e que perdem seu valor diante de desejos e ambições muito grandes.

Pensando bem direitinho, costumava dizer na minha adolescência que temos, das 1001 razões diárias que a vida nos dá, 1000 razões para sermos felizes e 1 para sermos tristes, mas nos apegamos a essa uma de tristeza com uma força tão grande, caímos sentindo pena de nós mesmos, nos fazendo de vítimas da vida e das circunstâncias, e esquecendo as outras mil para segundo plano. Penso uma serie de coisas diferente da adolescência, mas essa ainda continuo pensando do mesmo jeito.

Enfim, priorizemos a felicidade!

Quando noticiaram que felicidade seria uma disciplina ensinada na escola imaginei: que despropósito! Deviam mesmo era ensinar bem o que a escola já se propõe sem êxito.

Hoje, refletindo esse olhar, sou levado a considerar que felicidade se aprende, ou melhor, nos educamos para ser felizes, para nos reconhecermos felizes, para considerarmos as mil razões diárias de ser gratos a Deus e à vida.

Mais uma vez: um brinde à felicidade!!!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

OLHARES XV - Saber esperar...



Pensa comigo: tem coisa mais chata que esperar?

Não... quer conhecer um cidadão fumando no rabo de uma onça por esperar sem comunicação? Prazer!!!
Contudo, não é qualquer esperar que me aborrece. Tem aquela espera prazerosa, quando você se prepara para o que há de vir ou para quem vem sabendo a hora da chegada. Saber a hora da chegada é condição imprescindível para se esperar com dignidade e satisfação, né não?! Ainda mais hoje em dia, que tempo é ouro! Esperar em vão é perder parte da vida...

Conhece alguém que pense assim? De alguma forma, a gente pensa mais ou menos assim nalgum momento. A contemporaneidade é mesmo pura aceleração. Esperar, nesse contexto, soa mesmo como perda de tempo.

A espera inclui “preparação para”. Nessa dinâmica, saber, conhecer a hora da chegada, faz essa preparação mais gostosa e eficaz.

Mas como agir sem saber para quando e o que se preparar?
Essa é a grande e profunda lacuna sobre a qual lançamos olhar hoje.

Outro dia tive um “insight”, desses que brotam na mente sem nenhuma razão compreensível, e dei por pensar na palavra ESPERANÇA. Essa palavra é mesmo cheia de significação, não é? Basta lê-la para... sei lá... sentir algo “flop” dentro; acomodar emoções e ideias que pareciam até então em desacordo...

Sendo assim ESPERANÇA uma palavra tão significativa, dei por pensar em sua etimologia, e, mesmo antes de pesquisar, pensei que, para meu espanto e desespero, esperança tem mesma raiz latina de esperar. Mas que diabos esperança tem haver com esperar?

A resposta para essa indagação, mesmo não tão óbvia, torna-se óbvia quando REOLHAMOS. Mas antes de respondermos, vale-nos outro questionamento complicado: O que é esperança? Confesso que tive dificuldades de responder. Esperança é uma palavra tão subjetiva que acabamos por apreende-la pelo que sentimos a partir dela, e não tanto pelo que de fato ela significa. Um sentimento? Uma forma de automotivação? Um olhar positivo sobre o futuro? Não sei explicar ESPERANÇA... Você sabe?

Mas retomemos nosso olhar: estávamos tentando estabelecer uma relação entre esperança e esperar, lembra? Pois é, se tem alguma coisa haver? Tudo!!!

Esperança é a atitude de saber esperar. E o pior: saber esperar e se preparar para algo que não sabemos quando ou como vem, mas acreditando que um dia vem.

Agora consigo unir os contextos: esperança é mesmo o gozo da antecipação do prazer da chegada de algo que ainda não chegou, mas que, mesmo não dominando o tempo da chegada, acreditamos nela. É uma espécie de olhar para e sobre o futuro na experiência do gozo antecipado causado pela preparação para a chegada desse incerto que torna-se certo por já acreditarmos nele e o desejarmos.

Sendo assim, o inverso de esperança é uma palavra, semelhante a ela, carregada de significação, mas pesada, triste – DESESPERO.

Desespero é não ter mais nada a esperar; viver como se nada mais de interessante estivesse por vir, como se a vida fosse só objetividade, fosse só o que agora temos.

Mas não se fala tanto em viver o momento, em carpi diem? Sim, claro! Mas não na dinâmica de nada esperar, mas de viver com intensidade, saboreando o momento presente como único e sabendo ser essa experiência, a de viver a NOSSA vida, intransferível. Compreende?

Como relatei no inicio dessa reflexão, não me considerava um bom “esperante”, mas sempre me acreditei esperançoso – COMPREENSÕES EXCLUDENTES SOBRE MIM MESMO.

Ao fim, vale-nos desejar aprender a esperar, a olhar para o futuro, mesmo sem ter nenhum domínio sobre ele, mas desejando sempre o melhor, não no comodismo de apenas esperar, mas de construir um futuro tal qual o acreditamos e desejamos. Esperança é mesmo uma palavra motivadora como a pensava, não apenas no seu sentido lúdico, mas na didática subjetiva que encerra ao nos estimular a desejar e acreditar algo para o futuro construindo-o.
Oxalá saibamos saber esperar...

Muito bom voltar a esse lugar de comunicação e reflexão. Depois conto por onde antei quando aqui não os vim encontrar.

Para não perder o velho costume: BEIJO NA BUNDA!!! KKKKKKKK...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OLHARES XIV – Síndrome de Super



Na cultura oriental, a árvore é o símbolo da vida. Nessa imagem, nós, humanos, somos como as árvores: temos nossas raízes fixadas à terra, à essa origem “primitiva” e natural, mas dela nos construímos para o alto, para o céu, para o grande, para a sublimidade...

Bonito isso, né? Inspirador!!!
Mas às vezes levamos isso a sério demais. Kkkkkkk...

Você já percebeu o quanto nunca contamos uma história tal qual aconteceu?
Sei que uma mesma história são várias histórias dentro do mundo de significação de cada pessoa – isso é fato! E tem ainda aquele velho jargão de que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Não vou contestar isso! É verdade e é bom! Mas, para efeito de reflexão, gostaria que fixássemos o olhar nas histórias que nos envolvem...

Pensa cá comigo: quem conta uma discussão e constrói essa história de forma a ficar por baixo? Kkkkkkkkkkkk... Não é engraçado como, mesmo que a situação seja totalmente desfavorável, sempre damos uma jeito de triunfar? Kkkkkkkkk... Se o fato é cômico, ampliamos sua comicidade para parecer mais engraçados; Se envolve poder a última palavra foi sempre a nossa, porque “podemos”; se envolve dor, as minimizamos por medo de parecer fracos; se envolve fracasso, quando o admitimos, sempre anexamos aí algum ganho como imagem de compensação de forma a voltar ao topo... kkkkkkkkk...

Não é mais ou menos assim?

É por isso que disse que levamos muito a sério essa história de tendentes à grandeza, à sublimidade... kkkkkkkkkkkk...

A essa tendência de valorização pessoal chamaremos: SÍNDROME DE SUPER.

Aprendemos nas leis sociais e naturais que vencem os fortes. Essa construção de SUPER que fazemos tem por objetivo imprimir na nossa história esse caráter de poder e força de forma a nos fazer reconhecidos, SUPERestimados.

Mas há ainda as circunstâncias onde somos SUPER mesmo. Há momentos na vida onde de fato fazemos valer nossa vocação à grandeza, seja por uma atitude austera, seja por generosidade, seja por ter passado de cabeça erguida por uma situação muito difícil, seja por termos descoberto forças para encarar um grande desafio e termos vencido, seja por termos lutado até a exaustão por um grande amor; enfim... Todos nós reconhecemos, na nossa história, um fato(s) ou um ato(s) do qual nos orgulhamos, que representa de nós para nós mesmos nosso estado de grandeza. Em momentos de estima ruim, adoramos rememorar esse(s) fato(s) buscando retomar nossa grandeza, nosso gosto pelo sublime, pelo alto (como na simbologia da árvore).

Tudo isso BOM e BELO! Há circunstâncias onde somos SUPER mesmo.

Aqui só temos que ter “olhos” atentos a alguns possíveis riscos:
1 – Construirmos a imagem de alguém exageradamente super que vá além das nossas forças reais de forma que essa imagem não se sustente ou que nos tire o direito, tão sublime quanto o de ser SUPER, de NADA ser, de ser carentes, dependentes, FRACOS... Precisamos também reconhecer nossas fragilidades e saber ser fracos de forma a podermos ser supridos nas nossas necessidades e também, por que não dizer, permitir que os outros sejam SUPER no auxílio a nós. Acho mesmo que essa própria compreensão do SUPER como o “que está por cima” embaça nossa visão: é também SUPER “admitir necessitar, precisar, carecer”...

2 – Como vimos, havendo de fato pontos de grandeza nas nossas histórias, o segundo risco gravíssimo que corremos é o da FIXAÇÃO nesses pontos. Ou vocês nunca conheceram HERÓIS DO PASSADO, que passam a vida inteira construindo sua imagem e estima sob pontos heróicos e fatos há muito acontecidos?
Também essa fixação é um risco porque, fixado seu valor, por não reconhecer nada na contemporaneidade que suplante “em grandeza” esse ato passado, o herói pretérito vai agregando ainda mais valor ao fato com o passar do tempo, cegando para outras grandezas contemporâneas as quais não consegue atestar grandeza e valor. Essa fixação embaça nosso olhar para reconhecer grandezas cotidianas e silenciosas, aquelas que não carecem de reconhecimento público por sua singeleza, mas que agregam tanto valor à nossa alma, às nossas relações. Ou ainda, acreditando-nos super por algo do passado, desconsiderarmos o fato de precisarmos ser super também agora, no exato e único momento de ser e fazermos felizes de que dispomos.

3 – Por último, e talvez o mais grave de todos os possíveis erros da grandeza: CEGARMOS PARA A GRANDEZA DO OUTRO. Xiiiiiiiiii!!! Acho que não preciso nem falar muito sobre isso... se cairmos de fato nessa armadilha do ego, a de desconhecermos a grandeza dos nossos heróis cotidianos, veremos a vida perder seu valor, seu encantamento, enfadada num lugar histórico e cronológico desgraçado, sem graça, frio, áspero, amputados do sublime sentimento da GRATIDÃO.

Gratidão a Deus, à vida, aos caminhos que nos trazem nossos heróis... os heróis que nos amam quando precisamos de amor, mesmo quando somos imbecis e ingratos; que nos alegram quando estamos tristes; que nos sustentam quando nos falta o animo; que nos olham com olhar de grandeza e sem palavras agregando a nós até o valor que não temos mas que provêm desses mesmos olhos que contemplam...

Gratidão a Deus e à vida pelos heróis que contam piadas, que seguram na mão pra atravessar a rua, que cantam desafinados para não sair do coro, que dançam sozinhos em casa, que nos ligam na madrugada, que enxugam nossas lágrimas ou choram mais que nós fazendo-nos ter que parar de chorar para socorrê-los (kkkkk... já passou por isso?)...

Enfim, e ao fim, também eu quero prestar minha homenagem e minha gratidão aos meus heróis, já representados em todas as anunciações anteriores (que vocês se reconheçam e nelas se encontrem), aos heróis ligados a mim por laços de sangue e por laços de escolha, que me amam, me aturam, me compreendem (ou não), mas que me estimulam sempre a acreditar no amor, na beleza, na grandeza e na simplicidade... que me estimulam a desejar ser o melhor que posso ser, sem desprezar o meu pior... recebam minha gratidão!!!

E também a todos vocês, que agora lêem essas palavras desacertadas, agradeço por serem SUPER, pelo heroísmo do cotidiano do qual são protagonistas; é bem provável que nunca nos vejamos mas, tenho certeza de que, como corrente, elo, emanação, o BEM feito por um ser, em qualquer lugar do mundo, agracia a humanidade inteira...

Beijos com bênçãos na bunda de todos!!!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OLHARES XIII – Nunca Vítimas


Você já parou pra pensar como adoramos criar situações que nos permitam posar de vítimas? Não?

Deixa eu rememorar junto a você algumas circunstâncias:

Por que você acha que gostamos tanto de pedir opiniões às pessoas a nossa volta quando temos que tomar alguma decisão? Acha mesmo que é porque as valorizamos? Kkkkkkkkkk... Não que não as valorizemos, não é isso! Apenas, de alguma forma, consciente ou inconscientemente, estamos imputando nosso poder de decisão ao outro para, dando algo errado, olharmos para nós mesmos com ares piedosos e dizer: “se eu não tivesse ido pela cabeça de fulano teria dado certo...”.

E existe ainda aquelas vezes aonde envolvemos no processo o Todo Poderoso... kkkkkkkkkkk... Nunca fez isso não? Nunca ouviu a expressão: “foi Deus quem quis”? Ou: “Deus quer assim”? Acho essa a vez em que mais pegamos pesado nessa coisa de nos construirmos vítimas, não acha? Sendo Deus sabedor de tudo, o incontestável, quem pode ir contra Ele? Imputando o poder das nossas decisões a “suposta” vontade de Deus estamos, de antemão, nos vitimando no nosso poder de decisão e nas conseqüências disso, afinal – Deus quis!!! Kkkkkkkkkkkkkkk (sacanagem colocar o Grande nas histórias, diga aí?!).

Sei que você é criativo(a) e vai pensar uma série de outras circunstâncias aonde criamos as condições de poder, ao fim, posarmos de vitimas...

Agora sim, depois de levantadas as questões todas referentes à nossa ridícula mania de nos fazermos de vítimas proponho nosso olhar de hoje: Nunca somos vítimas!!!

E estou dizendo: nunca mesmo!!!
Entenda-se: nunca quando a situação for referente às nossas escolhas. Somos vitimados por atitudes de outras pessoas ou intempéries da natureza, afinal, não escolheríamos em sã consciência adoecer, sofrer acidentes, escutar palavras grosseiras, e assim por diante. Repito: nunca somos vítimas quando as circunstâncias nos remetem às nossas escolhas. Entendido?

Voltando aos nossos dois exemplos anteriores, quando nos fizemos de vítima...
No primeiro, quando adoramos captar informações e conselhos que nos permitam culpar alguém que não nós mesmos no final, especialmente se algo der errado, não temos razão para ser vítimas!!! Queremos nos fazer de vítimas por acreditar, burramente, que deixamos os outros decidirem por nós, e isso nunca vai acontecer!!! Deixa eu provar: ao pedir a opinião de alguém, mesmo que seja diferente da nossa, ao decidirmos seguir esse conselho ou opinião, estamos DECIDINDO por isso; LIVREMENTE ESCOLHEMOS abrir mão da nossa própria opinião para nos dedicarmos à outra que, sendo escolhida, abraçada por nós, passa a ser nossa própria escolha e decisão.

Algo semelhante acontece quando somos inteligentes o suficiente para abraçar uma grande idéia de alguém. (Disse inteligentes por haver quem só seja capaz de abraçar e fazer acontecer suas próprias idéias, o que é um total atestado de ignorância, para não dizer pouca inteligência ou burrice mesmo). Ao termos contato com uma grande idéia, concordando com ela, caindo ela como luva nos nossos ideais e princípios, de certa forma ela passa a ser nossa também porque, livremente, concordamos com ela. Não sei se ficou claro, mas tentei!!!

E ainda tem a questão do Todo Poderoso... Essa sim me irrita, juro!!! Gente, pelo amor do Amor, como poderia o autor supremo do livre arbítrio tramar contra ele? É ilógico isso!!! Não existe ser mais respeitoso quando a nossa vontade e escolha que o Todo Poderoso!!! A questão é que adoramos usá-lo como argumento de autoridade: se nossa escolha nos traz boas recompensas afirmamos ser a resposta de Deus por termos escolhido o que Ele queria; e se nos traz alguma dor afirmamos o ser sua forma de nos educar nos fazendo passar, impreterivelmente, por alguma dor.

Deveríamos nos envergonhar!!! De Deus só pode provir o bem, o bom, o belo... essa história de os bons acontecimentos serem respostas de Deus a termos FEITO sua vontade é falaciosa – Deus nos abençoa sempre, seja qual for a escolha que fizermos; errando ou acertando, o Todo Poderoso sempre estará lá nos abençoado e cuidando. As dores do percurso nada tem haver com Ele, são conseqüências das nossas escolhas; tem haver sim, ao seu respeito supremo à soberania da nossa vontade não mudando os acontecimentos e as respostas que recebemos diante das nossas ações. E, se retomarmos o exemplo anterior, ao conhecermos a vontade de Deus, fazendo-a, estamos escolhendo livremente fazê-la, o que a faz nossa própria vontade.

Acho que ficou bem claro que, em se tratando das nossas escolhas, NUNCA SOMOS VÍTIMAS!!!

Pensar assim nos livra de melindrices desnecessárias; nos faz mais responsáveis por nós mesmos e nossas escolhas. Se algo der errado, ao invés de culparmos os outros, avaliamos nossas escolhas e voltamos ao planejamento.

Pensar assim nos ensina a olharmos a incrível variedade de possibilidades que a vida nos apresenta todos os dias e em cujas escolhas vamos nos formando, nos fazendo, nos construindo.

Não implica que não sofreremos, disso não se foge. Não implica em acertar sempre – ensaio e erro faz parte de todo aprendizado – aprender a andar de bicicleta sem ter um raladinho em cicatriz pra contar a história não tem a menor graça, tem? Kkkkkkkkkk...

Aprendamos a caminhar de cabeças erguidas, de posse da soberania das nossas escolhas e da nossa liberdade, e “quase nunca” vítimas... (decidi escrever quase nunca porque, ahhhhh, um denguinho de vitima pra conseguir uns beijinhos também faz bem, né? Kkkkkkkk...).

Grande beijo pra vocês e até nossa nova postagem – SÍNDROME DE SUPER.