quinta-feira, 25 de junho de 2009

Aprendendo sempre


O São João é uma festa muito bonita aqui nesse recanto... Muita luz, cor, forró, samba de coco, e gente... muita gente... muito gente... dos tipos e personalidades as mais variadas...

Foi no contato com gente assim, muito gente, que aprendi nesse dia de São João...
No meio do povo destacava-se uma pessoa, um jovem, por sua roupa extravagante e cheia de personalidade, que se expressava também no seu jeito de dançar, de existir... Pela mania que temos de categorizar as pessoas, no pobre catálogo que estabelecemos, ao olhá-lo, todos dizemos: um homossexual...

Até ri da sua diferença... o que me faz lembrar uma intrigante frase de Gil Vicente: “O riso é a coisa mais séria do mundo”; querendo dizer que, na maioria das vezes, rimos das coisas com as quais não sabemo lidar, rimos do que gostaríamos de mudar sem saber como, atestando assim nossa ignorância e inabilidade...

Adoro dançar samba de coco, verdadeira paixão! O samba de coco é uma dança muito popular e sem distinção onde dançam juntos pobres e ricos, heróis e vilões sociais, todos numa única roda, numa única batida, o que aumenta ainda mais meu fascínio por essa dança... Nesse caldeirão aí me encontrei várias vezes com Cássia Éller (nome com que batizamos o jovem por sua presença de espírito e personalidade livre e forte), mas sempre que estávamos prestes a trocar alguns passos o meu sensor de preconceito soava sem que eu nem me desse conta (só agora sei porque pude pensar sobre).

Mas algo novo aconteceu... é como se Deus, por sua infinita misericórdia, quisesse me dizer do amor que tem pelos seus, todos, e contivesse o ridículo em mim... ao aproximar-se a Cássia, dançamos juntos, sorrimos juntos... Uma contra-dança curtíssima, mas suficiente para me permitir ver olhos que escondem uma alma enorme e para ouvir um breve “OBRIGADO”; Obrigado esse que me fez sentir vergonha de mim mesmo...

Como podia me achar melhor que ele? Em quantas coisas ele devia ser mehor que eu... tantas!!!


Senti-me muito triste por ter permitido que as convenções sociais me moldassem com o meu total consentimento e sem a minha reflexão... E me senti um grande hipócrita por me dizer cristão... Que cristão que nada! Um farsante!!! Deixei que me ensinassem um Deus que pune, um Deus que faz acepção de pessoas, um Deus que ama quando convêm e que obedece a categorização humana... Como pude ser tão burro? E como pude ler o evangelho de Jesus toda a minha vida e não perceber que esse Deus que me ensinam é incoerente com o Deus verdadeiro, o Deus que ensinou do amor pelos olhos do seu filho, o Deus humano no filho que amou a todos, especialmente quem mais precisava ser amado...

Senti uma vergonha que, se perdurasse por mais tempo me levaria ao desespero... Mas Deus, misericordiosos como só ele pode ser, sufocou minha dor e me trouxe o gozo de quem aprende, a alegria de começar de novo do jeito certo – e, com muita alegria, me senti feliz por ser cristão, não farsante hipócrita como antes... Numa contra dança me senti um cristão de verdade!!!

2 comentários:

jose disse...

Rennan, esta experiência foi simplesmente linda. Precisamos proclamar ao mundo a necessidade de reflexão e liberdade em nossas ações, próprias dos filhos de Deus. A questão não é excluir mas fazer parte. Abaixo o preconceito e as colocações hipócritas que nos fazem sentir, muitas vezes, melhores que os outros, quando, na verdade, não somos nada.

Michelle Dias disse...

As aparências escondem um coração... Não só você passa por isso. Muitos de nós, aliás, todos nós vivemos constantemente situações como esta, e a vergonha maior é não reconhecer que Deus ama justamente aquele que menos amamos...